Mulher de 25 anos procura atendimento odontológico na USF co...

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Q3735796 Odontologia
Mulher de 25 anos procura atendimento odontológico na USF com quadro de dor aguda, espontânea, difusa, no hemiarco inferior esquerdo, há 3 dias. Relata agravamento da dor quando ingere alimentos gelados. Ao exame físico, observa-se cárie no dente 37. A radiografia periapical auxilia no diagnóstico de pulpopatia irreversível. O cirurgião-dentista decide realizar pulpectomia. Para tanto, ele anestesia o nervo alveolar inferior com dois tubetes de prilocaína 4% com vasoconstritor. Na abertura, próximo à polpa, a paciente relata dor. Então, é aplicado mais meio tubete intraligamentar. Contudo, na remoção do teto da câmara pulpar, a paciente volta a sentir dor, e é realizada anestesia intrapulpar com o mesmo anestésico. O CD termina o procedimento sem intercorrências, realiza o selamento provisório e prescreve paracetamol 500 mg a cada 4 horas. Após, preenche o documento de referência do paciente para o CEO/endodontia para término do tratamento radicular. Sobre o caso, assinale a alternativa correta.
Alternativas

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O caso é de pulpite irreversível sintomática no 37, com dor espontânea agravada pelo frio e cárie, e isso torna adequada a pulpectomia de urgência para controle da dor. A anestesia complementar intraligamentar e intrapulpar é aceitável quando o bloqueio em polpa inflamada é insuficiente. Sem sinais de disseminação infecciosa, não há indicação rotineira de antibiótico, e a APS pode resolver a urgência e encaminhar ao CEO/endodontia para conclusão do tratamento.

Tema central: Urgência em pulpite irreversível
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está no encaminhamento. Não é correto afirmar que o cirurgião-dentista sempre deve concluir o tratamento endodôntico na USF. Pela organização assistencial em saúde bucal, a APS pode atender a urgência, controlar a dor e encaminhar ao CEO para conclusão do tratamento especializado. Portanto, a referência feita no caso é adequada.
B
Certa
A alternativa B reúne corretamente todos os elementos do caso. O diagnóstico operacional é compatível com pulpite irreversível sintomática. Nesse cenário, a pulpectomia é conduta válida de urgência para remover a polpa inflamada e aliviar a dor. A persistência de dor durante a abertura não invalida a conduta, porque em polpa inflamada o bloqueio do nervo alveolar inferior pode falhar parcialmente, tornando justificável o uso de anestesia complementar intraligamentar e intrapulpar. Como o enunciado não descreve abscesso, edema difuso, febre, celulite ou sinais sistêmicos, não há indicação rotineira de antibiótico; o uso de analgésico é compatível com o controle sintomático após a intervenção local. Também está correto resolver a urgência na USF e referenciar ao CEO/endodontia para término do tratamento radicular.
C
Errada
A alternativa impõe uma sequência obrigatória que a base não sustenta. Em pulpite irreversível sintomática, a conduta de urgência deve remover o tecido pulpar inflamado para controle da dor, e a pulpectomia pode ser realizada no atendimento quando viável. Pulpotomia é uma possibilidade em alguns contextos, mas não é etapa obrigatória antes da pulpectomia, nem existe regra de retorno em 7 dias como condição para então realizá-la.
D
Errada
Está errada porque a anestesia intrapulpar não é contraindicada nesse cenário; ela é um recurso clássico e aceitável quando persiste dor durante acesso e remoção pulpar em dente com polpa inflamada. Além disso, o argumento sobre preservar viabilidade de cotos pulpares não se aplica, porque a proposta terapêutica no caso é pulpectomia, isto é, remoção da polpa, e não terapia conservadora de vitalidade.
E
Errada
A inclusão obrigatória de antibiótico está medicamente errada. Pulpite irreversível dolorosa, sem sinais de disseminação infecciosa ou comprometimento sistêmico, não indica antibiótico sistêmico de rotina; o determinante do alívio é o tratamento local associado a analgesia. A alternativa também erra ao tratar o acréscimo de anti-inflamatório como necessário para validar a conduta, quando a base sustenta que o analgésico é compatível com o manejo sintomático após a intervenção.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre dor pulpar intensa e infecção disseminada, levando o candidato a indicar antibiótico indevidamente, e também a falsa ideia de que a dificuldade anestésica ou o atendimento na APS tornam incorretos a pulpectomia de urgência e o encaminhamento ao CEO.
Dica para questões semelhantes
  • Em pulpite irreversível sintomática, o critério central é remover a polpa inflamada para controlar a dor; pulpectomia pode ser conduta de urgência válida.
  • Se o bloqueio falhar em dente com polpa inflamada, pense em técnicas complementares como intraligamentar e intrapulpar, sem concluir automaticamente que houve erro técnico.
  • Só indique antibiótico quando houver sinais de infecção disseminada ou comprometimento sistêmico; dor pulpar isolada não basta.
  • Na rede pública, diferencie resolver a urgência na APS de concluir todo o tratamento especializado: encaminhar ao CEO após estabilização pode estar correto.

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