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Q4235089 Medicina
Texto para a questão 


Paciente de 4 anos de idade, com antecedente de encefalopatia crônica não progressiva secundária à hipóxia perinatal, traqueostomia e gastrostomia, crises convulsivas de difícil controle em uso de múltiplas drogas antiepilépticas e hidrocefalia com derivação ventrículo-peritoneal (última troca por mau funcionamento há 3 meses). Comparece ao prontosocorro em crise tônico-clônica iniciada há 1 hora, febre e piora neurológica há 1 dia. Ao exame físico, encontra-se convulsionando, PA de 150×60 mmHg, FC de 140 bpm, FR de 40 irpm, SpO2 de 98%, temperatura de 39,1 °C. Foram administradas duas doses de diazepam EV 0,2 mg/kg, com cessação dos movimentos tônico-clônicos. Em seguida, apresenta FR de 4 irpm, SpO2 de 80% em ar ambiente, FC de 50 bpm. 
Após a conduta da questão anterior, a criança mantém FR espontânea de 4 irpm. Assinale alternativa que apresenta a melhor conduta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Após o abortamento da crise com diazepam, o achado decisivo passa a ser a hipoventilação grave (FR de 4 irpm). Em criança já traqueostomizada, a prioridade é suporte ventilatório imediato pela via aérea já estabelecida, o que favorece a alternativa B.

Tema central: Suporte ventilatório imediato
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque a criança já possui via aérea artificial por traqueostomia. Assim, a melhor conduta não é criar nova via aérea por intubação orotraqueal, e sim ventilar pela traqueostomia.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o problema dominante deixou de ser a convulsão e passou a ser a depressão respiratória importante após o benzodiazepínico. Nessa situação, a conduta prioritária é garantir ventilação efetiva. Como a criança já tem traqueostomia, deve-se utilizar essa via para ventilação assistida/mecânica, sem necessidade de intubação orotraqueal.
C
Errada
Errada porque a crise tônico-clônica já cessou. Fenitoína pode ser usada como fármaco de segunda linha quando a crise persiste ou recorre, mas não corrige a depressão respiratória estabelecida.
D
Errada
Errada porque naloxona antagoniza opioides, não benzodiazepínicos. O quadro descrito é de depressão respiratória pós-diazepam, sem indicação de naloxona.
Pegadinha da questão
A banca desloca o foco da convulsão para o ABC: depois que a crise cessa, o achado decisivo passa a ser a FR de 4 irpm. A outra armadilha é esquecer que a traqueostomia muda a melhor forma de manejo da via aérea.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a crise convulsiva já cessou, reavalie qual passou a ser a ameaça imediata à vida; bradipneia grave prioriza ventilação, não escalonamento anticonvulsivante.
  • Em paciente traqueostomizado com insuficiência respiratória, pense primeiro em ventilar pela traqueostomia se ela estiver funcionante.
  • Não troque antídotos por associação vaga com depressão do SNC: naloxona é para opioides, não para benzodiazepínicos.

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