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Q3293159 Odontologia
Em uma criança de 7 anos, o cirurgião-dentista do PSF detecta manchas brancas em faces proximais de molares decíduos, sugerindo lesões incipientes. Marque a conduta que reflete um tratamento não invasivo embasado em evidências.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: manejo não invasivo de lesões incipientes (manchas brancas) proximais em molares decíduos. Cárie é um processo dinâmico e pode ser paralisado ou revertido quando se controla biofilme e exposição a açúcares, com suporte de fluoretos.

Gabarito: B — Aplicar fluoretos, reforçar controle de placa, ajustar a dieta e observar. É a conduta baseada em odontologia minimamente invasiva, recomendada por diretrizes (ADA/AAPD, IAPD, Ministério da Saúde). Para lesões não cavitadas (ICDAS 1–2), o tratamento de escolha é fluoretação tópica (ex.: verniz 5% NaF a cada 3–6 meses), higiene rigorosa com fio dental nas áreas proximais e orientação dietética. Monitorar clinicamente e, idealmente, com bite-wings para avaliar progressão/estabilidade. Evidências (Cochrane; ADA 2018/2021) mostram que verniz fluoretado reduz progressão de cárie e favorece remineralização de manchas brancas.

Raciocínio clínico: “Manchas brancas proximais” indicam desmineralização inicial do esmalte, geralmente sem cavitação. Nessa fase, a remineralização é possível se o desbalanço biofilme–açúcar–tempo for corrigido. Procedimentos restauradores são reservados para lesões cavitadas ou com comprometimento dentinário significativo.

Análise das alternativas incorretas

A — “Desgastar intensamente... até a câmara pulpar”: caracteriza sobretratamento, alto risco de exposição pulpar em dente decíduo, perda desnecessária de estrutura e pior prognóstico. Contraria a filosofia minimamente invasiva e as diretrizes (IAPD; MS Brasil).

C — “Laser cirúrgico para cauterizar esmalte... sem limpeza”: não há evidência de que cauterização do esmalte controle cárie. Controle de biofilme é indispensável; laser não substitui higiene/fluoretação e não é primeira linha para lesão inicial proximal (ADA/UpToDate).

D — “Antibioticoterapia sistêmica”: cárie é doença biofilme-açúcar, não tratada com antibiótico. Antibióticos são indicados apenas em infecções odontogênicas disseminadas com sinais sistêmicos. Uso indevido promove resistência bacteriana (AADA/AAPD; OMS).

Como interpretar em prova: Identifique palavras-chave como “manchas brancas”, “proximal”, “decíduos” e “não invasivo”. Isso aponta para: fluoretação tópica + higiene com fio + ajuste dietético + monitoramento. Atenção à pegadinha “intervir restauradoramente” sem cavitação.

Dicas práticas (ambulatório): aplicar verniz 5% NaF 3/3 a 6/6 meses; instruir escovação com dentifrício fluoretado (1.000–1.100 ppm) 2x/dia; uso diário de fio dental; reduzir frequência de açúcares; reavaliar clinicamente e radiograficamente. Em progressão ou risco alto, considerar opções microinvasivas (infiltração resinosa) se indicado.

Fontes: ADA/AAPD Clinical Practice Guidelines (não restaurador para lesões de cárie); IAPD Best Practices; Ministério da Saúde – Cadernos de Atenção Básica: Saúde Bucal; Revisões Cochrane sobre verniz fluoretado.

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