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Ano: 2026
Banca:
Fundação La Salle
Órgão:
Prefeitura de Porto Alegre - RS
Prova:
Fundação La Salle - 2026 - Prefeitura de Porto Alegre - RS - Administrador |
Q4261909
Português
Texto associado
Você costuma adiar encontros com as pessoas que importam na sua vida?
Vivemos com a soberba de quem se julga imortal. Consolados pela falsa _ _ _ _ _ _ _ de que o tempo
é um recurso elástico e infinito, desenvolvemos uma assustadora _ _ _ _ _ _ _ _ _ com a ausência.
Protegidos por agendas _ _ _ _ _ _ _ _ _ urgentes, adiamos o café com o amigo de infância, o almoço
de domingo com os pais, a visita ao idoso que nos viu crescer. Ligamos o piloto automático do "depois a gente
se vê", como se a vida aceitasse prorrogações, como se aqueles que amamos estivessem congelados no
tempo, à espera da nossa conveniência.
Foi preciso que um homem imerso na lógica hiper produtiva do Vale do Silício sofresse um choque de
lucidez para nos lembrar do óbvio. Greg McKeown, o autor que transformou o essencialismo em filosofia de
vida, deparou com uma conta matemática devastadora.
Vivendo longe dos pais, percebeu que, ao visitá-los apenas duas vezes por ano, ele os
encontraria menos de 30 vezes durante o tempo de vida que presumivelmente lhes restava. Trinta. Um número
ridiculamente pequeno, que cabe em uma folha de caderno, mas que carrega o peso de uma sentença.
O homem habituado ..... métrica dos algoritmos descobriu de forma dolorosa ..... métrica mais
analógica do mundo: ..... contagem regressiva do afeto.
Logo depois, Rafael Santandreu, um psicólogo espanhol, decidiu materializar esse sobressalto
estatístico em um experimento real. Reuniu as experiências de 40 pares de parentes ou amigos e, cruzando a
frequência de seus encontros com a expectativa de vida de cada um, calculou matematicamente quantos dias
— e, em alguns casos, quantas míseras horas — restavam de convívio real entre eles, antes que um dos dois
morresse.
A tese central que ele defendeu nesse projeto é profundamente humana: o nosso cérebro
é programado para ignorar a finitude da vida, dando-nos a falsa ilusão de que sempre haverá um amanhã para
adiar os encontros com quem realmente importa.
A revelação daqueles números da matemática fria provocou uma comoção avassaladora. Ao verem a
frieza do cálculo estampado numa tela, aquelas pessoas não choraram pelo medo da morte, mas pelo peso
insuportável do desperdício.
Perceberam, num lampejo, que a distância que as separava de quem amavam não era geográfica,
mas cronológica. E que a contabilidade da vida não perdoa os distraídos.
Essa aritmética cruel serve como um severo autopoliciamento para o tempo de convívio que estamos
jogando no lixo diariamente. Trocamos o calor da presença, o olho no olho e o privilégio do silêncio
compartilhado por interações gélidas em telas frias.
Mandamos um emoji de coração vermelho para blindar a nossa ausência e acreditamos, piamente,
que estamos presentes. Não estamos. Gerenciar o tempo não deveria ser sobre produzir mais para o mercado,
mas sobre reservar o melhor de nossa energia para quem dá sentido à nossa vida.
Então, estamos todos convocados: vamos pôr em dia nossa própria contabilidade afetiva. Descubra
quantos almoços restam, quantas conversas na varanda ainda são possíveis, quantos abraços cabem no
horizonte que nos sobra.
Se a vida é mesmo um sopro, que a gente pare de sufocar na solidão a magia dos abraços, sacudidos
ou silenciosos, dos nossos incalculáveis encontros urgentes. Porque a urgência desses encontros tem prazo
de validade. E se esse prazo expirasse no primeiro sábado do mês que vem?
Texto Adaptado.
Em “o nosso cérebro é programado”, a palavra destacada pertence à classe dos (as):