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Q4235105 Medicina

Texto para a questão 


Lactente de 6 meses de vida, com antecedente de atresia de vias biliares, submetido a procedimento de Kasai aos 2 meses de idade, sem sucesso, evoluindo com cirrose hepática avançada e múltiplas internações. Comparece ao prontosocorro com febre, piora da icterícia e acolia fecal há 1 dia. Ao exame físico, apresenta estado geral regular, ictérico, acianótico, hidratado, eupneico, ausculta cardiopulmonar sem alterações, abdome com ascite moderada, indolor, esplenomegalia palpável a 4 cm do rebordo costal esquerdo, sem alteração em relação a exames prévios.


• Exames laboratoriais:


Hb: 8 g/dL


Plaquetas: 80.000/mm³


Leucócitos: 3.000/mm³ (60% neutrófilos, sem desvio à esquerda)


PCR: 300 mg/L


Bilirrubina total: 16 mg/dL com predomínio de Bilirrubina direta (basal de 5 mg/dL)


TGO/AST: 500 U/L (basal 200 U/L)


TGP/ALT: 600 U/L (basal 200 U/L)


GGT: 700 U/L (basal 250 U/L)


Função renal preservada


USG abdominal sem alterações relevantes. 

Baseando-se nos dados apresentados, qual o diagnóstico mais provável do quadro agudo do paciente? 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na lógica clínico-operacional da questão, lactente com atresia biliar pós-Kasai que apresenta febre, piora aguda da colestase/icterícia e acolia fecal deve ser interpretado como colangite; não há elementos que sustentem melhor peritonite bacteriana espontânea ou insuficiência hepática aguda.

Tema central: Colangite pós-Kasai
Análise das alternativas
A
Errada
Peritonite bacteriana espontânea não é o diagnóstico mais provável porque a ascite já era parte da hepatopatia crônica e permaneceu sem mudança relevante, faltando dor abdominal, sinais peritoneais, piora abdominal nova e, principalmente, paracentese diagnóstica com análise do líquido ascítico. Além disso, o evento agudo dominante é biliar: febre com piora marcante da colestase e acolia fecal.
B
Errada
Insuficiência hepática aguda exige lesão hepática aguda com coagulopatia relevante, com ou sem encefalopatia, e isso não foi demonstrado. O enunciado não traz INR/TP alterado, encefalopatia nem falência sintética aguda como eixo do quadro. O paciente já tem cirrose avançada, e o que aparece agora é um episódio infeccioso-colestático sobre doença hepática crônica, não insuficiência hepática aguda como diagnóstico do evento.
C
Certa
A alternativa C se sustenta pelo conjunto decisivo do caso: paciente de altíssimo risco para colangite após portoenterostomia de Kasai, com febre, PCR muito elevada, piora importante da icterícia colestática com predomínio direto, acolia fecal e elevação aguda de enzimas hepáticas e canaliculares em relação ao basal. Esse padrão favorece infecção da árvore biliar sobre atresia biliar já conhecida. A ausência de alteração relevante ao ultrassom não exclui colangite nesse contexto, porque aqui o diagnóstico é essencialmente clínico-laboratorial.
D
Errada
Essa é a concorrente plausível porque, em critérios formais mais rígidos, poderia haver discussão entre 'suspeita' e 'confirmada'. Porém, a BASE explicita que a leitura pediátrica/operacional adotada pela questão considera suficiente o conjunto de contexto típico, síndrome inflamatória intensa e piora objetiva da colestase para marcar colangite confirmada. Assim, o rebaixamento para 'suspeita' não acompanha o critério decisivo assumido pela banca.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: desviar o raciocínio para PBE apenas porque há ascite e febre, e rebaixar um quadro pediátrico clássico de colangite para 'suspeita' por exigir cultura positiva ou alteração de imagem, embora o caso esteja clinicamente caracterizado.
Dica para questões semelhantes
  • Em pós-Kasai, febre + piora abrupta da icterícia/colestase + acolia fecal deve acionar primeiro o diagnóstico de colangite.
  • Ascite em cirrótico não define PBE; para sustentá-la, é preciso semiologia compatível e, idealmente, paracentese diagnóstica.
  • Hiperbilirrubinemia e transaminases elevadas não bastam para insuficiência hepática aguda sem coagulopatia ou encefalopatia.
  • Ultrassom sem achados relevantes não exclui colangite quando o contexto clínico-laboratorial é típico.

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