Uma cidade estava enfrentando um surto de intoxicação ...
Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta as medidas adequadas para a vigilância e para o controle desse tipo de surto de intoxicação alimentar.
Gabarito comentado
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Tema central: Vigilância e controle de surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA). Em epidemiologia de surtos, a prioridade é interromper a exposição, investigar a fonte e prevenir recorrências com base em boas práticas de manipulação e cadeia fria. Diretrizes: OMS (Five Keys to Safer Food) e Anvisa (Boas Práticas de Manipulação; padrões microbiológicos – RDC 331/2019; RDC 216/2004 e atualizações).
Alternativa correta: B – Realizar inspeções periódicas e orientar os feirantes sobre boas práticas. Isso atua diretamente no fator causal (contaminação do alimento) e na cadeia de transmissão: higiene das mãos e utensílios, separação cru/cozido, cocção adequada, hot holding (>60ºC), refrigeração (<5ºC), água potável, controle de pragas e rastreabilidade. É o padrão recomendado por OMS e Anvisa para controle de DTA em serviços e comércio de alimentos. Além disso, sustenta a vigilância contínua: inspeção, checklists, coleta de amostras e educação permanente reduzem risco de novos episódios.
Como raciocinar na prova: em surtos, privilegie ações que quebram a cadeia de transmissão e fortalecem a vigilância no ponto de risco (fonte/ambiente), não apenas medidas clínicas ou administrativas genéricas.
Análise das alternativas incorretas:
- A) Suspender as feiras: pode ser necessário apenas se houver risco iminente e não conformidades graves persistentes. Como medida geral, é desproporcional e não substitui investigação e educação sanitária. Diretrizes priorizam medidas corretivas direcionadas e suspensão pontual de bancas/fonte identificada.
- C) Oferecer medicamentos aos afetados: é assistência clínica (hidratação é o principal, antibiótico raramente), mas não controla o surto nem previne novos casos. Controle exige atuação sobre o alimento/ambiente e capacitação dos manipuladores.
- D) Levantamento de anos anteriores: útil para vigilância histórica e sazonalidade, mas não resolve o surto atual nem interrompe a exposição. Deve complementar, não substituir, inspeção e boas práticas.
- E) Encaminhar feirantes para consultas: sem sintomas, não é medida de controle. O foco é capacitação técnica, inspeção, adequação de infraestrutura e, se necessário, licença sanitária condicionada a conformidades.
Passos práticos recomendados (resumo): - Definir caso e notificar (SINAN) e iniciar busca ativa; - Descrever por tempo, lugar e pessoa; hipóteses conforme incubação e alimento suspeito (UpToDate/OMS); - Inspeção sanitária nas feiras, coleta de amostras de alimentos/água/superfícies; - Implementar boas práticas, educação dos feirantes e correções imediatas; - Comunicação de risco à população e monitoramento de novos casos.
Referências úteis: OMS – Five Keys to Safer Food; Ministério da Saúde – Vigilância de DTA; Anvisa – Boas Práticas e padrões microbiológicos; UpToDate – Foodborne disease outbreaks.
Gabarito: B
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