Considerando o tipo de linguagem, pode-se afirmar que, no t...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3839970 Português
O que acontece com os seus dados quando você clica em “aceito”?



     A cena é conhecida: você instala um aplicativo novo ou entra em um site pela primeira vez e uma janela aparece ocupando quase toda a tela. Um texto enorme, letras miúdas, rolagem infinita. Lá embaixo, dois botões: “Li e concordo” e “Cancelar”. Você olha o relógio, pensa na pressa e, sem ler nada, clica em “aceito”. A janela some, a navegação continua e parece que nada mudou. Mas é justamente ali que muita coisa começa.

       Ao clicar em “aceito”, você autoriza o aplicativo ou o site a coletar informações sobre o que faz ali. Horários de acesso, páginas visitadas, produtos pesquisados, vídeos assistidos, tempo em cada tela. Se for um app de mobilidade, registra de onde você saiu e para onde foi. Se for um mensageiro, guarda dados sobre com quem você conversa, com que frequência, em quais horários. Muitas vezes, também são coletados dados do aparelho: modelo do celular, sistema operacional, idioma, localização aproximada.

      Enquanto você usa o serviço, esses dados são reunidos em pequenos pacotes invisíveis e enviados para servidores, muitas vezes em outros países. Ali são armazenados, organizados e cruzados. Um conjunto de buscas, somado ao lugar em que você está, pode indicar que pensa em viajar. Curtidas, comentários e páginas seguidas ajudam a desenhar seu perfil de interesses, opiniões e hábitos de consumo.

      Parte disso é usada para facilitar sua vida: lembrar você de uma compra não finalizada, sugerir uma música parecida com a que ouviu, mostrar notícias de temas que costuma ler. Há um lado prático nisso. Mas o mesmo conjunto de informações pode servir a finalidades que você desconhece: venda de perfis para empresas de publicidade, campanhas políticas segmentadas, ofertas construídas para explorar medos e inseguranças.

      Quando você vê um anúncio que parece “adivinhar” algo que pensou, o que foi lido não foram seus pensamentos, mas o rastro digital que deixou. Cookies, histórico de navegação, tempo parado em cada publicação, tudo isso ajuda a montar um retrato de quem você é como usuário. Não interessa tanto o seu nome, e sim o seu comportamento: quanto compra, quanto compartilha, o que tende a rejeitar, o que tende a repetir.

    O problema fica ainda mais visível quando há vazamentos de dados. Aquele cadastro esquecido em uma loja virtual, aquela senha repetida em vários serviços, aquele e-mail antigo, podem parar em listas que circulam entre golpistas. Às vezes, o impacto é direto, com tentativas de acesso a contas bancárias. Em outros casos, é silencioso: alguém abre contas em seu nome, assina serviços, testa combinações de senha até encontrar uma que funcione.

       O clique em “aceito” não é, por si só, um erro. O desequilíbrio está na relação de forças. De um lado, um usuário cansado, quase sempre sem tempo e sem formação jurídica; do outro, empresas com equipes especializadas em transformar cada dado em oportunidade de negócio. Enquanto os termos continuarem longos, técnicos e difíceis, a maioria seguirá clicando sem ler.

     A grande questão talvez não seja convencer todos a ler cada contrato, mas construir um ambiente digital em que os acordos sejam compreensíveis e verdadeiramente negociáveis. Até lá, cada “aceito” continua sendo um voto de confiança silencioso em sistemas que você raramente enxerga e que, na maioria das vezes, sabem muito mais sobre você do que você imagina.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
Considerando o tipo de linguagem, pode-se afirmar que, no texto, predomina uma linguagem 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: O critério decisivo é a predominância de linguagem verbal escrita, em registro formal e sentido majoritariamente denotativo, com tecnicidade moderada; isso se evidencia no trecho "Ao clicar em “aceito”, você autoriza o aplicativo ou o site a coletar informações sobre o que faz ali. Horários de acesso, páginas visitadas, produtos pesquisados, vídeos assistidos, tempo em cada tela.", que mostra exposição objetiva e literal das informações, o que conduz à alternativa A.

Tema central: tipo de linguagem
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A descreve com precisão a materialidade do texto: ele é integralmente verbal, organizado em frases e parágrafos expositivos, redigido em variedade padrão e com sintaxe regular. O vocabulário é acessível, embora inclua termos técnicos do universo digital, como “cookies”, “histórico de navegação” e “servidores”, sem transformar o texto em linguagem especializada. Além disso, a finalidade principal é explicar objetivamente o que acontece com os dados do usuário, o que confirma a predominância do sentido denotativo.
B
Errada
A alternativa erra ao afirmar linguagem coloquial com grande presença de gírias, abreviações e marcas fortes de oralidade informal. O texto não apresenta esses traços: mantém padrão escrito monitorado, construção sintática organizada e vocabulário expositivo. O uso de “você” aproxima o leitor, mas não caracteriza coloquialidade informal forte.
C
Errada
A alternativa é incompatível com a modalidade do texto. O sentido se constrói por frases escritas completas e parágrafos informativos, não por imagens, gráficos ou símbolos. Portanto, a linguagem é verbal, e não não verbal.
D
Errada
A alternativa exagera ao dizer que a linguagem é estritamente conotativa e composta apenas de metáforas. O texto traz informação objetiva sobre coleta, armazenamento e uso de dados, com enumerações concretas como “Horários de acesso, páginas visitadas, produtos pesquisados, vídeos assistidos, tempo em cada tela.” Há recursos expressivos pontuais, como “rastro digital”, mas eles não substituem a base informativa do texto.
E
Errada
A alternativa erra no grau de tecnicidade. O texto inclui alguns termos técnicos do campo digital, mas em quantidade moderada e integrados a uma explicação acessível. Não há fórmulas nem referências a normas jurídicas específicas. A menção a “formação jurídica” não transforma o texto em peça jurídica ou excessivamente técnica.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre predominância e exclusividade: há interlocução com o leitor, alguns termos técnicos e imagens pontuais, mas isso não muda o fato de que predomina linguagem verbal formal, de sentido principalmente denotativo e com tecnicidade moderada.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique primeiro a modalidade dominante: se o sentido depende de frases e parágrafos escritos, a linguagem é verbal.
  • Diferencie aproximação com o leitor de oralidade informal: o uso de “você” não basta para tornar o texto coloquial.
  • Observe se o texto informa e explica fatos de modo objetivo; se sim, o sentido predominante é denotativo, mesmo com figuras pontuais.
  • Avalie o grau de tecnicidade pelo conjunto: alguns termos técnicos não tornam o texto excessivamente especializado.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo

Comentários

Veja os comentários dos nossos alunos

Resposta correta: A

O texto é:

  • É predominantemente verbal (construído por palavras, não por imagens);
  • Utiliza a norma-padrão da língua, sem gírias ou marcas fortes de oralidade;
  • Emprega termos técnicos de forma moderada (ex.: sistemas, dados, contratos), sem excesso;
  • Tem predomínio do sentido denotativo, ainda que use pontualmente recursos conotativos (como metáforas), o que é comum em textos argumentativos/reflexivos.

Clique para visualizar este comentário

Visualize os comentários desta questão clicando no botão abaixo