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Q1242805 Português
Desafios no caminho de uma escola para todos

    Escolhi o termo desafio como parte do título porque seu significado etimológico indica bem o que quero comentar. Ele vem do latim disfidare ou renunciar à própria fé (dis = afastamento e fides = fé). Na prática, significa aceitar concorrer novamente, mesmo imaginando-se vencedor. Isso acontece, por exemplo, quando se promulgam leis, aceitando-se os obstáculos de sua aplicação. Penso ser esse o caso ao assumirmos que a escola é para todos, quando historicamente ela se destinava à elite de alunos que aprendia e se comportava conforme suas exigências, isto é, quando era para poucos. As políticas públicas, mesmo se pretensamente resolveram o acesso à Educação, não sanaram duas questões primordiais: a aprendizagem e a convivência. Faço uma reflexão sobre alguns desafios para que a escola de hoje cumpra esses propósitos.
    Um dos maiores parece ser o de adaptar o currículo do Ensino Fundamental para período integral. Essa mudança supõe rever a quantidade de conteúdos a aprender, criar contraturnos, usar tutorias, diminuir a relação entre o número de alunos e o professor, investir nas séries iniciais, melhorar as condições de trabalho docente. Essas são apenas algumas estratégias entre tantas experimentadas no enfrentamento de um grande problema: a defasagem idade-série.
    Ao abrir-se para os “mais fracos”, quando antes era privilégio dos “mais fortes”, a escola deve compartilhar com a família a complexidade da Educação das crianças e dos jovens. Compartilhar significa cooperar fazendo a parte que lhe cabe, sabendo que as outras partes sempre serão da família e de outros agentes sociais ou culturais.
    Em uma sociedade orientada por descobertas científicas, reconhecer a importância da tecnologia se torna uma necessidade básica. Mas para não virar refém, as questões o quê, quanto, quando, como e por quê?, relacionadas ao uso de tablet, celular ou computador na sala de aula, são essenciais. Sem negar aos estudantes o uso de seu produto mais complexo e querido, não se pode esquecer que eles precisam do contato direto com a experiência por meio de um professor, suas transmissões, as tarefas propostas por ele e seus modos de ser e de agir.
    Observo que os jovens precisam também ser preparados para uma sociedade global, mas, igualmente, para uma vida cada vez mais individual, isto é, gerida por escolhas, valores e responsabilidades assumidas por cada um, ainda que seus efeitos possam alcançar a todos e ao planeta. Penso que a escola ainda não aprendeu a ensinar seus alunos a serem-si-mesmos!
    Que ela revise seus hábitos – deixe de ser lugar de homogeneidade e competição, transformando-se em uma escola da diversidade e da cooperação. Que reconheça que as diferenças permitem a abertura para uma pluralidade de valores, costumes, formas de aprendizagem e desenvolvimento. Antes, Educação correspondia ao que o educador transmitia aos educandos (educação = educador). Hoje, trata-se de aprender, o que se aplica tanto a alunos quanto a professores.
    É difícil mudar o olhar, comprometendo-se a trabalhar o melhor de cada aluno, professor e gestor dentro de suas possibilidades e necessidades. Para isso, temos de assumir que todos estão na escola – só falta aprenderem; e todos estão juntos – só falta saberem conviver.
(Lino de Macedo. Revista Nova Escola. Fevereiro de 2016. 
Com adaptações.)
Considerando que os pronomes são palavras que substituem ou determinam os substantivos, assinale a associação INDEVIDA.
Alternativas

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Tema central da questão: Morfologia - Pronomes

A questão avalia o conhecimento sobre classificação de pronomes na norma-padrão, competência essencial para interpretar textos e redigir de acordo com a língua culta — habilidades necessárias para o cargo de Técnico de Enfermagem em instituições públicas.

Alternativa correta (indevida): C

O pronome “essa” na frase “Essa mudança supõe rever a quantidade de conteúdos a aprender (...)" foi INCORRETAMENTE classificado como pronome possessivo. Segundo a Gramática Normativa da Língua Portuguesa (Rocha Lima, Bechara), essa é pronome demonstrativo, pois indica algo próximo, normalmente à pessoa com quem se fala ou mencionado no discurso. Pronomes possessivos indicam posse (meu, seu, nossa), enquanto demonstrativos marcam localização ou referência (este, esse, aquele).

Análise das demais alternativas:

A) “ela” – Pronome pessoal reto: Correto. Ela exerce função de sujeito na oração, como ensinam Bechara e Cunha & Cintra: pronomes pessoais do caso reto (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) representam as pessoas do discurso como sujeitos.

B) “todos” – Pronome indefinido: Correto. Todos refere-se de forma genérica e indeterminada a pessoas, sem especificação. Pronomes indefinidos têm essa função (todo, algum, nenhum, outro).

D) “lhe” – Pronome pessoal oblíquo: Correto. Lhe é um pronome oblíquo átono de 3ª pessoa, exercendo função de objeto indireto (função de complemento), como em “faço algo a ele/ela” – aqui, “lhe cabe” = “cabe a ele/ela”.

Dicas importantes para concursos:

Fique atento ao contexto da frase e à função sintática do pronome! Questões costumam explorar confusão entre demonstrativo, possessivo e pessoal oblíquo. Cuidado com expressões parecidas e revise: demonstrativos (este/esse/aquele), possessivos (meu/seu/nosso) e oblíquos (me, te, se, lhe, nos, vos).

Referências: Bechara, Evanildo; Rocha Lima; Celso Cunha & Lindley Cintra.

Gabarito: C

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Comentários

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ESSA: pronome demonstrativo da 2ª pessoa.

[GABARITO: LETRA C]

A associação INDEVIDA é a alternativa:

C) “Essa" mudança supõe rever a quantidade de conteúdos a aprender (...)” (2º§) – pronome possessivo.

O pronome "essa" não é um pronome possessivo, mas sim um pronome demonstrativo. Um pronome possessivo indicaria posse, como "sua", "minha", "nossa", etc.

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