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Sobre a concordância verbal do termo destacado em negrito e...

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Q4070880 Português

Leia o texto abaixo e responda à questão.


As universidades e o desafio da desigualdade social


Cesar Martins

Vice-reitor da Unesp (Universidade Estadual Paulista)


    Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.


    Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.


     Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.


    Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.


    Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.


    Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.


    Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/as-

universidades-e-o-desafio-da-desigualdade-social.shtml. 

Sobre a concordância verbal do termo destacado em negrito em: “Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.”, assinale a afirmativa correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: No trecho “a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência”, o ponto decisivo é que o sujeito é uma expressão partitiva: o núcleo é “maioria”, no singular, e “das universidades públicas” especifica esse núcleo. Nessa construção, a norma admite concordância com o singular ou com o termo plural posposto, o que torna correta a forma usada no texto e confirma a alternativa B.

Tema central: concordância verbal com partitivo
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque afirma concordância obrigatória com “universidades públicas” e conclui que o verbo deveria estar no plural. Isso contraria a regra da expressão partitiva: em “a maioria das universidades públicas”, o verbo pode concordar com o núcleo singular “maioria”. Portanto, “conta” é forma gramaticalmente legítima.
B
Certa
A alternativa B acerta porque identifica corretamente a estrutura do sujeito “a maioria das universidades públicas” como expressão partitiva. Nesses casos, a concordância do verbo é admitida de duas formas: com o núcleo singular, como no texto (“a maioria ... conta”), ou com o termo plural posposto (“a maioria das universidades públicas contam”). Por isso, a alternativa reconhece a dupla possibilidade normativa de concordância e, ainda, o matiz de expressão compatível com essa escolha: o singular focaliza o conjunto; o plural destaca os integrantes desse conjunto.
C
Errada
Está errada porque transforma em obrigatória uma concordância que, nesse caso, é apenas uma das possibilidades. É verdade que o núcleo do sujeito é “a maioria”, e por isso o singular “conta” está correto; porém a norma também admite concordância com o termo plural “universidades públicas”.
D
Errada
Está errada porque não há impessoalidade. O verbo “conta” tem sujeito expresso e determinado: “a maioria das universidades públicas”. Logo, não se trata de oração sem sujeito nem de verbo impessoal; o singular decorre da concordância com o núcleo “maioria”, não de impessoalidade.
E
Errada
Está errada porque atribui ao verbo “conta” um sujeito que não é o seu. “Essas políticas” é sujeito de “alteraram” no período anterior: “Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro.” Já o sujeito de “conta” é “a maioria das universidades públicas”. A alternativa mistura sujeitos de períodos distintos e, por isso, impõe um plural indevido ao verbo destacado.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre o núcleo partitivo “maioria” e o termo plural “universidades públicas”, além da possibilidade de o candidato transportar indevidamente “essas políticas” do período anterior para a oração de “conta”.
Dica para questões semelhantes
  • Em sujeito com expressão partitiva, identifique primeiro o núcleo do sintagma e o termo plural introduzido por “de”.
  • Não trate como obrigatória uma concordância que a estrutura partitiva admite em duas formas.
  • Verifique sempre o sujeito do verbo destacado dentro da própria oração, sem puxar um termo de período anterior.
  • Verbo no singular não significa, por si só, impessoalidade; antes disso, procure se há sujeito expresso.

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