Com relação às práticas de cidadania e de participação polí...
I. A Revolta da Armada, em 1893, e o atentado contra Prudente de Morais, em 1897, são exemplos que contradizem a percepção de inatividade e de apatia política dos brasileiros.
II. Embora cerca de 80% da população não participasse do processo eleitoral, a maioria se autoexcluía, pois apenas menores de 21 anos de idade, mulheres e analfabetos não tinham direito ao voto.
III. As concepções de cidadania no período não foram homogêneas, pois resultaram da absorção parcial de ideias importadas do liberalismo, positivismo, socialismo e anarquismo europeus.
Estão corretas as afirmativas
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Gabarito comentado
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Alternativa correta: C – I e III, apenas.
Tema central da questão:
Esta questão aborda as práticas de cidadania e participação política nos primeiros anos da República no Brasil, período conhecido como Primeira República (1889-1930). Exige compreender tanto a dinâmica política da época, com seus limites à participação popular, quanto a diversidade de ideias que influenciaram a construção do conceito de cidadania no país.
Resumo teórico:
Após a Proclamação da República, a cidadania brasileira foi profundamente limitada pelos critérios de exclusão ao voto: mulheres, analfabetos, menores de 21 anos, mendigos e praças de pré eram proibidos de votar (Constituição de 1891, Art. 70). Isso restringiu a participação política, que ainda se desenvolvia em meio a disputas, revoltas e influências de diferentes correntes de pensamento, como liberalismo, positivismo, socialismo e anarquismo (FAUSTO, Boris. História do Brasil, 2013). Apesar do discurso da apatia política, o período foi marcado por várias manifestações e lutas sociais e políticas.
Justificativa da alternativa correta:
I. Correta – A Revolta da Armada (1893-1894) e o atentado contra Prudente de Morais (1897) comprovam que havia intensa atividade política, contrariando a ideia de um povo apático. Essas ações demonstram envolvimento e contestação política de diversos setores da sociedade.
III. Correta – O conceito de cidadania na Primeira República era heterogêneo, pois absorvia, de modo parcial, ideias vindas do liberalismo, positivismo, socialismo e anarquismo europeu. Essa pluralidade explica os diferentes projetos e disputas sobre quem deveria ser cidadão e participar da vida política (SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. Brasil: Uma Biografia, 2015).
Análise das alternativas incorretas:
II. Incorreta – A afirmativa II está errada pois não é verdade que a maioria da população se autoexcluía do processo eleitoral; na verdade, ela era legalmente excluída! As normas restringiam o voto a uma parcela muito pequena da população adulta. Além das mulheres, analfabetos e menores de 21 anos, também eram excluídos soldados rasos, mendigos e religiosos sujeitos a votos de obediência. Portanto, a exclusão era mais estrutural e legal do que uma “autoexclusão”.
Estrategias para interpretação:
Fique atento a termos como “autoexclusão”, que tentam deslocar a responsabilidade da exclusão do Estado para o indivíduo – uma clássica “pegadinha” em provas. Busque sempre lembrar os critérios legais de exclusão quando o tema for cidadania ou direitos políticos.
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Comentários
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Cuidado! No item II diz "apenas", porém militares(de baixa patente) também estão inclusos
I e III, apenas.
Agregando ao amigo Kauã, no item ll diz “ mulheres e analfabetos “ Porém escravizados & indígenas também não poderiam votar.
I e III, apenas.
Explicação: Quando promulgou-se a segunda constituição, em 24 de fevereriro de 1891, a Cidadania universal masculina só garantiam o direiro de votar e ser votado apenas os homens. As eleições seriam diretas, com voto aberto (ou seja, não secreto) para maiores de 21 anos.
Não tinham direito de votar as mulheres, os soldados e cabos das Forças Armadas e dos corpos policiais, os analfabetos, os mendingos e os membros de ordens religiosas. Isso colocou um fim no voto censitário ou por renda.
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