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Q3081815 Direito Constitucional
Analise as afirmativas a seguir e assinale aquela que se mostra correta frente à sistemática constitucional vigente e o posicionamento do Supremo Tribunal Federal.
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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A Constituição Federal, art. 14, § 7º, dispõe: “§ 7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.” Interpretado restritivamente pelo STF na ADPF 1.089/DF, o dispositivo não cria impedimento à eleição interna para presidir Casa Legislativa; por isso, a situação descrita sustenta o gabarito C.

Tema central: Inelegibilidade por parentesco e presidência de Casa Legislativa
Análise das alternativas
A
Errada
A proibição municipal no âmbito escolar invade a competência privativa da União. A Constituição Federal, art. 22, caput e inciso XXIV, estabelece: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;”. Na ADPF 1.165/MG, o STF considerou inconstitucional a proibição municipal de linguagem neutra no currículo e nos materiais didáticos de escolas públicas ou privadas. Esse segmento basta para invalidar a alternativa; o precedente indicado não permite concluir sobre todos os demais ambientes enumerados.
B
Errada
No RE 833.291/SP, Tema 1051, o STF considerou inconstitucional a obrigação municipal de instalar estrutura médica de emergência em shopping centers. A imposição invade a competência privativa federal sobre direito comercial e trabalhista, prevista no art. 22, I, da Constituição, e restringe desproporcionalmente a livre iniciativa, protegida pelo art. 1º, IV. A finalidade de proteção à saúde não elimina esses vícios.
C
Certa
Na ADPF 1.089/DF, o STF afastou a extensão do art. 14, § 7º, à escolha de parlamentar para presidir a Casa Legislativa. Assim, o parentesco com o chefe do Executivo não impede o exercício da presidência da Casa Legislativa do mesmo ente federativo. Esse entendimento não afasta os requisitos constitucionais de elegibilidade para a obtenção do mandato parlamentar.
D
Errada
O erro está em exigir posterior julgamento ou aprovação pelo Legislativo. Conforme o STF no ARE 1.436.197/RO, Tema 1287, o Tribunal de Contas pode condenar administrativamente o chefe do Executivo em tomada de contas especial quando constatada sua responsabilidade pessoal por irregularidades em convênios interfederativos de repasse de recursos, independentemente de confirmação parlamentar. Essa responsabilização não se confunde com o julgamento político das contas anuais.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre inelegibilidade para obter mandato eletivo e impedimento à eleição interna para presidir a Casa Legislativa. Em D, a expressão “não dispensando” também inverte o entendimento do STF: a condenação na tomada de contas especial descrita dispensa confirmação legislativa.
Dica para questões semelhantes
  • Distinga a eleição para obter mandato parlamentar da eleição interna para presidir a Casa Legislativa: a ADPF 1.089/DF afasta a extensão da inelegibilidade à segunda, sem eliminar os requisitos da primeira.
  • Em restrições aos direitos políticos, confira se a hipótese está abrangida pela norma constitucional; não amplie a inelegibilidade por parentesco para criar impedimento não previsto.
  • A finalidade de proteção à saúde não basta para validar obrigação municipal: verifique a competência legislativa envolvida e a proporcionalidade da restrição à livre iniciativa.
  • Nas questões sobre Tribunais de Contas, diferencie contas anuais de tomada de contas especial por responsabilidade pessoal em convênios: nesta última hipótese, o Tema 1287 dispensa confirmação parlamentar.

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Gabarito: STF. Plenário. ADPF 1.089/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 05/06/2024 (Info 1140).

Obs.: Letra A está errada conforme  (MT) e  (SC).

INFO 1140/STF:

A inelegibilidade por parentesco (CF/1988, art. 14, § 7º) não impede que cônjuges,

companheiros ou parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até o segundo

grau, ocupem, concomitantemente e na mesma unidade da Federação, os cargos

de chefe do Poder Executivo e de presidente da Casa Legislativa.

O dispositivo constitucional mencionado (1), ao veicular regra de inelegibilidade reflexa,

limita o exercício dos direitos políticos fundamentais, razão pela qual deve ser inter-

pretado restritivamente.

Compete ao Poder Legislativo definir novas hipóteses de inelegibilidade (2), de modo

que é defeso ao Poder Judiciário atuar como legislador positivo e editar norma geral

e abstrata referente ao processo eleitoral, sob pena de ofensa ao princípio da sepa-

ração dos Poderes (3).

Nesse contexto, a ocupação simultânea das chefias do Poder Executivo e do Poder

Legislativo nos âmbitos municipal, estadual e federal, por pessoas com alguma rela-

ção familiar, não representa, por si só, prejuízo à fiscalização dos atos do Executivo

pelo Legislativo ou comprometimento do equilíbrio entre os Poderes, notadamente por-

que essa responsabilidade fiscalizatória cabe a todos os parlamentares da respectiva

Casa Legislativa.

Por outro lado, o Poder Judiciário pode examinar, quando provocado, casos concretos

em que se demonstre que o exercício simultâneo das chefias do Poderes Legislativo e

Executivo compromete os princípios republicano e da separação de Poderes.

Com base nesses e outros entendimentos, o Plenário, por maioria, converteu o exame

da medida cautelar em análise definitiva de mérito e julgou improcedente a ação.

(1) CF/1988: Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto,

com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: (...) § 7º São inelegíveis, no território de jurisdição

do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente

da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja

substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à

reeleição.

(2) CF/1988: Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com

valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: (...) § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos

de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade

para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das

eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na

administração direta ou indireta.”

(3) Precedentes citados: ADI 267 MC e ADI 1.063 MC.

a) É inconstitucional — por violar a competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIV, CF/88) — lei estadual que veda a adoção da “linguagem neutra” na grade curricular e no material didático de instituições de ensino públicas e privadas, assim como em editais de concursos públicos locais .STF. Plenário. ADI 7019/RO, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 10/02/2023 (Info 1082).

B) É formal e materialmente inconstitucional lei municipal que impõe a instalação de ambulatório médico ou serviço de pronto-socorro, para prestação de atendimento de emergência, bem como a contratação de profissional médico, nos shopping centers existentes na área do município. Essa previsão é formalmente inconstitucional porque viola a competência privativa da União para legislar sobre direito do trabalho e direito comercial (art. 22, I, CF/88). Além disso, a lei é materialmente inconstitucional porque afronta os princípios da livre iniciativa (arts. 1º, IV, e 170, caput, CF/88), da razoabilidade e da proporcionalidade. STF. Plenário. RE 833291/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/12/2023 (Repercussão Geral – Tema 1051) (Info 1119).

C) A inelegibilidade por parentesco (art. 14, § 7º, CF/88) não impede que cônjuges, companheiros ou parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até o segundo grau, ocupem concomitantemente e na mesma unidade da Federação, os cargos de chefe do Poder Executivo e de presidente da Casa Legislativa.STF. Plenário. ADPF 1.089/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 05/06/2024 (Info 1140).

D) TCE pode impor condenação administrativa a Governadores e Prefeitos quando identificada sua responsabilidade pessoal em irregularidades no cumprimento de convênios entre estados e municípios, sem necessidade de aprovação do Legislativo STF. Plenário. ARE 1.436.197/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/12/2023 (Repercussão Geral – Tema 1287) (Info 1121)

Um adendo: No caso julgado que culminou nesse entendimento pelo STF, os parentes já ocupavam os cargos políticos, ou seja, não incidiram na hipótese de inelegibilidade reflexa (art. 14, §7º, CF). Assim, no julgamento da ADPF 1.089/DF o STF entendeu que impedir que esses políticos exercessem simultaneamente as chefias do Legislativo e do Executivo criaria um impedimento não previsto em lei.

Além disso, a Suprema Corte entendeu que a ocupação simultânea das chefias, por pessoas com alguma relação familiar, não representa, por si só, prejuízo à fiscalização dos atos do Executivo pelo Legislativo ou comprometimento do equilíbrio entre os Poderes, notadamente porque essa responsabilidade fiscalizatória cabe a todos os parlamentares da respectiva Casa Legislativa. (INFORMATIVO 1140 STF)

GABARITO - C

A inelegibilidade por parentesco (art. 14, § 7º, CF/88) não impede que cônjuges, companheiros ou parentes em linha reta, colateral ou por afinidade, até o segundo grau, ocupem, concomitantemente e na mesma unidade da Federação, os cargos de chefe do Poder Executivo e de presidente da Casa Legislativa.

Esse dispositivo constitucional, por veicular regra de inelegibilidade reflexa, limita o exercício dos direitos políticos fundamentais, razão pela qual deve ser interpretado restritivamente.

Compete ao Poder Legislativo definir novas hipóteses de inelegibilidade, de modo que o Poder Judiciário não pode atuar como legislador positivo e editar norma geral e abstrata referente ao processo eleitoral, sob pena de ofensa ao princípio da separação dos Poderes.

A ocupação simultânea das chefias do Poder Executivo e do Poder Legislativo nos âmbitos municipal, estadual e federal, por pessoas com alguma relação familiar, não representa, por si só, prejuízo à fiscalização dos atos do Executivo pelo Legislativo ou comprometimento do equilíbrio entre os Poderes, notadamente porque essa responsabilidade fiscalizatória cabe a todos os parlamentares da respectiva Casa Legislativa.

STF. Plenário. ADPF 1.089/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 05/06/2024 (Info 1140).

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