Lesões císticas na região de pré-molares superiores podem s...
Gabarito comentado
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Gabarito: C
Tema central: O cisto radicular é um cisto odontogênico inflamatório originado dos restos epiteliais de Malassez, desencadeado por infecção/necrose pulpar. Costuma estar associado a dente não vital, apresentando imagem radiolúcida unilocular, geralmente corticalizada, na região apical. O diagnóstico é multifatorial: história, testes pulpares, percussão/palpação, radiografias (e, quando indicado, TCFC) e, em caso de intervenção, histopatologia para confirmação.
Por que a alternativa C é correta? Em suspeita de cisto radicular, deve-se avaliar a extensão e a relação com o canal radicular. Se o dente estiver com necrose pulpar, o tratamento endodôntico é a primeira escolha, pois remove o fator etiológico e promove regressão da lesão. Lesões extensas, persistentes após acompanhamento ou com envolvimento cirúrgico indicado podem exigir curetagem/enucleação, e o material deve ser enviado para análise histopatológica para diagnóstico definitivo e exclusão de outros cistos/tumores odontogênicos. Diretrizes da AAE e ESE reforçam: antibióticos não substituem o tratamento endodôntico, e o diagnóstico definitivo de cisto é histológico (AAE Position Statements; ESE 2021; Neville – Oral & Maxillofacial Pathology).
Análise das incorretas
A) “Usar exclusivamente o teste de vitalidade”. Erro de abordagem. O teste pulpar é essencial para diferenciar lesões endodônticas (dente não vital) de lesões não endodônticas (ex.: cisto periodontal lateral, dente vital), mas não é suficiente sozinho. A imagem radiográfica (periapical/TCFC) é crucial para verificar localização, limites, corticação e relação com raízes/sinus. Provas valorizam a integração de achados, não a exclusividade de um teste.
B) “Antibióticos de amplo espectro por período indefinido”. Conceito inadequado e potencialmente danoso. Em lesões periapicais/cistos sem sinais sistêmicos ou disseminação, antibióticos não estão indicados. O manejo é endodôntico e/ou cirúrgico. Uso indiscriminado promove resistência e eventos adversos (AAE 2017/2019; ESE 2021).
D) “Extrair todos os pré-molares ao redor”. Conduta não conservadora e sem base. O objetivo é manter o dente sempre que restaurável e tratar a causa. Extração só se indica quando o dente é irrestaurável ou quando a remoção em bloco é necessária por critérios específicos, o que não é a regra para cisto radicular.
Estratégia de prova: Desconfie de termos como “exclusivamente”, “por período indefinido” e condutas radicais sem avaliação. Em suspeita de cisto, busque: dente não vital, radiolucidez apical corticalizada, relação com o ápice; trate a causa endodôntica e envie tecido para histopatologia quando houver intervenção cirúrgica.
Referências essenciais: AAE Position Statements (Antibiotics; Diagnostic Terminology); European Society of Endodontology (2021) – Quality guidelines; Torabinejad & Walton – Endodontics; Neville et al. – Oral and Maxillofacial Pathology.
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