A criptorquidia é a anomalia genital masculina mais comument...
Gabarito comentado
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Tema central: Criptorquidia (testículo não descido) — avaliação e momento ideal do tratamento para otimizar fertilidade futura, reduzir risco de malignidade e facilitar o seguimento clínico.
Alternativa correta: B – Orquidopexia ideal até 12 meses e, no máximo, até 18 meses. Após 6 meses, a chance de descida espontânea é mínima. A permanência em temperatura abdominal leva à perda progressiva de espermatogônias e piora do potencial fértil; a correção precoce melhora o “índice de fertilidade” e reduz (sem eliminar) o risco de câncer testicular. Diretrizes AUA (2018), EAU/ESPU (2024) e AAP recomendam referência após 6 meses e cirurgia até 12–18 meses.
Análise das alternativas incorretas
A) “Terapia hormonal é tratamento de escolha antes dos 6 meses.” — Incorreto. A conduta até 6 meses é observação pela alta taxa de descida espontânea. Hormônios (hCG/GnRH) têm baixa eficácia clínica, alta taxa de recidiva e efeitos adversos (ex.: virilização), não sendo recomendados como primeira linha (AUA, EAU, UpToDate). Podem ter papel limitado e controverso em casos selecionados, mas não são terapia de escolha.
C) “Exames de imagem estão indicados na ausência de testículo palpável ao nascimento.” — Incorreto. Ultrassom/MRI raramente mudam conduta e têm sensibilidade limitada para testículo não palpável. A recomendação é exame físico especializado, avaliação sob anestesia e, se necessário, laparoscopia diagnóstica/terapêutica (padrão-ouro). Diretrizes AUA/EAU desencorajam imagem de rotina.
D) “Orquidopexia não está indicada no pré-púbere por risco elevado de câncer.” — Incorreto. É exatamente o oposto: indica-se orquidopexia no pré-púbere para melhorar fertilidade e reduzir o risco de câncer em comparação a cirurgia tardia, além de permitir autoexame futuro. Não há contraindicação pela idade pré-puberal.
E) “Orquidopexia na infância elimina riscos de câncer e infertilidade.” — Incorreto. A cirurgia reduz mas não elimina o risco de câncer testicular; e a fertilidade melhora, porém pode permanecer abaixo da população geral, especialmente em criptorquidia bilateral ou correção tardia.
Como pensar na prova (pegadinhas):
- Prazos: referência após 6 meses; orquidopexia até 12–18 meses.
- Imagem: evite solicitar US/MRI de rotina em testículo não palpável.
- Hormônios: não são primeira linha.
- Risco residual: a cirurgia reduz, mas não zera câncer/infertilidade.
- Diferencie retração testicular (testículo ascende e desce; conduta expectante) de criptorquidia verdadeira.
Referências: AUA Guideline on Cryptorchidism (2018); EAU/ESPU Paediatric Urology Guidelines (2024); AAP Clinical Report on Undescended Testicle; UpToDate – Evaluation and management of cryptorchidism.
Gabarito: B
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