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Q2466786 Português

        Por que cada vez mais sul-coreanas optam por não ter filhos


        Por que cada vez mais sul-coreanas optam por não ter filhos Dados mostram queda na natalidade no país, chegando ao seu mínimo histórico. Mulheres culpam pressão social por serem as únicas responsáveis pelos cuidados com os filhos e os desafios de conciliar família e carreira. Quando ela era mais jovem, Hyobin Lee tinha o desejo de ser mãe. Mas, chegou a um ponto em que teve que tomar uma difícil decisão – e acabou optando por sua carreira em vez de uma família. Agora, é uma acadêmica de sucesso na cidade sul-coreana de Daejeon.
        Lee, de 44 anos, é apenas uma entre milhões de mulheres sul-coreanas que decidiram conscientemente não ter filhos – levando a taxa de natalidade do país para um novo mínimo histórico.
        A taxa de natalidade – o número médio de nascimentos por mulher – diminuiu para 0,72 no ano passado, de acordo com estatísticas preliminares divulgadas pelo governo da Coreia do Sul nesta semana. O número é abaixo dos 0,78 do ano anterior e dá seguimento a um declínio anual gradual desde 2015.
        O índice está bem abaixo das 2,1 crianças necessárias para manter a população do país. Com apenas 230 mil nascimentos no ano passado, os números sugerem que a população pode cair para cerca de 26 milhões até 2100 na Coreia do Sul – metade da atual.
        “Quando era jovem, sonhava em ter um filho que se parecesse comigo”, conta Lee à DW. “Eu queria brincar com ele, que lêssemos juntos e gostaria de lhe mostrar muito do mundo. Mas percebi que a realidade não é tão simples.”
        “Escolhi não ter filhos por causa da minha carreira”, diz. “Ter e criar um filho causaria problemas para minha carreira e temo que ficaria ressentida com a criança por esse motivo. E, como consequência, tanto a criança quanto eu ficaríamos infelizes”, analisa.
        Uma carreira de sucesso na sociedade coreana dominada por homens é uma das razões pelas quais muitas mulheres optam por não ter filhos. Mas há muitas outras, salienta Lee.
        “As questões econômicas desempenham um papel significativo e, apesar de várias políticas de nascimento concebidas para apoiar as mulheres, elas não funcionam como o planejado”, destaca.
        A licença parental, por exemplo, por lei, está disponível tanto para homens quanto para mulheres. No entanto, é esmagadoramente utilizada apenas pelas mulheres.
        Somente 1,3% dos homens sul-coreanos utilizam o direito à licença parental, em comparação com uma média de 43,4% nos 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
        As empresas coreanas são relutantes em contratar mulheres jovens, pois temem investir na formação de um novo membro para a equipe que poderia deixar o cargo depois de engravidar e, quem sabe, se concentrar em tempo integral à maternidade em vez de regressar ao mercado de trabalho.
        “Na Coreia, ainda existe uma cultura predominante de que ter filhos e todos os aspectos do cuidado deles são responsabilidade exclusiva das mulheres”, acrescenta Lee. “O desafio de gerir simultaneamente o nascimento e o cuidado dos filhos é tão assustador que muitas mulheres optam por não ter filhos. Isto também vale para mim”.
        Jungmin Kwon, professora associada da Universidade Estadual de Portland, no Oregon (EUA), especialista em cultura popular do Leste Asiático, concorda que as pressões da sociedade sul-coreana podem ser sufocantes.
        “De acordo com muitos estudos, fatores significativos incluem o custo e o esforço envolvido no cuidado infantil”, diz.
        “A Coreia é famosa pelo seu extenso mercado de educação privada e é difícil ir contra uma atmosfera na qual se assume como certo que os pais gastarão muito dinheiro em vários programas de educação privada desde muito cedo, a fim de que seus filhos possam competir com outras crianças”.
        “Mais importante ainda, na atual cultura patriarcal, onde se espera que as mulheres suportem a maior parte da energia mental e física necessária para criar os filhos, o nascimento e o cuidado dos filhos são escolhas desafiadoras para as mulheres”, destaca Kwon, salientando que as estatísticas mostram que as mulheres ainda fazem cinco vezes mais tarefas domésticas e de cuidado com os filhos do que os homens.
        “Numa situação em que o respeito e a consideração pelas mulheres que trabalham em toda a sociedade ainda não se enraizaram, gerir bem a casa e a carreira é uma tarefa desafiadora e estressante para as mulheres.”
        E a consequência disso, salienta ela, é que, à medida que os níveis de educação de gênero se tornam mais igualitários e as mulheres têm mais recursos econômicos e escolhas na profissão do que no passado, elas estão descobrindo muitas formas de viver sem depender dos homens.
        “Muitas mulheres não querem restringir suas vidas e escolhem não só não ter filhos, como também não se casar”, explica Kwon.
        Os esforços agressivos dos recentes governos sul-coreanos para aumentar a taxa de natalidade – incluindo benefícios adicionais para famílias com vários filhos e apoio a famílias monoparentais – claramente não conseguiram virar a maré, salienta Lee, e ainda tiveram a consequência imprevista de alimentar o ressentimento entre os homens.
        “Eles sentem-se preteridos por terem de cumprir o serviço militar obrigatório e argumentam que não existe uma regra equivalente para as mulheres, que ainda se beneficiam de inúmeras políticas de apoio”, comenta.
        Foi esse filão que garantiu, em parte, a vitória de Yoon Suk Yeol nas eleições presidenciais de maio de 2022, depois de ele prometer abolir o Ministério da Igualdade de Gênero e Família.
        Tanto Lee como Kwon são pessimistas quanto à possibilidade de superar a crise populacional da Coreia do Sul. Para Lee, as mulheres jovens parecem não ter interesse em responder às necessidades do país.
        “Há uma crença generalizada de que as questões das taxas de natalidade e da pressão social não são da conta delas”, diz. “O individualismo predominante da geração mais jovem significa que é pouco provável que as pressões sociais ajudem a melhorar as taxas de natalidade”, destaca.
        “As mulheres jovens de hoje têm perspectivas diferentes sobre família, casamento, nascimento, comunidade e Estado- -nação do que as das gerações anteriores”, explica. “Elas estão menos aprisionadas pelas ‘obrigações de ser mulher’ impostas pelos Estados, sociedades e famílias patriarcais.”
        “Atualmente não é viável que as estruturas patriarcais mudem da noite para o dia e, consequentemente, também é pessimista pensar que as mulheres terão filhos para aumentar a taxa de natalidade na Coreia”, conclui a professora.

(Deutsche Welle. Disponível: https://istoedinheiro.com.br/autor/deutsche-welle. Acesso em: 01/03/2024.)
Considerando as relações estabelecidas pelas palavras e expressões destacadas nos trechos a seguir, indique o termo cuja função sintática pode ser reconhecida como diferentes dos demais. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A comparação sintática distingue o trecho “Quando ela era mais jovem, [...]” dos demais: em A, o termo destacado integra a predicação com verbo de ligação, enquanto em B, C e D os destaques funcionam como complementos ligados à estrutura verbal. Por isso, A é a alternativa diferente.

Tema central: função sintática comparada
Análise das alternativas
A
Certa
A está correta porque, em “ela era mais jovem”, o verbo “ser” atua como verbo de ligação, e o termo destacado integra a predicação do sujeito, caracterizando “ela”. Esse é o ponto que a distingue das demais alternativas, nas quais os segmentos destacados estão vinculados à estrutura verbal como complemento exigido ou nuclearmente ligado ao verbo. A própria base alerta que seria inadequado tratar “mais jovem” como adjunto adverbial se o destaque for analisado estritamente; o fundamento seguro é a oposição entre verbo de ligação em A e complementação verbal nas demais.
B
Errada
Em “Dados mostram queda na natalidade no país, [...]”, o segmento destacado é aquilo que os dados mostram. Portanto, ele exerce função de objeto direto do verbo transitivo direto “mostram”. Não há caracterização do sujeito nem predicação com verbo de ligação, como em A.
C
Errada
Em “dá seguimento a um declínio anual gradual desde 2015.”, o destaque em “seguimento” só pode ser analisado com segurança considerando a construção “dar seguimento a” como bloco predicativo. A base é expressa ao afirmar que o ponto seguro aqui é que o termo destacado integra construção em que o verbo demanda complemento e, por isso, permanece no campo dos complementos da predicação verbal, diferindo de A. Não se pode afirmar com segurança técnica, a partir da base, que o destaque isolado tenha exatamente a mesma rotulação formal de B e D; o que exclui a alternativa é justamente não apresentar a estrutura de verbo de ligação presente em A.
D
Errada
Em “levando a taxa de natalidade do país para um novo mínimo histórico.”, o termo destacado é o elemento sobre o qual recai a ação de “levando”, funcionando como complemento do verbo na forma de gerúndio, isto é, objeto direto. Assim, repete o padrão geral de complementação verbal das alternativas B e C, e não o de predicação do sujeito visto em A.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre valor temporal do período e função sintática do termo destacado em A: o “Quando” pode levar à leitura apressada de que “mais jovem” teria valor circunstancial, mas o destaque está dentro da estrutura “ela era mais jovem”, em que o termo caracteriza o sujeito. Em C, a outra armadilha real é analisar “seguimento” isoladamente, sem considerar a construção “dar seguimento a”.
Dica para questões semelhantes
  • Compare a relação do termo destacado com o verbo: se ele caracteriza o sujeito com verbo de ligação, não está no mesmo campo dos complementos verbais.
  • Não decida pela ideia geral da frase; identifique se o termo responde ao que o verbo exige ou se integra a predicação do sujeito.
  • Quando o destaque vier em expressão como “dar seguimento a”, analise a construção verbal inteira antes de rotular o termo isolado.

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Comentários

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Aguardando explicações dos colegas...

a letra A é verbo de ligação, e o complemento é predicativo do sujeito, não é objeto direto como as outras. acho que seja isso

ACHO QUE A QUESTÃO ESTA MAL FORMULADA.

“Quando ela era mais jovem

Mais jovem: predicativo do sujeito, nesse caso não há complemento verbal (obj. direto/indireto), pois há um verbo de ligação (era)

“Dados mostram queda na natalidade no país

Quem mostra, mostra algo, ou seja, objeto direto

“[...]  seguimento a um declínio anual gradual desde 2015

Quem dá, dá algo, ou seja, objeto direto

“[...] – levando a taxa de natalidade do país para um novo mínimo histórico.” 

quem leva, leva alguma coisa, ou seja, objeto direto

Entendi dessa forma...

Para resolver a questão, precisamos analisar as funções sintáticas das palavras destacadas em cada uma das alternativas:

A. "Quando ela era mais jovem, [...]" (1º§)

  • "mais jovem": Adjunta adverbial de tempo. Indica uma condição temporal.

B. "Dados mostram queda na natalidade no país, [...]" (1º§)

  • "queda na natalidade no país": Objeto direto do verbo "mostrar". Indica o que é mostrado.

C. "[...] dá seguimento a um declínio anual gradual desde 2015." (3º§)

  • "seguimento": Objeto direto do verbo "dá". Indica o que está sendo seguido.

D. "[...] – levando a taxa de natalidade do país para um novo mínimo histórico." (2º§)

  • "a taxa de natalidade do país": Objeto direto do verbo "levando". Indica o que está sendo levado para um novo mínimo histórico.

A única opção que apresenta uma função sintática diferente é a alternativa A, onde "mais jovem" funciona como um adjunto adverbial de tempo, enquanto as outras opções têm funções de objeto direto.

Portanto, a resposta correta é a A.

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