A crônica acima se caracteriza como

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Q2300685 Português
O Lixo


Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom dia...
- Bom dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612.
– É.
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
[...]
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?


VERÍSSIMO, Luís Fernando. O analista de Bagé. RJ: Objetiva. 2002.
[Adaptado].
A crônica acima se caracteriza como
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de Texto e Gêneros Textuais. A questão pede que o candidato reconheça o tipo de crônica apresentada, focando em elementos característicos do gênero e no efeito de sentido predominante.

Justificativa da alternativa correta (B - Humorística):

O texto de Luís Fernando Verissimo apresenta uma situação cotidiana (vizinhos conversando sobre o lixo), comum às crônicas, mas seu diferencial é o humor. Por meio de ironia, observação perspicaz e abordagem leve (até levemente absurda) das situações, o autor transforma um tema simples em uma narrativa engraçada e divertida. Frases como “tenho visto o seu lixo...” e o diálogo final sobre onde jogar os restos deixam implícito esse tom cômico, típico da crônica humorística.

De acordo com autores como Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova Gramática do Português Contemporâneo), o humor é recurso essencial para caracterizar tal subgênero. O Manual de Redação da Presidência da República destaca que, mesmo em textos informativos, o tom deve ser adequado ao objetivo comunicativo, o que se alinha ao uso de humor na crônica para provocar reflexão ou simpatia.

Por que as outras alternativas estão incorretas?

  • A) Lírica: O texto não valoriza a subjetividade nem a expressão poética dos sentimentos, características do gênero lírico.
  • C) Jornalística: Apesar de a crônica ter origem em meios jornalísticos, ela não apresenta informações objetivas ou análise de fatos, diferentemente de textos jornalísticos formais.
  • D) Narrativa: O texto possui elementos narrativos (diálogos, enredo), mas a alternativa é genérica demais diante da especificidade do humor presente na crônica.

Dicas para interpretação em concursos:

  • Leia atentamente identificando tons de humor, crítica ou ironia.
  • Observe o estilo do autor e o propósito do texto.
  • Desconfie de opções muito amplas (“narrativa”) quando houver alternativa mais específica e adequada ao texto.
  • Avalie sempre o efeito de sentido predominante.

Conclusão: A crônica apresentada é humorística, pois emprega humor para abordar um fato trivial do cotidiano, conforme reconhecido pelas principais gramáticas e pelos manuais de análise textual.

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Comentários

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Gabarito: B

HAHAHAHAHAH que humor essa crônica, não paro de rir

eita como é engraçada

Onde está o humor ? Não vi graça

Que gabarito meus caros! minha barriga dói de tanto rir.

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