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Q4152462 Medicina

Leia o caso clínico a seguir.



Paciente do sexo masculino, de 36 anos, passou a apresentar há algumas semanas dor hemicraniana direita, súbita, lancinante, recorrente, com cerca de 20 minutos de duração, acompanhada de hiperemia conjuntival. Há cerca de um ano, apresentou episódios semelhantes. Chegou ao pronto atendimento em busca de alívio para seus sintomas.



O diagnóstico e a conduta imediata, nesse caso, são:

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o fenótipo de cefaleia trigêmino-autonômica: dor unilateral intensa, curta duração (cerca de 20 minutos), recorrência em períodos e hiperemia conjuntival ipsilateral, conjunto compatível com cefaleia em salva; como a pergunta cobra alívio imediato no pronto atendimento, a conduta abortiva clássica é a oxigenoterapia.

Tema central: Cefaleia em salva
Análise das alternativas
A
Errada
O erro está no diagnóstico. Hemicrania isoladamente não define enxaqueca. Aqui, a crise é súbita, muito intensa, dura cerca de 20 minutos e vem com hiperemia conjuntival ipsilateral, conjunto muito mais compatível com cefaleia em salva do que com enxaqueca típica, que costuma ter duração de horas. A base ainda ressalta que, embora triptano possa abortar cefaleia em salva em formulações específicas, esta alternativa permanece errada porque classifica o quadro como enxaqueca.
B
Errada
Neuralgia do trigêmeo não se ajusta ao padrão temporal e semiológico descrito. Essa neuralgia costuma causar paroxismos de segundos a poucos minutos, em território trigeminal específico, frequentemente precipitados por gatilhos como toque, fala ou mastigação. No caso, a crise dura cerca de 20 minutos e há hiperemia conjuntival, achado autonômico que favorece cefaleia em salva. Além disso, carbamazepina é tratamento clássico da neuralgia do trigêmeo, não a medida abortiva imediata adequada para esse quadro.
C
Errada
Há dois erros médicos objetivos: o diagnóstico de enxaqueca não é o mais compatível com a duração curta, o padrão em salvas e a hiperemia conjuntival ipsilateral; e tramadol não é terapia abortiva específica de escolha para esse fenótipo de cefaleia primária. A base aponta que usar opioide nesse contexto induz manejo inadequado e atrasa a intervenção específica.
D
Certa
A alternativa D reúne diagnóstico e conduta compatíveis com os achados descritos. A duração de cerca de 20 minutos se encaixa no padrão clássico de cefaleia em salva, ao contrário da enxaqueca, que costuma durar horas. A hiperemia conjuntival ipsilateral é sinal autonômico craniano típico desse grupo de cefaleias. A recorrência em semanas, com episódio semelhante há cerca de um ano, reforça padrão em salvas. Nesse contexto, a conduta imediata correta é terapia abortiva específica, e a oxigenoterapia é medida clássica e eficaz para a crise aguda.
Pegadinha da questão
A banca explora duas confusões reais: chamar de enxaqueca qualquer cefaleia hemicraniana intensa e usar o termo "lancinante" para induzir neuralgia do trigêmeo, ignorando os elementos que mandam no diagnóstico aqui: duração de 20 minutos e sinal autonômico ocular ipsilateral.
Dica para questões semelhantes
  • Em cefaleia unilateral intensa, a duração da crise é decisiva: minutos com sinais autonômicos favorecem cefaleia em salva; horas favorecem mais enxaqueca.
  • Hiperemia conjuntival ipsilateral é pista forte de cefaleia trigêmino-autonômica e deve pesar mais que descritores inespecíficos como "lancinante".
  • Neuralgia do trigêmeo exige lembrar paroxismos muito breves e gatilhos mecânicos; crise de 20 minutos sem esses elementos vai contra esse diagnóstico.
  • Se a questão pede conduta imediata na crise típica de cefaleia em salva, pense em terapia abortiva específica, não em opioide nem em fármaco clássico de outra síndrome dolorosa facial.

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