“Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evolue...

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Q203491 Português

       O AMOR COMO MEIO, NÃO COMO FIM

       Há algo errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

       Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra, usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”. Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social, etc. – parece não ter a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.

       Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam alertas e intrigados; que nos fazem muito bem.

       Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.

       Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria e coragem – e isso ninguém contesta – por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.

(GIKOVATE, Flávio. Cláudia. São Paulo: Abril, agosto 1989. Condensado)


“Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem...” A palavra sublinhada na frase anterior, se refere, no texto, à (ao):
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto e coesão referencial (uso do pronome oblíquo átono “lo” e de que termo ele retoma).

O objetivo da questão é verificar sua habilidade de localizar o referente de pronomes no texto, habilidade essencial para interpretar informações e manter a coesão textual — competência frequentemente cobrada em provas de Analista de Sistemas, onde clareza e precisão textual são fundamentais.

Comentário da questão:

No trecho “Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem…”, deve-se descobrir a qual palavra anterior o pronome “lo” se refere. Pela norma-padrão (cf. Bechara, Moderna Gramática Portuguesa), “lo” é pronome oblíquo átono masculino singular usado para substituir o objeto direto masculino já mencionado no texto e evitar repetição.

Analisando o contexto, o segmento “dessa maneira” refere-se a uma forma benéfica de viver algo. O que está sendo discutido no parágrafo anterior é justamente o amor, tratado como meio de aprimoramento, não como fim — “o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual... Casais que conseguem vivê-lo…” Ou seja, o pronome “lo” retoma diretamente “amor”.

Alternativa correta: E) Amor. “Vivê-lo”, nessa frase, significa “viver o amor dessa maneira”.

Análise das alternativas incorretas:

A) Aprimoramento: O termo aparece no texto, mas “vivê-lo” não faz sentido com “aprimoramento” (não se “vive” um aprimoramento, mas sim o amor).
B) Futuro: “Vivê-lo” não substitui “futuro”; o futuro é impulsionado pelo amor segundo o texto, não vivido.
C) Subjetividade: Apesar de citado, não combina com o pronome: “vivê-lo” não se aplica.
D) Ideal romântico: O texto critica o ideal romântico; ele não é aquilo que deve ser “vivido”.

Dica para provas: Sempre volte ao trecho imediatamente anterior e relacione sentido e concordância do pronome. Essa análise de coesão evita erros com decorebas; é leitura com atenção ao contexto!

Regra gramatical essencial: De acordo com Bechara e Cunha & Cintra, os pronomes “lo, la, los, las” substituem objeto direto masculino ou feminino sem preposição, conferindo coesão e clareza.

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Comentários

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Letra E.
"...o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento indiviual... . Casais que consequem vivê-lo dessa maneira..."

amor

Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo ... VIVER O QUE? O amor.

VIDE   Q711210    o termo destacado é utilizado de forma anafórica, estabelecendo retomada que tem como referente:

 

 

ANÁFÓRICO = ANTERIOR

 

CATAFÓRICO = POSTERIOR

"...o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento indiviual... . Casais que consequem vivê-lo dessa maneira..."

 

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