No segundo parágrafo do texto IV, predomina um tempo verba...

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Q2201345 Português
Texto
IV Telhado quebrado com gente morando dentro (fragmento)
(Jarid Arraes)

    Acho injusto que entre nós duas, Juliana e eu, a necessidade constante de salvação tenha encontrado meu coração e não o dela. Acho injusto porque, ao contrário do que se fala por aí sobre duas irmãs com idades próximas, nunca fomos rivais, nunca disputamos a atenção dos nossos pais, nunca tivemos inveja uma da outra. Sempre fomos parceiras, amigas, cúmplices do crime que era ser menina num mundo todo feito para nos dobrar, dobrar e dobrar até que a coluna não aguentasse.
     De todas as meninas que eu conheci, desde que me lembro, Juliana sempre foi a mais forte. Fazia o tipo mãe de todas. Era a que separava as brigas, a que dizia para os meninos irem tomar banho quando estavam fedendo demais, a que parava a brincadeira quando alguma coisa saía do controle. Minha irmã era chamada quando alguém caía e se machucava. O nome simplesmente saía da boca, porque sim, porque era fácil, porque era isso mesmo. “Juliana”, com o último “a” durando um tempo sem fim. [...]
No segundo parágrafo do texto IV, predomina um tempo verbal que cumpre, no texto, o efeito de ______. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
Alternativas

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Comentário da questão: Tempo verbal — Uso do presente histórico em narrativas

O tema central desta questão é a interpretação do uso do tempo verbal, especificamente o presente histórico ou presente narrativo em textos literários. Esse recurso consiste em narrar ações passadas utilizando o presente do indicativo, conferindo vivacidade e aproximação do leitor aos acontecimentos.

No segundo parágrafo do texto de Jarid Arraes, observe construções como: “Juliana sempre foi a mais forte. Fazia o tipo mãe de todas. Era a que separava as brigas...” Apesar da referência ao passado das personagens, a autora emprega predominantemente o presente histórico (há um predomínio do presente e ações com valor habitual ou descritivo), transportando o leitor para o momento narrado, como se presenciasse o que está sendo contado. É um destaque estilístico, como bem discutem Bechara e Cunha & Cintra, fontes clássicas de gramática normativa.

Justificativa da alternativa correta – B:
“transportar mentalmente o leitor a uma época passada indicando o que então era presente.”
Este é justamente o efeito do presente histórico: o texto narra situações do passado como se ocorressem agora, aumentando a imersão do leitor. Como ensina Bechara (*Moderna Gramática Portuguesa*), tal uso do tempo verbal é frequente em narrativas para destacar e tornar mais vívidos os fatos relatados.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Aponta para presentificação de fatos como se ainda ocorressem, mas o objetivo é o leitor experimentar o passado, não sugerir continuidade no presente.
  • C) Erra ao dizer que as ações se iniciaram no passado e se prolongam até o presente; o presente histórico narra fatos já concluídos, apenas usando o presente para efeito estilístico.
  • D) Apresenta uma definição de um tempo composto, não do presente histórico.
  • E) Sugere futuridade condicionada por fatos passados, o que não faz sentido na função apresentada pelo texto.

Estratégia de prova: Fique atento ao valor expressivo do tempo verbal nas narrativas. O presente histórico costuma cair em questões que exigem leitura atenta do efeito de sentido, portanto, sempre observe como o tempo do verbo altera a percepção do leitor sobre a cronologia e sobre o envolvimento com a narrativa.

Resumo: O uso do presente no segundo parágrafo tem o objetivo de inserir mentalmente o leitor no momento das ações narradas, conferindo intensidade e aproximando o passado do presente da leitura.

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Comentários

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O tempo verbal predominante é o PRETÉRITO IMPERFEITO DO INDICATIVO. Comumente, esse tempo se refere a um fato ocorrido no passado, mas que não foi completamente terminado. Expressando uma ideia de continuidade e de duração no tempo.

  • Pode indicar passados habituais que se repetiam.

Porém, na questão, a resposta pode ser encontrada com o exercício de interpretação do texto, fugindo das características habituais do tempo e questão.

GABARITO B

BONS ESTUDOS

ATÉ PASSAR

questão diferente, gostei!

exige conhecimento dos tempos verbais e, até que bastante, interpretação de texto.

O pretérito imperfeito do indicativo se refere a um fato ocorrido no passado, mas que não foi completamente terminado. Expressando, assim, uma ideia de continuidade e de duração no tempo. É usado em lendas e fábulas e confere um caráter mais polido a pedidos e afirmações.

GABARITO: B

Nas lições de Celso Cunha, “Por expressar, normalmente, um fato inacabado, impreciso, em contínua realização na linha do passado para o presente, o imperfeito é o tempo que melhor se presta a descrições e narrações.”.

1) Indica um fato passado que então era presente, mas não concluído, incompleto, ou que apresenta certa duração.

  • Betinho lutava pela erradicação da fome.
  • Estávamos conversando animadamente, mas fomos interrompidos.
  • Ao passo que subia o morro, ia admirando a paisagem.

2) Indica um fato passado em curso que indica simultaneidade, concomitância a outro fato.

  • A velhinha foi atropelada quando eu atravessava a rua.
  • À medida que as sombras cobriam o dia, eu largava o trabalho.
  • Enquanto eu estudava, ela me atrapalhava.

3) Indica um fato habitual, iterativo, repetitivo, uma ação contínua.

  • Impressionante! Eu chegava, ela saía.
  • Eu fazia musculação todo santo dia.
  • Em toda despedida, era uma choradeira.

4) Normalmente usado em narrações para marcar descrições ou ideias temporais passadas.

  • Era 2008, quando encontrei minha esposa. Ela estava linda! Vestia um lindo vestido florido.

5) Indica um fato passado de maneira vaga, fantasiosa, própria do universo das crianças, do mundo das lendas, dos contos infantis.

  • Era uma vez um rei e uma rainha...

Gabarito B

A) "Errado" - Essa alternativa sugere que o tempo verbal predominante no segundo parágrafo do texto IV tem o efeito de fazer com que os fatos passados sejam presentificados pelo leitor como algo que ainda ocorre no presente.

No entanto, o tempo verbal predominante no parágrafo é o pretérito imperfeito do indicativo, que é usado para descrever ações ou situações que ocorreram no passado de forma habitual ou contínua, e não para presentificar fatos passados.

   {Exemplo: "Quando eu era criança, eu brincava muito na rua."}

B) "Certo" - Essa alternativa está correta. O tempo verbal predominante no segundo parágrafo do texto IV é o pretérito imperfeito do indicativo, que tem o efeito de transportar mentalmente o leitor a uma época passada indicando o que então era presente.

Esse tempo verbal é usado para descrever ações ou situações que ocorreram no passado de forma habitual ou contínua, e ajuda a criar uma sensação de nostalgia e reminiscência(imagem lembrada do passado).

   {Exemplo: "Naquela época, Juliana sempre separava as brigas."}

C) "Errado" - Essa alternativa sugere que o tempo verbal predominante no segundo parágrafo do texto IV tem o efeito de enunciar ações que, iniciadas no passado, estendem-se até o momento atual, o presente da enunciação.

No entanto, o tempo verbal predominante no parágrafo é o pretérito imperfeito do indicativo, que é usado para descrever ações ou situações que ocorreram no passado de forma habitual ou contínua, e não para indicar ações que se estendem até o presente.

   {Exemplo: "Eu estudava muito para as provas."}

D) "Errado" - Essa alternativa sugere que o tempo verbal predominante no segundo parágrafo do texto IV tem o efeito de denotar um fato certo ocorrido no passado que é consequência de outro que não se deu.

No entanto, o tempo verbal predominante no parágrafo é o pretérito imperfeito do indicativo, que é usado para descrever ações ou situações que ocorreram no passado de forma habitual ou contínua, e não para denotar fatos certos ocorridos no passado como consequência de outros que não se deram.

   {Exemplo: "Eu sempre gostava de ir à praia nas férias."}

E) "Errado" - Essa alternativa sugere que o tempo verbal predominante no segundo parágrafo do texto IV tem o efeito de indicar fatos que, ocorridos no passado, ainda se darão no futuro dependendo de certas condições.

No entanto, o tempo verbal predominante no parágrafo é o pretérito imperfeito do indicativo, que é usado para descrever ações ou situações que ocorreram no passado de forma habitual ou contínua, e não para indicar fatos passados que ainda se darão no futuro.

   {Exemplo: "Nós íamos ao cinema todos os sábados."}

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