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Julgue o item a seguir, a respeito da programação e execução orçamentária e financeira.
Os restos a pagar não estão sujeitos ao limite global de saques aprovados pela Secretaria do Tesouro Nacional para cada ministério ou órgão.
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Alternativa correta: E (Errado)
Tema central da questão: O assunto abordado é Restos a Pagar e sua relação com o controle de saques no âmbito federal. Esse tema é fundamental para quem estuda Administração Financeira e Orçamentária, pois envolve o entendimento da execução orçamentária e financeira dos órgãos públicos.
Resumo teórico: Restos a Pagar são despesas empenhadas, mas não pagas até 31 de dezembro do exercício, podendo ser processados (com liquidação) ou não processados. Segundo a Lei nº 4.320/1964 e a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), esses valores permanecem como obrigações do ente público para o exercício seguinte.
Segundo as normas do Decreto nº 93.872/1986 e diretrizes do Manual de Procedimentos da Receita e Despesa Pública Federal (MPRDF), o pagamento de restos a pagar está sim sujeito ao limite global de saques estabelecido pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Esse controle é exercido para garantir o equilíbrio financeiro do Tesouro e evitar que o pagamento dessas despesas comprometa o caixa do governo.
Justificativa da alternativa correta: A afirmação dada na questão está errada porque os restos a pagar, ao serem pagos, devem obedecer ao limite de saque fixé pelo Tesouro Nacional para cada órgão ou ministério. Ou seja, não existe liberdade para o órgão quitar restos a pagar sem considerar os limites estabelecidos, pois isso faz parte do controle financeiro nacional.
Estratégia para interpretar esse tipo de questão: Sempre desconfie de afirmações que indicam ausência de controle ou que algo “não está sujeito” a um mecanismo de fiscalização financeira. Na Administração Pública, praticamente todos os pagamentos estão submetidos a algum tipo de limite ou controle legal.
Resumo final: O pagamento dos restos a pagar está sim sujeito aos limites de saques autorizados pelo Tesouro. Portanto, a alternativa correta é Errado.
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GAB:ERRADO
Decreto nº 93.872/1986
Art . 9º As diretrizes gerais da programação financeira da despesa autorizada na Lei de Orçamento anual serão fixadas em decreto, cabendo à Secretaria do Tesouro Nacional, em ato próprio, aprovar o limite global de saques de cada Ministério ou Órgão, tendo em vista o montante das dotações e a previsão do fluxo de caixa do Tesouro Nacional ().
§ 2º Serão considerados, na execução da programação financeira de que trata este artigo, os créditos adicionais, as restituições de receitas e o ressarcimento em espécie a título de incentivo ou benefício fiscal e os Restos a Pagar, além das despesas autorizadas na Lei de Orçamento anual.
Art . 15. Os restos a pagar constituirão item específico da programação financeira, devendo o seu pagamento efetuar-se dentro do limite de saques fixado.
Os restos a pagar, que são despesas empenhadas mas não pagas até o final do exercício financeiro, estão sim sujeitos ao controle de fluxo financeiro, inclusive aos limites de saques estabelecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN).
A STN define limites globais de saques para garantir o equilíbrio fiscal e o controle do caixa do Tesouro Nacional. Esses limites se aplicam tanto às despesas do exercício quanto aos restos a pagar, especialmente quando estes são processados (ou seja, liquidados).
Portanto, os restos a pagar fazem parte da programação financeira dos órgãos e devem obedecer aos limites de saque definidos pela STN, a fim de evitar descontrole nos desembolsos.
Porque os Restos a Pagar estão sujeitos ao controle da Secretaria do Tesouro Nacional:
Embora os restos a pagar se refiram a despesas que já foram empenhadas (ou seja, o dinheiro foi reservado e a previsão da receita que o justificou já ocorreu), o problema de "descontá-los" de uma vez da conta do órgão reside principalmente no controle do fluxo de caixa e na necessidade de equilibrar as finanças do governo no tempo presente.
Vamos detalhar isso:
É importante esclarecer a natureza dos restos a pagar. Quando a despesa é empenhada no ano original, ela é classificada como despesa orçamentária daquele exercício. É nesse momento que a "previsão da receita que justificou o empenho" entra em jogo – o governo alocou uma parte de seu orçamento para aquela finalidade.
No entanto, quando essa despesa não é paga no mesmo ano e se torna um resto a pagar, seu pagamento no exercício seguinte é tratado como uma despesa extraorçamentária sob a perspectiva do orçamento do ano de pagamento. Isso não significa que a despesa deixou de ser legítima ou que não há recurso para ela, mas sim que ela não compete com as dotações orçamentárias do ano atual para fins de limites de gasto e programação orçamentária do exercício vigente.
Mesmo que o recurso para o resto a pagar já tenha sido previsto e empenhado, o desafio está no momento do desembolso efetivo. O governo, assim como uma empresa ou família, opera com um fluxo de caixa. Ele não tem todo o dinheiro de uma vez em conta para pagar todas as suas obrigações imediatamente. As receitas (impostos, taxas, etc.) entram ao longo do ano, e as despesas são pagas conforme a necessidade e a disponibilidade.
Aqui estão os principais problemas de "descontar" os restos a pagar de uma vez:
- Disponibilidade de Caixa: A previsão da receita no momento do empenho é uma coisa, mas a materialização dessa receita e a disponibilidade de caixa para o pagamento são outra. Mesmo que a receita tenha sido prevista, ela pode não ter sido totalmente arrecadada no ano em que o empenho ocorreu, ou o dinheiro pode ter sido realocado para outras prioridades emergenciais.
- Impacto nas Despesas Correntes: Se o governo liberasse o pagamento de todos os restos a pagar de uma vez, isso poderia comprometer seriamente o caixa disponível para as despesas correntes do ano fiscal em curso (salários de servidores, manutenção de serviços essenciais, novos investimentos). É como se você tivesse um salário previsto para o mês, mas tivesse que pagar todas as suas dívidas antigas de uma vez, sem considerar suas contas atuais.
Controle Fiscal e Limites de Endividamento: A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) estabelece limites de saques e acompanha de perto o fluxo de caixa para garantir que o governo não gaste mais do que arrecada e para evitar o descontrole fiscal.
o Tesouro Nacional realiza uma espécie de “controle financeiro”, pois, na prática, e ele quem libera a grana p/ Presidência, Ministérios e Órgãos.
Por isso, o Tesouro pode analisar os recursos e os motivos dos recursos financeiros despendidos.
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