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Com base no mesmo assunto
Ano: 2026
Banca:
IBADE
Órgão:
Prefeitura de Itarana - ES
Provas:
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Administrador
|
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Auditor Público Interno |
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Contador |
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Fiscal de Tributos |
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Farmacêutico Bioquímico |
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Fonoaudiólogo |
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Médico |
IBADE - 2026 - Prefeitura de Itarana - ES - Veterinário |
Q4276045
Português
Texto associado
Leia o texto e responda à questão.
A unanimidade possível
A reunião começou às nove em ponto, o que, na empresa
Horizonte Integrado, significava nove e vinte. Na sala
envidraçada, oito pessoas se acomodaram diante de uma tela
que exibia o título “Novo Modelo de Colaboração”. Ninguém
sabia exatamente o que seria decidido, mas todos
concordavam que a decisão já estava atrasada.
Renato, diretor de Estratégia, abriu os trabalhos:
— Precisamos construir um consenso que respeite a
diversidade de perspectivas.
A frase foi recebida com acenos graves. Elisa, gerente de
Recursos Humanos, anotou “consenso” em seu caderno. Para
ela, a palavra significava convencer os demais de que o
trabalho presencial deveria aumentar. Otávio, responsável
pela área financeira, entendeu o contrário: consenso seria
reduzir o espaço físico e, com ele, as despesas. Lúcia, da
comunicação, imaginou uma campanha interna com
fotografias de pessoas sorrindo ao redor de uma mesa. Bruno,
do setor jurídico, preferiu não imaginar nada antes de
conhecer os riscos.
— O modelo atual precisa ser flexibilizado — continuou
Renato.
— Concordo plenamente — disse Elisa.
Ela pensava em horários mais rígidos, desde que fossem
chamados de “faixas de integração”.
— Concordo também — afirmou Otávio.
Ele pensava em eliminar estações de trabalho fixas.
— Faz todo sentido — acrescentou Lúcia.
Ela já escolhera o slogan: “Mais liberdade para estarmos
juntos”.
Bruno ergueu a mão:
— Quando falamos em flexibilidade, estamos tratando de
presença, jornada, local de trabalho ou metas?
Renato sorriu com a serenidade de quem considera a precisão
um obstáculo operacional.
— Estamos tratando de uma visão mais ampla.
Bruno anotou que a visão era ampla o bastante para não
caber numa definição.
A discussão prosseguiu. Elisa defendeu “o fortalecimento dos
vínculos”. Otávio apoiou, entendendo que vínculos
fortalecidos diminuiriam pedidos de demissão. Lúcia apoiou
também, imaginando vídeos de aniversários corporativos.
Bruno perguntou se os vínculos incluíam obrigações
adicionais. Renato respondeu que aquele era um tema para
uma etapa posterior, o que, na empresa, designava o lugar
onde as perguntas difíceis eram cuidadosamente guardadas.
Perto do meio-dia, surgiu a expressão “autonomia
responsável”. Todos a receberam com entusiasmo.
Para Elisa, autonomia responsável significava liberdade para
organizar o próprio trabalho, desde que o empregado
estivesse disponível quando a liderança julgasse necessário.
Para Otávio, significava entregar mais com menos recursos.
Para Lúcia, era uma combinação perfeita de palavras positivas.
Para Bruno, era uma fórmula que poderia significar qualquer
coisa e, por isso mesmo, exigiria quinze páginas de
regulamento.
— Então estamos alinhados — concluiu Renato.
Ninguém perguntou em relação a quê.
A ata registrou que o grupo aprovara, por unanimidade, um
modelo híbrido, flexível, eficiente, humano e financeiramente
sustentável. O documento não indicava quantos dias seriam
presenciais, quem escolheria esses dias, como seriam
avaliadas as metas nem o que aconteceria quando
flexibilidade e controle apontassem para direções opostas.
Na manhã seguinte, cada setor comunicou a decisão à sua
maneira.
Recursos Humanos anunciou três dias obrigatórios no
escritório. O Financeiro informou que as mesas seriam
compartilhadas e que parte do prédio seria devolvida. A
Comunicação publicou: “Agora, cada pessoa poderá escolher
onde produzir melhor”. O Jurídico enviou uma nota
esclarecendo que nenhuma escolha estava autorizada até a
publicação das regras.
Os funcionários, surpreendentemente, também concordaram.
Alguns entenderam que poderiam trabalhar de casa. Outros
concluíram que precisariam voltar ao escritório. Houve quem
acreditasse que nada mudaria, hipótese que a experiência
tornava bastante plausível.
Renato leu as mensagens e convocou nova reunião.
No convite, escreveu:
“Precisamos alinhar o entendimento sobre o alinhamento.”
Desta vez, todos compreenderam a urgência.
Cada um, naturalmente, compreendeu uma urgência
diferente.
Fonte: Banca Elaboradora
No encerramento, Renato escreve: “Precisamos alinhar o
entendimento sobre o alinhamento.” Assinale a alternativa
correta sobre a formação vocabular, a pontuação e o uso
social da linguagem.