Considere as seguintes afirmativas a propósito das relações ...

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Ano: 2013 Banca: TJ-PR Órgão: TJ-PR Prova: TJ-PR - 2013 - TJ-PR - Médico |
Q782140 Português

Será a felicidade necessária? 

Felicidade é uma palavra pesada. Alegria é leve, mas felicidade é pesada. Diante da pergunta ' 'Você é feliz?' ', dois fardos são lançados às costas do inquirido. O primeiro é procurar uma definição para felicidade, o que equivale a rastrear uma escala que pode ir da simples satisfação de gozar de boa saúde até a conquista da bem-aventurança. O segundo é examinar-se, em busca de uma resposta. Nesse processo, depara-se com armadilhas. Caso se tenha ganhado um aumento no emprego no dia anterior, o mundo parecerá belo e justo; caso se esteja com dor de dente, parecerá feio e perverso. Mas a dor de dente vai passar, assim como a euforia pelo aumento de salário, e se há algo imprescindível, na difícil conceituação de felicidade, é o caráter de permanência. Uma resposta consequente exige colocar na balança a experiência passada, o estado presente e a expectativa futura. Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara.

Os pais de hoje costumam dizer que importante é que os filhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao influxo das teses libertárias dos anos 1960. E irrelevante que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profissão. O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. É esperar, no mínimo, que o filho sinta prazer nas pequenas coisas da vida. Se não for suficiente, que consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança. ' 'É a felicidade necessária?' ' é a chamada de capa da última revista New Yorker (22 de março) para um artigo que, assinado por Elizabeth Kolbert, analisa livros recentes sobre o tema. No caso, a ênfase está nas pesquisas sobre felicidade (ou sobre ' 'satisfação' ', como mais modestamente às vezes são chamadas) e no impacto que exercem, ou deveriam exercer, nas políticas públicas. Um dos livros analisados, de autoria do ex-presidente de Harvard Derek Bok (The Politics of Happiness: What Government Can Learn from the New Research on Well-Being), constata que nos últimos 35 anos o PIB per capita dos americanos aumentou de 17000 dólares para 27 000, o tamanho médio das casas cresceu 50% e as famílias que possuem computador saltaram de zero para 70% do total. No entanto, a porcentagem dos que se consideram felizes não se moveu. Conclusão do autor, de lógica irrefutável e alcance revolucionário: se o crescimento econômico não contribui para aumentar a felicidade, ' 'por que trabalhar tanto, arriscando desastres ambientais, para continuar dobrando e redobrando o PIB?' '.

Outro livro, de autoria de Carol Graham, da Universidade de Maryland (Happiness Around the World: The Paradox of Happy Peasants and Miserable Millionaires), informa que os nigerianos, com seus 1400 dólares de PIB per capita, atribuem-se grau de felicidade equivalente ao dos japoneses, com PIB per capita 25 vezes maior, e que os habitantes de Bangladesh se consideram duas vezes mais felizes que os da Rússia, quatro vezes mais ricos. Surpresa das surpresas, os afegãos atribuem-se bom nível de felicidade, e a felicidade é maior nas áreas dominadas pelo Talibã. Os dois livros vão na mesma direção das conclusões de um relatório, também citado no artigo da New Yorker, preparado para o governo francês por dois detentores do Nobel de Economia, Amartya Sen e Joseph Stiglitz. Como exemplo de que PIB e felicidade não caminham juntos, eles evocam os congestionamentos de trânsito, ' 'que podem aumentar o PIB, em decorrência do aumento do uso da gasolina, mas não a qualidade de vida' '. 

Embora embaladas com números e linguagem científica, tais conclusões apenas repisariam o pedestre conceito de que dinheiro não traz felicidade, não fosse que ambicionam influir na formulação das políticas públicas. O propósito é convidar os governantes a afinar seu foco, se têm em vista o bem-estar dos governados (e podem eles ter em vista algo mais relevante?). Derek Bok, o autor do primeiro dos livros, aconselha ao governo americano programas como estender o alcance do seguro-desemprego (as pesquisas apontam a perda de emprego como mais causadora de infelicidade do que o divórcio), facilitar o acesso a medicamentos contra a dor e a tratamentos da depressão e proporcionar atividades esportivas para as crianças. Bok desce ao mesmo nível terra a terra da mãe que trocasse o grandioso desejo de felicidade pelo de uma boa faculdade e um bom salário para o filho.

(Roberto Pompeu de Toledo. Veja, ed. 2157, 24 mar. 2010)

Considere as seguintes afirmativas a propósito das relações sujeito/predicado no segundo parágrafo do texto. 1. "É irrelevante" (linha 10) tem como sujeito "que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que,sejam bem-sucedidos na profissão" (linhas 10-11). 2. "E esperar..." (linha 11) tem como sujeito elíptico "felicidade" (linha 11). 3. O sujeito elíptico de "não for suficiente" (linha 12) corresponde a "que consiga cumprir todos os desejos e ambições" (linhas 12). 4. O sujeito elíptico de "for pouco" (linha 13) corresponde a "que o filho sinta prazer nas pequenas coisas da vida" (linha 12). Assinale a alternativa correta.
Alternativas

Gabarito comentado

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Este exercício envolve a análise das relações sujeito/predicado no texto, parte da sintaxe da Língua Portuguesa. Vamos explorar cada afirmativa com atenção aos detalhes sintáticos para compreender a correção ou incorreção das alternativas.

Afirmativa 1: "É irrelevante" tem como sujeito "que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profissão".

Essa afirmativa está correta. O sujeito é composto por orações subordinadas substantivas subjetivas, que atuam como sujeito oracional do predicado "é irrelevante". Em termos de sintaxe, orações podem funcionar como sujeitos quando introduzidas por conjunções subordinativas, como "que".

Afirmativa 2: "É esperar..." tem como sujeito elíptico "felicidade".

Esta afirmativa também é correta. Aqui, estamos lidando com um sujeito implícito (elíptico), onde "felicidade" é a ideia central da oração subentendida. O contexto do texto permite inferir que "esperar" se refere à expectativa que se tem sobre a felicidade.

Afirmativa 3: O sujeito elíptico de "não for suficiente" corresponde a "que consiga cumprir todos os desejos e ambições".

Essa afirmativa está incorreta. O sujeito elíptico de "não for suficiente" tem como referente o que foi mencionado anteriormente, ou seja, o "prazer nas pequenas coisas da vida", e não a oração "que consiga cumprir todos os desejos e ambições".

Afirmativa 4: O sujeito elíptico de "for pouco" corresponde a "que o filho sinta prazer nas pequenas coisas da vida".

Esta afirmativa também está incorreta. O sujeito elíptico de "for pouco" refere-se a "cumprir todos os desejos e ambições", não ao "prazer nas pequenas coisas da vida". Essa troca de referências semânticas demonstra um erro na identificação do sujeito implícito.

Alternativa correta: A - Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.

Para evitar erros futuros, é essencial prestar atenção ao contexto e como as orações são introduzidas e relacionadas. As orações subordinadas e os sujeitos elípticos são elementos que frequentemente causam confusão, mas entender seus lugares na sintaxe pode ajudar a esclarecer essas dúvidas.

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Comentários

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Gabarito: A

1) Correto --> Entrar na faculdade, ganhar muito ou pouco dinheiro e ser bem sucedido na profissão É irrelevante.
2) Correto -->  (Felicidade) É esperar, no mínimo, que [...]
3) Errado --> O sujeito não está elíptico e sim expresso. Observe: cumprir todos os desejos e ambições não É(for) suficiente.
4) Errado --> [...] sintir prazer nas pequenas coisas da vida. [...]conseguir cumprir todos os desejos e ambições que venha a abrigar FOR pouco [...]

Espero ter ajudado, e realmente essa questão é embaçada.

Questão horrível de ler. Tópicos deveriam estar em linhas diferentes e texto com a numeração das linhas.

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