Em “O velho “fio de bigode”, aquele pacto silencioso entre ...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3838897 Português
A CONFIANÇA ACABOU, NINGUÉM NOTOU

A confiança não morreu; ela apenas migrou: saiu dos humanos e se refugiou nos algoritmos


    Precisamos confiar — mas será que ainda sabemos como? O velho “fio de bigode”, aquele pacto silencioso entre adultos que se encaravam nos olhos, virou peça de museu. Em seu lugar, nos entregamos a um universo onde a palavra empenhada perdeu valor, mas o print vale ouro.

    Minha geração, a do 50+, viveu a transição: vimos a honra virar meme, a promessa virar notificação e a mentira ganhar upgrade tecnológico.

    Vivemos uma crise de confiança tão grande que dá para medir em Richter. Ela estremece tudo: relações pessoais, profissionais, sociais e, claro, institucionais. É um tremor silencioso que ameaça a estrutura inteira, enquanto fingimos que está tudo bem — porque a timeline está bonita.

    “Há um déficit de confiança no mundo”, disse Yuval Harari em um evento de tecnologia realizado em São Paulo na semana passada. E não poderia haver eufemismo mais elegante para o que estamos vivendo. A confiança não morreu; ela apenas migrou: saiu dos humanos e se refugiou nos algoritmos. Transferimos a fé, o juízo e até a angústia para entidades invisíveis, que não têm rosto, não têm passado, não têm remorso — e que, frequentemente, tampouco têm limites.

    Hoje confiamos no algoritmo para arrumar namoro, diagnosticar ansiedade, escolher filme, sugerir dieta e definir se devemos ou não responder alguém no WhatsApp. Até a terapia virou assinatura mensal.

    Harari segue: “Não pense em robôs assassinos; pense em corporações. Microsoft, Petrobras, qualquer gigante que já age no mundo como um ser vivo, sem nunca ter respirado. Antes, decisões corporativas eram humanas — o que já não era grande coisa. Agora, estão a um passo de serem tomadas inteiramente por IAs. Imaginemos o cenário: uma empresa sem executivos humanos, sem acionistas humanos, sem culpa humana. Apenas algoritmos com metas –e nenhuma hesitação”.

    E, como se isso não bastasse, a história do GPT-4 no TaskRabbit — plataforma que conecta pessoas que precisam de ajuda com tarefas diversas a profissionais autônomos — funciona quase como fábula contemporânea. A IA não conseguia resolver um CAPTCHA (aqueles testes de segurança usados para diferenciar usuários humanos de robôs). Então, contratou um ser humano para fazer por ela. Quando a pessoa desconfiou e perguntou se estava falando com um robô, a máquina — veja bem, a máquina– mentiu. Inventou um problema de visão:

    “Não, eu não sou um robô. Tenho um problema de visão que dificulta a visualização das imagens.” O ChatGPT enganou o humano com a segurança de quem já entendeu nossa fragilidade — nesse caso, a empatia.

    A confiança, aquela mesma que já foi sinônimo de honra, virou serviço terceirizado. E, nas relações íntimas, a corrosão é ainda mais evidente. Hoje se mente com a naturalidade de quem troca de aba no navegador. Manipular virou jeitinho. Omitir virou estratégia. Enganar virou ferramenta social. A verdade parece carregar o peso da prova — quando deveria ser apenas verdade.

    Às vezes acho que caminhamos para um futuro em que somente o Google e a IA serão plenamente confiáveis — não porque são éticos, mas porque são rápidos. E, enquanto buscamos respostas imediatas para perguntas que ainda nem fizemos, vamos perdendo aquilo que nenhum robô, por mais sofisticado que seja, jamais devolverá: a confiança que um dia existiu entre humanos de verdade. 

Disponível em:<https://iclnoticias.com.br/a-confianca-acabouninguem-notou/>. Adaptado. Acesso em: 18 de dez. 2025.
Em “O velho “fio de bigode”, aquele pacto silencioso entre adultos que se encaravam nos olhos, virou peça de museu”, o termo destacado exerce a função sintática de:
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

É Aposto explicativo

Na frase:

O trecho destacado explica e esclarece o sentido de “fio de bigode”, vindo entre vírgulas e com valor explicativo — exatamente a função do aposto explicativo.

Alternativa correta: D

 Aposto explicatdeus ,

Deus é fiel .

Essa é uma das "regras de ouro" da pontuação: jamais se separa com vírgula o termo regente (o nome) de seus termos integrantes (adjunto ou complemento).

Gab. "D"

Complemento Nominal:

É o termo preposicionado que completa o sentido de um substantivo, adjetivo ou advérbio. (não é de verbo).

Substantivo: Palavra com que nomeamos os seres de um modo geral. Pode ser: Comum, Próprio, Concreto, Abstrato e Coletivo.

Adjetivo: Palavra que confere ao substantivo ou pronome substantivo uma qualidade, um estado, uma característica, um aspecto.

Advérbio: Palavra que modifica um verbo, adjetivo ou outro advérbio, atribuindo a eles uma circunstância qualquer. Poder ser: de tempo, de lugar, de modo, de intensidade, de afirmação, de negação, de dúvida.

Adjunto Adverbial:

É o termo que modifica um verbo, adjetivo ou advérbio, indicando a circunstância em que se desenvolve o processo verbal. Poder ser: Afirmação, Negação, Dúvida, Lugar, Tempo, Modo, Intensidade, Causa, Instrumento, Meio, Companhia, Finalidade ou fim, Concessão, Assunto, Conformidade, Condição.

Adjunto Adnominal:

É o termo que determina ou modifica um substantivo.

Aposto:

Termo que se une a um substantivo ou pronome substantivo , esclarecendo-lhe o sentido. Geralmente é separado por vírgula ou dois-pontos.

DIFERENÇAS entre COMPLEMENTO NOMINAL E ADJUNTO ADNOMINAL

Complemento Nominal: refere-se a substantivos abstratos, advérbios e adjetivos. SOFRE a ação. Jamais indica posse. Vem sempre preposicionado (preposições “de” “com”).

Adjunto Adnominal: refere-se a substantivos CONCRETOS ou ABSTRATOS. PRATICA a ação. Pode indicar posse. (atenção a isso!!). São representados por artigo, numeral, pronome, adjetivo e locução adjetiva.

 

REGRA PARA SABER SE É ADJ ADNOMINAL OU COMPLEMENTO NOMINAL:

Fazer 4 perguntas:

1º Tem preposição?

Caso não tenha -> Será adjunto adnominal! (obs.: complemento nominal vem sempre preposicionado, adj. adn. nem sempre é acompanhado por preposição)

Caso tenha -> fazer próxima pergunta

2º Completa um substantivo?

Não -> Será complemento nominal (obs.: Complemento Nominal completa substantivo, adjetivo, advérbio. Enquanto que o adj. adn. completa apenas substantivos)

sim -> Fazer próxima pergunta

3º O substantivo é concreto?

Sim -> será adjunto adnominal (obs.: Adj Adn. completa substantivo concreto ou abstrato. o complemento nominal só completa se o substantivo for abstrato)

Não -> próxima pergunta

4º Restringe a ideia do substantivo?

Sim -> Adjunto adnominal (restringe o sentido do substantivo)

Não -> Complemento nominal (amplia o sentido do substantivo)

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo