Para que a passagem “(...) poderiam arriscar, fingindo que ...

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Q3617427 Português
O romance Torto Arado, de Itamar Vieira Junior, contextualiza historicamente as vivências das populações negras rurais no Brasil, especialmente no tocante à negação de direitos fundamentais. Leia-o para responder à questão.

Meu povo seguiu rumando de um canto para outro, procurando trabalho. Buscando terra e morada. Um lugar onde pudesse plantar e colher. Onde tivesse uma tapera para chamar de casa. Os donos já não podiam ter mais escravos, por causa da lei, mas precisavam deles. Então, foi assim que passaram a chamar os escravos de trabalhadores e moradores. Não poderiam arriscar, fingindo que nada mudou, porque os homens da lei poderiam criar caso. Passaram a lembrar para seus trabalhadores como eram bons, porque davam abrigo aos pretos sem casa, que andavam de terra em terra procurando onde morar. Como eram bons, porque não havia mais chicote para castigar o povo. Como eram bons, por permitirem que plantassem seu próprio arroz e feijão, o quiabo e a abóbora.

VIEIRA JUNIOR, Itamar. Torto Arado. São Paulo: Todavia, 2019, p. 204
Para que a passagem “(...) poderiam arriscar, fingindo que nada mudou, porque os homens da lei poderiam criar caso. Passaram a lembrar para seus trabalhadores como eram bons, porque davam abrigo aos pretos sem casa, que andavam de terra em terra procurando onde morar. Como eram bons, porque não havia mais chicote para castigar o povo. Como eram bons, por permitirem que plantassem seu próprio arroz e feijão, o quiabo e a abóbora” tenha seu sentido evidenciado, precisamos compreender que o sujeito implicitado dos verbos em destaque é:
Alternativas

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Tema central: Esta questão testa sua habilidade em interpretação de texto, aliada ao reconhecimento do sujeito elíptico (ou oculto) em estruturas verbais.

1. Conceito-chave: O sujeito elíptico é aquele que, embora não apareça de forma explícita na oração, pode ser identificado pelo contexto, geralmente por referência a um termo anterior. Isso está de acordo com autores como Bechara (Moderna Gramática Portuguesa) e Cunha & Cintra, que explicam que o contexto anterior costuma apresentar o sujeito elíptico.

2. Análise do trecho: Observe o fragmento: verbos destacados como “poderiam arriscar”, “passaram”, “davam”, “eram (bons)”, “permitirem” aparecem sem indicação direta do sujeito, mas retomam a referência principal da passagem anterior.

No trecho imediatamente anterior, o texto menciona: “Os donos já não podiam ter mais escravos...” e “passaram a chamar os escravos de trabalhadores e moradores”. Portanto, todo o conjunto de ações descritas se refere aos donos de terra.

3. Por que a alternativa C é correta? Porque, segundo as leis da coesão textual, quando não se troca de referência e não há novo sujeito expresso, o sujeito elíptico permanece sendo aquele explicitado anteriormente (os donos de terra). Assim, todos os verbos destacados têm como sujeito “os donos de terra”.

4. Análise das alternativas incorretas:

  • Meu povo (A): não cabe, pois o "povo" está em busca de trabalho e terra, não praticando as ações descritas.
  • Os homens da lei (B): aparecem apenas como referência (“os homens da lei poderiam criar caso”), não são agentes das ações verbais em foco.
  • Trabalhadores (D): são beneficiários (“a quem davam abrigo”) e não agentes das ações.

Estratégia de prova: Busque sempre o sujeito expresso imediatamente antes da sequência de verbos no contexto. Atenção para não confundir beneficiários ou personagens mencionados com o sujeito das ações.

Resumo: Pelo conceito gramatical e pela análise coesiva do texto, os sujeitos dos verbos destacados são os donos de terra – alternativa C é a correta.

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