Uma criança de 8 anos apresenta febre, odinofagia, exsudato...
Gabarito comentado
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Tema central: Faringoamigdalite por Streptococcus do grupo A (SGA) em criança, com foco nas complicações não supurativas e na profilaxia de contatos. O quadro clínico (febre, odinofagia, exsudato, petéquias em palato) + teste rápido positivo confirmam SGA.
Alternativa correta: D – Febre reumática; penicilina benzatina.
Justificativa: A febre reumática (FR) é a complicação não supurativa mais temida da faringite estreptocócica por risco de cardite e doença valvar crônica. Mecanismo: reação autoimune por molecular mimicry contra proteínas do SGA (M) e tecidos do hospedeiro, 2–3 semanas após a infecção. A profilaxia de contatos domiciliares em cenários de alta transmissão/risco pode ser feita com penicilina benzatina IM dose única (prevenção primária), reduzindo portadores e novos casos (SBP; AHA; UpToDate/IDSA). Doses usuais: 600.000 UI (<27 kg) ou 1.200.000 UI (≥27 kg).
Estratégia de prova: Diante de “exsudato + petéquias em palato + teste rápido positivo”, pense SGA. Se perguntarem “complicação não supurativa mais temida”, lembre FR (não a mais comum). Se citarem “familiares próximos”, associe penicilina benzatina como quimioprofilaxia em contatos selecionados.
Análise das alternativas incorretas
A – Glomerulonefrite aguda; penicilina benzatina. A GN pós-estreptocócica é complicação não supurativa, porém não é a mais temida em termos de sequela crônica cardíaca. Além disso, tratar/contactos com penicilina não previne GNPE de forma confiável (pode ocorrer mesmo após tratamento adequado).
B – Escarlatina; penicilina V oral. Escarlatina é manifestação toxigênica da própria faringite, não “complicação”. Penicilina V é tratamento do caso índice, não profilaxia de rotina para familiares.
C – Síndrome do choque tóxico estreptocócico; clindamicina. Complicação invasiva e supurativa, não se encaixa como não supurativa mais temida da faringite. Clindamicina tem papel no tratamento de doença invasiva, não em profilaxia de contatos.
E – Fasciíte necrosante; antibioticoterapia de amplo espectro. Também é invasiva/supurativa, não a complicação não supurativa clássica. “Amplo espectro” é manejo terapêutico, não profilaxia familiar.
Referências essenciais: Diretrizes IDSA para faringite estreptocócica; AHA sobre febre reumática; Sociedade Brasileira de Pediatria – manejo da faringoamigdalite e prevenção de FR; UpToDate (Streptococcal pharyngitis; Prevention of rheumatic fever).
Pegadinha: “Mais temida” ≠ “mais frequente”. A mais temida é a febre reumática pela cardiopatia crônica.
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