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Q2235852 Português
A TOMADA DA LIBERDADE EM TERMOS GRAMATICAIS

(1º§) Na correspondência dos jesuítas eram frequentes as referências à dificuldade que certos padres tinham com a gramática no seu trabalho de catequese, nas Missões. Frequentes e obscuras: não se sabia se a dificuldade tão citada era com a gramática que os próprios padres ensinavam ou se era com a gramática dos nativos. Até descobrirem que “gramática” era um código para castidade.
(2º) Todos sabemos que o problema de alguns padres era definitivamente manter seus votos de abstinência em meio aos índios. Ou no caso, às índias.
(3º§) Conscientemente ou não, o código foi bem escolhido. Pecar contra a castidade, se aceitar que a correção gramatical é uma norma de boa conduta e as regras da língua equivalem a parâmetros morais. Fala-se na “pureza” do vernáculo e na sua poluição, ou violentação, vinda de fora e de um jeito ou de outro todo o vocabulário da perdição da língua (seu abastardamento, sua vulgarização, sua entrega a estrangeirismos como prostitutas do cais) tem conotações sexuais.
 (4º§) Tomar liberdade com a língua é uma atividade tão mal vista pelos guardiões da sua virtude como seria tomar liberdade com suas filhas. Que o povo peque contra a linguagem é aceitável, para a moral gramatical, já que ele vive na promiscuidade mesmo.
(5º§) Mas pessoas educadas, que conhecem as regras, dedicarem-se a neologismos exibicionistas, à introdução de pronomes em lugares impróprios e ao uso de academicismos para fins antinaturais é visto como devassidão imperdoável. De escritores profissionais, principalmente, se espera que se mantenham carretos e castos a qualquer custo.
(6º§) Mas vivemos com relação à gramática como viviam os jesuítas com relação à “gramática”, esforçando-nos para cumprir nossa missão – que não deixa de ser uma catequese, mesmo que só se dê o exemplo de como botar uma palavra depois da outra e viver disso com alguma dignidade – sem sucumbir às tentações à nossa volta. Também não conseguimos. O ambiente nos domina, a libertinagem nos chama, e pecamos o tempo todo.
(7º§) Deve-se ter cuidado com o estudo da gramática normativa da língua portuguesa, pois seus preceitos são padronizados. Pense nisso!
(8º§) Estude, valorize sua língua pátria! Imponha-se pela correção dos seus atos comunicativos e vá tomando liberdade de usar corretamente os aspectos linguísticos gramaticais da língua oficial de sua pátria!

(...)
(VERÍSSIMO, Luís Fernando). - (Texto adaptado)
Marque a palavra que não se escreve com as mesmas letras da última sílaba de “Pureza
Alternativas

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Tema central: Ortografia e formação de palavras. A questão avalia o conhecimento do candidato sobre a regra de formação de femininos de adjetivos e substantivos terminados em “-ês” ou “-e”, cujo feminino é frequentemente formado pela terminação “-za”, como em “pureza”. Isso é bastante relevante em provas para Agente de Trânsito, pois o domínio da norma culta é essencial para a comunicação oficial.

Justificativa: Pela norma-padrão, conforme exposto por Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), o feminino de adjetivos ou substantivos masculinos terminados em -ês (ou -e) é, usualmente, formado pela troca para “-esa” ou “-eza”, formando palavras como “pureza”, “nobreza”, “gentileza”, “alteza” e “presteza”. O enunciado solicita identificar a alternativa que não se escreve empregando as mesmas letras da última sílaba de “pureza” (“za”).

Análise das alternativas:

A) Nobre nobreza – Sufixo “-eza”, corresponde ao padrão.

B) Gentile gentileza – Também segue a formação com “-za”.

C) Alte alteza – Forma o feminino regular com “-za”.

D) FramboeNão existe na língua portuguesa a palavra “framboeza”. A fruta é “framboesa”, cuja terminação “-esa” vem do francês “framboise” e não corresponde à regra gramatical discutida. Portanto, essa alternativa foge ao padrão ortográfico explicitado pelo enunciado.

E) Preste presteza – Segue o padrão regular com “-za”.

Resumo: A única alternativa que NÃO forma um substantivo com a terminação “-za”, a partir da última sílaba de “pureza”, é a letra D (“framboe–”). Todas as demais alternativas apresentam palavras cujo feminino segue a formação correta (“nobreza”, “gentileza”, “alteza”, “presteza”).

Pegadinha: Atenção para “framboesa”: embora termine em “-esa”, não se trata de uma palavra formada a partir de adjetivo ou substantivo comum, mas de um nome de fruta derivado do francês – cuidado para não cair em generalizações!

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Comentários

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Seres concretos se escreve com s, seres abstratos com z

a questão pede a única alternativa que não tem as palavras terminadas em ZA, logo, framboeSA .

GAB-D

Framboe _____.

FRAM-BO-E-SA

QUANDO COLOCAR "S"

  1. Nos sufixos -oso e -osa, quando formarem adjetivos. ...
  2. Nos sufixos -esa e -isa, quando formarem palavras femininas. ...
  3. Após ditongos. ...
  4. Na conjugação dos verbos “pôr”, “querer” e “usar”. ...
  5. Em palavras terminadas em -ase, -ese, -ise, -ose. ...
  6. ​​​​No caso dos sufixos de naturalidade.

FAZ PARTE DO JOGO. ESTUDE!!

A REGRA : Com som de Z, após ditongo (FABROESA)

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