Considere uma primigesta, 39 semanas, assintomática. No iníc...

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Q3616763 Medicina

Considere uma primigesta, 39 semanas, assintomática. No início do pré-natal fez tratamento para bacteriúria assintomática por Streptococcus agalactie. Não precisou repetir o tratamento, não tem nenhum fator de risco clínico ou obstétrico detectado. Não fez cultura para Streptococcus vaginal e perianal durante o pré-natal.


Vem para a maternidade em trabalho de parto, com bolsa rota há uma hora e boa vitalidade fetal.


Qual a conduta adequada a seguir?

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão aborda a profilaxia intraparto para Estreptococo do grupo B (EGB) em gestantes, tema fundamental em obstetrícia preventiva.

Justificativa da alternativa correta (E):

Segundo as diretrizes nacionais e internacionais, a presença de bacteriúria por EGB em qualquer momento da gestação é indicação absoluta de antibioticoprofilaxia intraparto, mesmo em pacientes sem sinais de infecção aguda e independente de outros fatores de risco.

O manual da Sociedade Brasileira de Pediatria destaca: “Toda gestante que apresentar isolamento do EGB em urocultura durante a gestação deverá ser submetida à antibioticoprofilaxia no intraparto, independentemente de ter ou não realizado tratamento pré-natal.”

Isso ocorre porque o tratamento pré-natal da bacteriúria não garante eliminação duradoura do EGB, podendo haver recoloização até o parto; portanto, há risco significativo de transmissão vertical, justificando o uso da profilaxia durante o trabalho de parto.

Análise das alternativas incorretas:

A) (≥12h de bolsa rota): Limita-se ao tempo de membranas rotas; porém, a presença de bacteriúria por EGB é mais importante independendo desse fator.

B) (Tempo até o parto >4h): Foge do critério utilizado nos protocolos; a indicação é pelo fator de risco (bacteriúria), não pelo tempo esperado até o parto.

C) (≥18h de bolsa rota): Embora seja motivo de profilaxia se fosse o único fator, neste caso o principal critério já está presente (bacteriúria), tornando o tempo de bolsa rota irrelevante.

D) (Febre ou sinais de infecção): Perfilha um conceito de tratamento, não de profilaxia. A intenção da profilaxia é evitar que o recém-nascido seja exposto ao EGB antes de desenvolver qualquer sinal clínico.

Pegadinha clássica: Muitos candidatos erram por acharem que o tratamento pré-natal de EGB elimina a indicação de antibioticoprofilaxia intraparto. Isso não é verdade!

Protocolos aplicáveis: Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde e UpToDate, seção Profilaxia Intraparto para EGB.

Em resumo: O achado de bacteriúria por EGB em gestante exige antibioticoprofilaxia intraparto, mesmo após tratamento pré-natal, independentemente de outros fatores.

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