Climatologistas afirmam que, embora ciclones sejam comuns no...

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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Ventania em São Paulo: ciclones 'devastadores' no Brasil são culpa das mudanças climáticas?


 A passagem de um ciclone extratropical pelo sul do Brasil provocou fortes chuvas e ventos intensos em diferentes regiões do país, especialmente no Centro-Sul. Minas Gerais e São Paulo registraram ventos fortes, mesmo estando fora do centro do fenômeno. Na Região Metropolitana de São Paulo, mais de dois milhões de pessoas ficaram sem energia, e a Defesa Civil contabilizou quedas de árvores, destelhamentos e alagamentos. Em toda a capital, mais de quinhentas chamadas por queda de árvores foram feitas até as quatorze horas. Meteorologistas classificam o ciclone como de altíssimo risco.

Climatologistas afirmam que, embora ciclones sejam comuns no hemisfério sul, a intensidade observada é compatível com tendências associadas às mudanças climáticas. Nos últimos anos, eventos semelhantes têm sido registrados no Brasil, como o ciclone de novembro que gerou um tornado no Paraná, destruindo quase toda a cidade de Rio Bonito do Iguaçu.

Segundo Francisco Aquino, professor da UFRGS, a frequência e a força dos ciclones extratropicais aumentaram nas últimas décadas. Ele relaciona a intensificação ao aquecimento global e, especialmente, às alterações na Antártica, onde a extensão do gelo marinho atingiu níveis muito baixos neste ano. Essa condição coloca a Oscilação Antártica em fase negativa e empurra o cinturão de ciclones para o sul do Brasil, favorecendo tempestades severas. Para ele, a combinação entre atmosfera mais quente e menor volume de gelo marinho contribui diretamente para a formação de ciclones mais intensos.

Este ciclone é considerado atípico para a época devido à pressão atmosférica excepcionalmente baixa, inferior a mil hPa, e aos ventos intensos favorecidos por ondulações incomuns nos jatos superiores da atmosfera — fenômeno mais típico do inverno. Estudos citados por Enver Gutierrez, pesquisador do Inpe, já apontam tais padrões como possíveis efeitos das mudanças climáticas.

José Marengo, do Cemaden, destaca a recorrência de ciclones-bombas, caracterizados por rápida queda de pressão e ventos extremamente fortes, fenômeno cuja frequência costuma ser associada ao aumento das temperaturas globais. Embora ainda não haja consenso para classificar o atual evento como ciclone-bomba, ele é considerado altamente intenso, com grande potencial destrutivo.

Especialistas alertam que eventos assim tendem a se intensificar se não houver ações que reduzam seus impactos. Além de medidas estruturais e estratégias de adaptação, Aquino reforça a necessidade de sistemas eficientes de alerta e comunicação, capazes de orientar a população sobre riscos e procedimentos de segurança. A atenção a alertas meteorológicos e previsões climáticas é vista como ferramenta essencial para evitar tragédias em cenários de eventos extremos cada vez mais frequentes.


 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyvldn2qzpo.adaptado

Climatologistas afirmam que, embora ciclones sejam comuns no hemisfério sul, a intensidade observada é compatível com tendências associadas às mudanças climáticas.

Em relação à concordância nominal presente na frase, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Na concordância nominal, o adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Na frase, em "a intensidade observada é compatível", o adjetivo "compatível" funciona como predicativo e se refere a "intensidade", que é o núcleo do sujeito e está no singular; por isso, a alternativa correta é a que identifica essa concordância.

Tema central: Concordância nominal
Análise das alternativas
A
Errada
Está incorreta porque "climáticas" não concorda com "tendências associadas". Na expressão "mudanças climáticas", o adjetivo "climáticas" modifica "mudanças". A alternativa ainda invoca "correlação estilística", fundamento que não explica a concordância da frase.
B
Certa
A alternativa B está correta porque identifica a relação gramatical efetiva da frase: "compatível" está no singular porque se refere a "intensidade", substantivo singular que é o núcleo do sujeito em "a intensidade observada é compatível...". O ponto decisivo não é proximidade entre palavras, mas a vinculação do adjetivo ao substantivo núcleo.
C
Errada
Está incorreta porque não há, tecnicamente, concordância de "compatível" com "observada". Ambos se referem a "intensidade", mas "compatível" não tem como termo de concordância o adjetivo "observada"; seu referente é o substantivo núcleo "intensidade".
D
Errada
Está incorreta porque "associadas" concorda com "tendências", e não com "mudanças climáticas". A flexão do adjetivo decorre do substantivo a que ele se liga sintática e semanticamente, não do termo mais próximo no enunciado.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre proximidade linear e vínculo real de concordância: "associadas" não concorda com o termo mais próximo, e "climáticas" não retoma "tendências associadas", mas integra a expressão "mudanças climáticas".
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro o substantivo núcleo ao qual o adjetivo realmente se refere; é isso que define a concordância.
  • Não trate dois adjetivos ligados ao mesmo substantivo como se um concordasse com o outro.
  • Em sintagmas com preposição, separe os blocos: em "tendências associadas às mudanças climáticas", "associadas" liga-se a "tendências" e "climáticas" a "mudanças".

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