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Q4238539 Medicina
Mulher, 72 anos de idade, com adenocarcinoma de cólon não metastático está programada para cirurgia de hemicolectomia direita. Apresenta hipertensão controlada, diabetes melito tipo 2 e histórico de infarto há 5 anos, sem sintomas atuais. Está em uso de AAS, IECA, metformina e estatina. Na avaliação pré-operatória, encontra-se assintomática e com bom estado funcional (>4 METs). ECG e ecocardiograma estão sem alterações significativas. Segundo as diretrizes atuais, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada em relação ao risco cardiovascular. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Pelas diretrizes perioperatórias ACC/AHA 2024 e ESC 2022, paciente assintomática, clinicamente estável, com boa capacidade funcional (>4 METs) e sem achados relevantes na avaliação basal não deve ser submetida rotineiramente a teste de estresse ou cateterismo antes de cirurgia não cardíaca eletiva; como o IAM foi remoto e não há indicação cardiológica independente da cirurgia, a conduta é seguir com manejo clínico habitual e prosseguir para a operação.

Tema central: Avaliação perioperatória cardiovascular
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque infarto prévio remoto, por si só, não indica cintilografia miocárdica no pré-operatório. Segundo a base, teste de estresse deve ser reservado a pacientes selecionados, especialmente com capacidade funcional pobre ou desconhecida e risco elevado, quando o resultado puder alterar o manejo. Aqui ocorre o oposto: a paciente está assintomática, estável e com >4 METs, cenário em que a utilidade do teste é baixa e o sobreteste deve ser evitado.
B
Errada
Está errada porque cateterismo coronário não é exame de rastreio rotineiro para estratificação pré-operatória. A base é explícita em que a indicação de angiografia coronária antes de cirurgia não cardíaca segue os mesmos critérios do cenário não cirúrgico. Como não há síndrome coronariana ativa, angina, descompensação, arritmia instável ou outra condição cardíaca ativa, não há fundamento para adiar cirurgia eletiva oncológica para investigação invasiva.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o dado que decide a questão é a combinação de estabilidade clínica, ausência de sintomas e capacidade funcional >4 METs. Nesse contexto, as diretrizes citadas na base são convergentes: exames adicionais só se justificam quando o resultado pode mudar a conduta ou quando existe indicação cardiológica própria, independente da cirurgia. O antecedente de infarto há 5 anos, isoladamente, não muda essa decisão. Portanto, o adequado é manter o tratamento clínico já estabelecido e não atrasar a cirurgia para investigação cardiovascular adicional.
D
Errada
Está errada por dois motivos concretos. Primeiro, a base afirma que betabloqueador não deve ser iniciado rotineiramente pouco antes da cirurgia sem indicação específica, pois isso pode aumentar eventos como hipotensão, bradicardia e AVC. Segundo, a alternativa diz para iniciar estatina 7 dias antes, mas a paciente já usa estatina; o correto, conforme a base, é mantê-la, e não apresentar essa medida como início de terapia para reduzir risco perioperatório.
Pegadinha da questão
A banca tenta fazer o candidato superestimar o antecedente de IAM remoto e esquecer o critério que realmente decide: paciente estável, sem sintomas e com capacidade funcional >4 METs não precisa de investigação adicional nem de intensificação farmacológica iniciada apenas por causa da cirurgia.
Dica para questões semelhantes
  • Em pré-operatório de cirurgia não cardíaca, primeiro decida pela estabilidade clínica e pela capacidade funcional; >4 METs em paciente assintomático geralmente afasta teste adicional.
  • Teste de estresse e cateterismo só entram quando podem mudar conduta ou quando já haveria indicação cardiológica fora do contexto cirúrgico.
  • Antecedente remoto de IAM não é indicação automática de cintilografia nem de angiografia coronária.
  • Betabloqueador não deve ser iniciado empiricamente no pré-operatório imediato; estatina em uso deve ser mantida.

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