Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentid...

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Ano: 2013 Banca: FCC Órgão: MPC-MS Prova: FCC - 2013 - MPC-MS - Analista de Contas |
Q465559 Português
O preço da virtude

Nossas qualidades naturais são, já por si, virtuosas? Pessoas de temperamento calmo e índole generosa, por exemplo, podem ser vistas como gente indiscutivelmente meritória? Mulheres e homens bem intencionados devem ser julgados apenas com base em suas boas intenções? Tais perguntas nos levam a um complicado centro de discussão: haverá algum valor moral nas ações que se executam com naturalidade, sem o enfrentamento de qualquer obstáculo, ou o que é natural não encerra virtude alguma, já que não encontra qualquer adversidade?

Há quem defenda a tese de que somente há virtude numa ação benigna cujo desempenho implica algum sacrifício do sujeito. A virtude estaria, assim, não na natureza do indivíduo, mas na sua firme disposição para sacrificar-se em benefício de um outro ser ou de um ideal. O sacrifício indicaria o desprendimento moral, o ato desinteressado, a disposição para pagar um preço pela escolha feita: eu me disponho a passar fome para que essa criança se alimente; eu deixo de usufruir um prazer para que o outro possa experimentá-lo.

Nessa questão, valores éticos e valores religiosos podem até mesmo se confundir. A palavra sacrifício tem o sagrado na raiz; mas não é preciso ser religioso para se provar a capacidade de renúncia. Quanto ao preço a pagar, não há dúvida: sempre reconheceremos mais mérito em quem foi capaz de agir passando por cima de seu próprio interesse do que naquele que agiu sem ter que enfrentar qualquer ônus em sua decisão.

(TRANCOSO, Doroteu. Inédito)

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido do segmento em:
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a equivalência semântica contextual pedida pelo comando: em "Pessoas de temperamento calmo e índole generosa", a expressão "índole generosa" remete a natureza ou disposição moral nobre; por isso, "de natureza magnânima" é a única paráfrase que preserva esse sentido sem desvio semântico, o que conduz ao gabarito A.

Tema central: equivalência semântica contextual
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A mantém o núcleo de sentido do segmento original. No contexto, "índole" vale por natureza, caráter ou disposição íntima, e "generosa" expressa nobreza de ânimo. A formulação "de natureza magnânima" recompõe exatamente essa ideia de disposição natural voltada à generosidade, sem alterar o valor moral presente no trecho.
B
Errada
Está errada porque troca o sentido de duas partes centrais do segmento. Em "não encontra qualquer adversidade", o texto fala em não enfrentar obstáculo, oposição ou dificuldade. A reescrita "não se tolhe por qualquer contrassenso" introduz autolimitação em "não se tolhe" e ideia de absurdo ou contradição em "contrassenso", sentidos que não aparecem no original.
C
Errada
Está errada por confundir palavras formalmente parecidas, mas semanticamente distintas. Em "o ato desinteressado", "desinteressado" significa altruísta, sem proveito próprio, ligado a desprendimento moral. "Gesto desinteressante" significa sem interesse, sem atrativo ou sem relevância. A troca destrói o sentido ético do trecho.
D
Errada
Está errada porque a reformulação não preserva com precisão o conteúdo do segmento. "Deixo de usufruir um prazer" significa abrir mão de experimentar um prazer. Já "abstenho-me de um usufruto prazenteiro" desloca o foco para "usufruto" e produz uma formulação artificial, sem fidelidade semântica adequada ao original.
E
Errada
Está errada por substituir um sentido por outro incompatível. Em "capacidade de renúncia", o texto trata de aptidão para abdicar, abrir mão, sacrificar-se. "Habilitação para o comprometimento" muda o núcleo semântico, porque comprometimento expressa envolvimento ou engajamento, não renúncia.
Pegadinha da questão
A banca explorou trocas vocabulares que parecem próximas, mas mudam o sentido exato do trecho, especialmente pares como "desinteressado"/"desinteressante" e "adversidade"/"contrassenso", além de reescritas rebuscadas que não preservam a ideia original.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique se a paráfrase mantém o núcleo de sentido do segmento no contexto, e não apenas uma aparência de sinonímia.
  • Desconfie de palavras parecidas na forma, mas diferentes no valor semântico, como "desinteressado" e "desinteressante".
  • Elimine reescritas que trocam obstáculo, renúncia ou altruísmo por noções diferentes, mesmo que pertençam ao mesmo campo ético.
  • Vocabulário mais formal ou rebuscado não garante correção; o critério é fidelidade semântica ao trecho.

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Gabarito A

pra·zen·tei·ro
(prazente + -eiro)

adjetivo

1. Que denota prazer, satisfação. = ALEGRE, CONTENTE, JOVIAL, FESTIVO, RADIANTEDESCONTENTE, TACITURNO, TRISTONHO

2. Que é afável, simpático. = AGRADÁVEL, AMÁVEL, APRAZÍVEL, CORDIALANTIPÁTICO, DESAGRADÁVEL

mag·nâ·ni·mo
(latim magnanimus, -a, -um)

adjetivo

1. Que tem grandeza ou magnanimidade (ex.: chefe magnânimo).

2. Que revela bondade ou generosidade (ex.: ofertas magnânimas). = GENEROSO


Não entendi o erro da D.



Alguém saberia apontar o erro da alternativa D?

Também marquei a alternativa D. Acredito que para estar certa seria algo como "abstenho-me de usufruir (ter usufruto de) um usufruto prazenteiro (coisa prazeirosa, prazer)

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