Sobre o emprego da crase no trecho retirado do texto “Devir...

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Q2467145 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Devir Espantalho
Produzindo um espantalho

            Fazer o outro dizer o que ele não disse, criar um personagem em cima de uma pessoa real e agir como se esse ente imaginário estivesse presente – é disso que se trata na falácia do espantalho, uma das mais famosas na arte de vencer debates sem precisar ter razão.
           Baseada na criação de um duplo, é esse personagem ficcional que deve ser atacado no lugar da pessoa real. É essa pessoa, cujo corpo e cuja presença são como que jogados fora, que é transformada em um boneco num jogo de argumentos. O ônus por ter sido transformada em espantalho é totalmente dela. O arguidor torna-se um embusteiro no momento em que refuta a posição do duplo, ou seja, atacando uma posição que não é defendida pela pessoa real. A falácia não é simplesmente o argumento, mas toda a situação do argumento, como vemos acontecer hoje com as fake News, verdadeira era da desinformação planificada.
         O truque da falácia do “homem de palha” está em se bater num suposto argumento fraco, deixando de lado a complexidade do argumento realmente dito que, em geral, não seria fácil de refutar.
           Assim como se coloca palha dentro de uma roupa para simular a presença de um ser humano, a falácia do espantalho surge quando palavras são colocadas na boca de alguém. Esse alguém continua ali, mas uma presença espectral vem à tona. O devir espantalho deixa a distância processos de subjetivação, esvaziando pensamento, sensibilidade e capacidade de agir. Num mundo sem ética, em que a subjetividade não é respeitada nem em seus dizeres, a espantalhificação é o destino.

Revista Cult, ano 26, ed. 297, set. 2023, p.41. Adaptado.
Sobre o emprego da crase no trecho retirado do texto “Devir Espantalho”, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

“O devir espantalho deixa a distância processos de subjetivação, esvaziando pensamento, sensibilidade e capacidade de agir.”

I – É facultativo o emprego do acento grave em “a distância”
PORQUE,
II – nessa expressão, há palavras femininas que estão subentendidas, indicando “à distância de”.

Sobre as asserções, é correto afirmar que 
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Uso da crase na expressão “a distância” em conformidade com a norma-padrão.

Comentário:

A questão avalia seu domínio sobre o emprego da crase em locuções adverbiais formadas por substantivo feminino, especialmente no caso de “a distância”, trecho extraído do texto. É preciso reconhecer em que situações esse uso é facultativo e quando é obrigatório, conforme as principais gramáticas e manuais de redação.

Análise das asserções:

I – “É facultativo o emprego do acento grave em ‘a distância’.”

Pela norma-padrão, o uso da crase em “a distância” (indicando modo, sem especificação) é facultativo (Celso Cunha e Lindley Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo). Exemplos: “ensino a distância” ou “ensino à distância”. Ambas estão corretas, desde que não haja termo especificativo.

Contudo, no contexto da frase (“deixa a distância processos de subjetivação”), não há emprego de crase. Trata-se do substantivo “distância” como objeto direto do verbo “deixar”, que não exige preposição. Assim, a asserção é falsa, pois o acento grave simplesmente não cabe nesse contexto.

II – “Nessa expressão, há palavras femininas que estão subentendidas, indicando ‘à distância de’.”

Aqui, a asserção supõe palavras subentendidas que justificariam a crase no trecho citado. Isso não ocorre na frase do texto; o que existe (em outros contextos) é a locução prepositiva “à distância de” (Ex.: “à distância de 5 metros”), mas não há nenhuma palavra feminina subentendida em “a distância”. O uso da crase pressupõe fusão entre preposição e artigo, não elipse de termos. Portanto, esta asserção também é falsa.

Gabarito: A) as duas são falsas.

Estratégia e dica: Leia o contexto da frase antes de aplicar uma regra decorada. Muitas vezes, a função sintática do termo no período impede a aplicação da crase, ainda que a expressão isolada comporte dúvida (atenção à regência verbal!). Segundo Bechara e os manuais oficiais, a compreensão da estrutura da frase é o que garante a escolha correta.

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Comentários

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Eae vamos esclarecer:

1. A primeira afirmação diz que o acento grave em "a distância" é facultativo. No entanto, isso não está correto. Na língua portuguesa, o acento grave (`) é utilizado para indicar crase, que ocorre quando há a fusão da preposição "a" com o artigo definido feminino "a". Neste caso, "a distância" não é uma combinação de "a" preposição com "a" artigo definido feminino, então não ocorre crase.

2. A segunda afirmação sugere que na expressão "a distância", há palavras femininas subentendidas, indicando "à distância de". Porém, essa interpretação não é correta. "Distância" é uma palavra feminina, mas não há necessidade de subentender outras palavras femininas na expressão para explicar seu significado.

Portanto, ambas as afirmações estão equivocadas.

Resumindo:  a crase só ocorrerá em "à distância" quando houver uma especificação ou complemento

  • "Ele observava tudo a distância". ("a distância" está sendo usado de forma genérica, sem crase.)
  • "Ele observava tudo à distância de 100 metros". ("à distância" tem crase porque há uma especificação — "de 100 metros" — que exige a fusão da preposição "a" com o artigo "a".)

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