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Q3125454 Medicina
Caso hipotético para a questão.


     Mulher, 24 anos de idade, sem antecedentes conhecidos, deu entrada no serviço de emergência com dispneia súbita, dessaturação e taquicardia, além disso se queixava de perda de visão do lado esquerdo de ambos os olhos. Ela foi colocada na maca da emergência e monitorizada. Sinais vitais: temperatura 37,3 °C, Fc 137 bpm, sat. 92%, Fr 35 irpm, em uso de máscara não reinalante a 12 litros por minuto. Glicemia capilar: 145. Pressão arterial 97 x 85 mmHg.
Ainda com base na situação hipotética apresentada, posteriormente, a paciente foi estabilizada, sendo realizada angiotomografia de crânio, que evidenciou área isquêmica em região occipital e sem lesões vasculares encontradas tanto em sistema nervoso central como em carótidas e angiotomografia, com protocolo tep positiva para embolia pulmonar em ramos segmentares bilateralmente e ecocardiograma transtorácico sem alterações.

Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, a respeito da causa do AVC.
Alternativas

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Comentário da Questão – Residência Médica

Tema central: A paciente jovem apresenta tromboembolismo venoso (embolia pulmonar) associado a acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi). Este quadro sugere uma condição rara, porém clássica, conhecida como embolia paradoxal, onde um êmbolo passa do circuito venoso para o arterial, tipicamente através de um forame oval patente (FOP).

Diante disso, é essencial investigar a presença de FOP como possível etiologia para o AVC do tipo embólico na jovem, principalmente quando não há fatores de risco ateroscleróticos, história de fibrilação atrial ou cardiopatia estrutural relevante demonstrada pelo ecocardiograma transtorácico.

Justificativa da alternativa correta (E): O ecocardiograma transtorácico pode apresentar exames normais mesmo na presença de FOP, pois sua sensibilidade é limitada. Já o ecocardiograma com teste de microbolhas, idealmente transesofágico, é o exame de escolha para detectar shunt cardíaco direita-esquerda, pois visualiza de forma direta a passagem de microbolhas do átrio direito para o esquerdo.
Segundo diretrizes clínicas, “o ecocardiograma transesofágico com microbolhas é considerado padrão-ouro no diagnóstico de FOP” (Manual de Neurovascular da Academia Brasileira de Neurologia).

Análise das alternativas incorretas:

  • A) O caso não apresenta fibrilação atrial ou alteração cardíaca estrutural evidente para justificar AVC cardioembólico. ECG e ECO normais na descrição.
  • B) Ausência de fatores de risco e exames sem placas/carótidas normais tornam improvável origem ateroembólica.
  • C) Considerar o caso como criptogênico sem investigação adicional é inadequado, visto o contexto de eventos embólicos múltiplos.
  • D) Ecocardiograma transtorácico normal não exclui FOP, e o foco primário deve ser investigação embólica, não apenas neuroinfecção ou vasculite.

Estratégia para provas: Quando a questão envolve paciente jovem com AVC embólico sem fatores clássicos e tromboembolismo pulmonar concomitante, pense em embolia paradoxal e FOP. Atenção ao método diagnóstico correto.

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