“O aposto é o termo de caráter nominal que se junta a um su...

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Q2467144 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.

Devir Espantalho
Produzindo um espantalho

            Fazer o outro dizer o que ele não disse, criar um personagem em cima de uma pessoa real e agir como se esse ente imaginário estivesse presente – é disso que se trata na falácia do espantalho, uma das mais famosas na arte de vencer debates sem precisar ter razão.
           Baseada na criação de um duplo, é esse personagem ficcional que deve ser atacado no lugar da pessoa real. É essa pessoa, cujo corpo e cuja presença são como que jogados fora, que é transformada em um boneco num jogo de argumentos. O ônus por ter sido transformada em espantalho é totalmente dela. O arguidor torna-se um embusteiro no momento em que refuta a posição do duplo, ou seja, atacando uma posição que não é defendida pela pessoa real. A falácia não é simplesmente o argumento, mas toda a situação do argumento, como vemos acontecer hoje com as fake News, verdadeira era da desinformação planificada.
         O truque da falácia do “homem de palha” está em se bater num suposto argumento fraco, deixando de lado a complexidade do argumento realmente dito que, em geral, não seria fácil de refutar.
           Assim como se coloca palha dentro de uma roupa para simular a presença de um ser humano, a falácia do espantalho surge quando palavras são colocadas na boca de alguém. Esse alguém continua ali, mas uma presença espectral vem à tona. O devir espantalho deixa a distância processos de subjetivação, esvaziando pensamento, sensibilidade e capacidade de agir. Num mundo sem ética, em que a subjetividade não é respeitada nem em seus dizeres, a espantalhificação é o destino.

Revista Cult, ano 26, ed. 297, set. 2023, p.41. Adaptado.
“O aposto é o termo de caráter nominal que se junta a um substantivo, a um pronome, ou a um equivalente destes, a título de explicação ou de apreciação. (...) Entre o aposto e o termo a que ele se refere há em geral pausa, marcada na escrita por uma vírgula”. (CUNHA & CINTRA, 2013, p.169-170)

Considerando-se esse conceito, NÃO há aposto no fragmento destacado em
Alternativas

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Tema central: Esta questão aborda sintaxe de termos acessórios, com foco específico no aposto. O aposto, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa e grandes gramáticas (Cunha & Cintra, Bechara), é um termo de caráter nominal (geralmente um substantivo ou expressão equivalente) que se liga a outro termo para explicar, esclarecer, especificar, enumerar ou resumir o seu sentido, normalmente separado por vírgulas, travessões ou dois-pontos.

Justificativa da alternativa correta (A):

“Esse alguém continua ali, mas uma presença espectral vem à tona.”

Nesse período, há apenas duas orações coordenadas unidas pela conjunção “mas” (sintaxe da coordenação). Não existe termo explicativo, especificativo ou resumitivo unindo-se a um substantivo ou equivalente. Portanto, NÃO há aposto.

Análise das alternativas incorretas:

B) “... é disso que se trata na falácia do espantalho, uma das mais famosas na arte de vencer debates sem precisar ter razão.”
Explicação: A expressão "uma das mais famosas na arte de vencer debates sem precisar ter razão" é um aposto explicativo, pois esclarece “falácia do espantalho”.

C) “É essa pessoa, cujo corpo e cuja presença são como que jogados fora, que é transformada em um boneco num jogo de argumentos.”
Nesta frase, "cujo corpo e cuja presença são como que jogados fora" é uma oração adjetiva, e não um aposto. Porém, na análise, a alternativa correta continua sendo a (A) por não haver aposto.

D) “... como vemos acontecer com as fake News, verdadeira era da desinformação planificada.”
Aqui, “verdadeira era da desinformação planificada” é um aposto que explica “fake News”.

Estratégia para provas:

Sempre procure um termo nominal seguido de expressão explicativa separada por vírgula. Cuidado com orações adjetivas, que também explicam, mas são frases, não termos nominais isolados.

Referências essenciais: CUNHA & CINTRA, BECHARA, ROCHA LIMA. O conceito de aposto e a diferença entre aposto e adjunto/adjetivo são centrais para análise sintática em concursos.

Gabarito: A

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Comentários

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Gab: A

As orações coordenadas sindéticas adversativas são aquelas que transmitem uma ideia de oposição ou de contraste.

Os conectivos que coordenam as orações adversativas são: e, mas, contudo, todavia, entretanto, porém, no entanto, ainda, assim, senão, etc.

As orações coordenadas são orações independentes, ou seja, não há relação sintática entre elas.

Elas são classificadas em dois tipos: orações coordenadas sindéticas e orações coordenadas assindéticas.

Pensei que fosse a letra C por estar representando um adjunto e não um aposto.

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