É alaranjada, é grudenta, e provavelmente é a última coisa ...

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Q3993574 Português
O que a cera do ouvido pode revelar sobre sua saúde


É alaranjada, é grudenta, e provavelmente é a última coisa sobre a qual você gostaria de falar em uma conversa. Ainda assim, a cera do ouvido tem atraído cada vez mais a atenção dos cientistas, que querem usá-la para aprender mais sobre doenças e outras condições como câncer, doenças cardíacas e distúrbios metabólicos, como diabetes do tipo 2.

O nome correto dessa substância pegajosa é cerúmen, e trata-se de um misto de secreções de dois tipos de glândulas — as ceruminosas e as sebáceas — que revestem o canal auditivo externo. Essas secreções se misturam aos pelos, células mortas da pele e outros detritos até atingir a consistência de uma cera que todos nós conhecemos.

Uma vez formada no canal auditivo, a substância é transportada por um tipo de mecanismo semelhante ao de uma esteira, agarrando-se a células da pele enquanto se move de dentro para fora do ouvido, algo que acontece em uma velocidade extremamente baixa, de aproximadamente um vigésimo de milímetro por dia.

A função principal da cera do ouvido ainda é debatida, mas é mais provável que ela sirva para manter o canal auditivo limpo e lubrificado. No entanto, ela também funciona como uma armadilha eficaz, impedindo que bactérias, fungos e outros visitantes indesejados, como insetos, encontrem o caminho até nossas cabeças.

Tudo soa um pouco nojento. E, talvez por causa de sua aparência não tão agradável, a cera do ouvido tenha sido menos estudada por pesquisadores quando comparada a outras secreções corporais.

Mas isso está começando a mudar, graças a uma série de descobertas científicas surpreendentes.

A primeira delas é que a cera do ouvido contém uma quantidade enorme de informações sobre uma pessoa, algumas triviais e outras mais importantes.

Por exemplo, a grande maioria de pessoas com ascendência europeia ou africana tem uma cera de ouvido úmida, na cor amarela ou laranja, e com aspecto pegajoso.

Já a maioria das pessoas do leste asiático têm uma cera de ouvido seca, na cor cinza, e que não é grudenta.

O gene responsável pela produção da cera úmida e seca é chamado ABCC11, que também está ligado a um outro traço curioso: o odor das axilas. Cerca de 2% das pessoas, principalmente as com cera seca, têm uma versão desse gene que faz com que suas axilas não tenham cheiro.

Contudo, talvez a descoberta mais útil relacionada à cera do ouvido é o que ela pode revelar sobre a nossa saúde.

A resposta está na capacidade das secreções cerosas de refletirem as reações químicas que acontecem dentro do nosso corpo, ou seja, o metabolismo de uma pessoa.

"Muitas doenças em organismos vivos são metabólicas", diz Nelson Roberto Antoniosi Filho, professor de química da Universidade Federal de Goiás. Ele lista diabetes, câncer, Parkinson e Alzheimer como exemplos.

"Nesses casos, as mitocôndrias — organelas celulares responsáveis por converter lipídios, carboidratos e proteínas em energia — passam a funcionar de maneira diferente das células saudáveis. Elas começam a produzir diferentes substâncias químicas e podem até parar de produzir outras."

O laboratório de Antoniosi Filho descobriu que a cera do ouvido concentra essa grande diversidade de substâncias mais do que outros fluidos biológicos, como sangue, urina, suor e lágrimas.

"Isso faz muito sentido porque não há muita renovação na cera do ouvido", diz Antoniosi.

"Ela se acumula e, por isso, há uma razão para se pensar que é um bom lugar para identificar as mudanças do metabolismo a longo prazo."


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgpege1ze9o.adaptado.
É alaranjada, é grudenta, e provavelmente é a última coisa sobre a qual você gostaria de falar em uma conversa.
Assinale a alternativa que contenha apenas adjetivos.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: No trecho "É alaranjada, é grudenta, e provavelmente é a última coisa sobre a qual você gostaria de falar em uma conversa.", a questão pede a identificação de palavras que funcionem como adjetivos no contexto. Pela base de decisão, "grudenta" e "última" qualificam o referente nominal; "provavelmente" é advérbio, e "coisa" e "conversa" são substantivos. Por isso, a alternativa correta é a C.

Tema central: classes gramaticais
Análise das alternativas
A
Errada
"última" é adjetivo, mas "conversa", em "em uma conversa", nomeia um ato/situação; portanto, é substantivo. Como o comando exige apenas adjetivos, a presença de um substantivo invalida a alternativa.
B
Errada
"alaranjada" é adjetivo, mas "provavelmente" não qualifica substantivo; ele exprime modalização da oração e funciona como advérbio. Basta essa mistura de classes para excluir a alternativa.
C
Certa
"grudenta" atribui característica ao referente retomado no trecho, a cera do ouvido, e por isso é adjetivo. "última", em "a última coisa", caracteriza/delimita o substantivo "coisa" e, na classificação escolar exigida pela questão, também tem valor adjetivo. Assim, a alternativa C é a única formada apenas por palavras de valor adjetivo no contexto dado.
D
Errada
"coisa" é substantivo, porque nomeia um elemento do enunciado, e "provavelmente" é advérbio, porque modifica a oração. Nenhuma das duas palavras é adjetivo, o que elimina a alternativa de forma direta.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: tomar "provavelmente" como adjetivo só porque aparece perto de "é" e hesitar quanto a "última", que no contexto de "a última coisa" deve ser lida, para a classificação cobrada, como palavra de valor adjetivo.
Dica para questões semelhantes
  • Classifique a palavra no trecho, não isoladamente: a função contextual é o que decide a classe.
  • Se a palavra termina em -mente e exprime circunstância ou modalização da oração, o critério da base aponta para advérbio, não adjetivo.
  • No comando "apenas adjetivos", uma única palavra de outra classe já elimina a alternativa.
  • Diferencie sempre quem qualifica de quem nomeia: adjetivo caracteriza; substantivo nomeia.

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