A função da linguagem predominante no texto é 

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Q3839969 Português
O que acontece com os seus dados quando você clica em “aceito”?



     A cena é conhecida: você instala um aplicativo novo ou entra em um site pela primeira vez e uma janela aparece ocupando quase toda a tela. Um texto enorme, letras miúdas, rolagem infinita. Lá embaixo, dois botões: “Li e concordo” e “Cancelar”. Você olha o relógio, pensa na pressa e, sem ler nada, clica em “aceito”. A janela some, a navegação continua e parece que nada mudou. Mas é justamente ali que muita coisa começa.

       Ao clicar em “aceito”, você autoriza o aplicativo ou o site a coletar informações sobre o que faz ali. Horários de acesso, páginas visitadas, produtos pesquisados, vídeos assistidos, tempo em cada tela. Se for um app de mobilidade, registra de onde você saiu e para onde foi. Se for um mensageiro, guarda dados sobre com quem você conversa, com que frequência, em quais horários. Muitas vezes, também são coletados dados do aparelho: modelo do celular, sistema operacional, idioma, localização aproximada.

      Enquanto você usa o serviço, esses dados são reunidos em pequenos pacotes invisíveis e enviados para servidores, muitas vezes em outros países. Ali são armazenados, organizados e cruzados. Um conjunto de buscas, somado ao lugar em que você está, pode indicar que pensa em viajar. Curtidas, comentários e páginas seguidas ajudam a desenhar seu perfil de interesses, opiniões e hábitos de consumo.

      Parte disso é usada para facilitar sua vida: lembrar você de uma compra não finalizada, sugerir uma música parecida com a que ouviu, mostrar notícias de temas que costuma ler. Há um lado prático nisso. Mas o mesmo conjunto de informações pode servir a finalidades que você desconhece: venda de perfis para empresas de publicidade, campanhas políticas segmentadas, ofertas construídas para explorar medos e inseguranças.

      Quando você vê um anúncio que parece “adivinhar” algo que pensou, o que foi lido não foram seus pensamentos, mas o rastro digital que deixou. Cookies, histórico de navegação, tempo parado em cada publicação, tudo isso ajuda a montar um retrato de quem você é como usuário. Não interessa tanto o seu nome, e sim o seu comportamento: quanto compra, quanto compartilha, o que tende a rejeitar, o que tende a repetir.

    O problema fica ainda mais visível quando há vazamentos de dados. Aquele cadastro esquecido em uma loja virtual, aquela senha repetida em vários serviços, aquele e-mail antigo, podem parar em listas que circulam entre golpistas. Às vezes, o impacto é direto, com tentativas de acesso a contas bancárias. Em outros casos, é silencioso: alguém abre contas em seu nome, assina serviços, testa combinações de senha até encontrar uma que funcione.

       O clique em “aceito” não é, por si só, um erro. O desequilíbrio está na relação de forças. De um lado, um usuário cansado, quase sempre sem tempo e sem formação jurídica; do outro, empresas com equipes especializadas em transformar cada dado em oportunidade de negócio. Enquanto os termos continuarem longos, técnicos e difíceis, a maioria seguirá clicando sem ler.

     A grande questão talvez não seja convencer todos a ler cada contrato, mas construir um ambiente digital em que os acordos sejam compreensíveis e verdadeiramente negociáveis. Até lá, cada “aceito” continua sendo um voto de confiança silencioso em sistemas que você raramente enxerga e que, na maioria das vezes, sabem muito mais sobre você do que você imagina.


Fonte: BANCA EXAMINADORA
 A função da linguagem predominante no texto é 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Predomina a função referencial porque o texto tem foco no referente e na transmissão de informações objetivas sobre a coleta de dados no ambiente digital, como se vê em: "Ao clicar em “aceito”, você autoriza o aplicativo ou o site a coletar informações sobre o que faz ali."

Tema central: coleta de dados digitais
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque o texto não é confessional nem centrado nos sentimentos do autor. Não há uso predominante da primeira pessoa do singular para exteriorizar emoções pessoais. O emprego de “você” serve para envolver o leitor na explicação do tema, não para caracterizar função emotiva.
B
Errada
Está errada porque o texto não explica a língua portuguesa nem discute palavras, regras ou o próprio código verbal. O conteúdo recai sobre aplicativos, sites, coleta de dados, perfis e privacidade. Expor um tema não é o mesmo que usar função metalinguística.
C
Errada
Está errada porque o texto não tem como finalidade testar, iniciar ou manter o canal de comunicação por fórmulas de contato. A interlocução com o leitor aparece como estratégia de desenvolvimento do assunto, mas o objetivo central é informar sobre a coleta e o uso de dados.
D
Errada
Está errada porque a linguagem do texto é direta e explicativa, sem predominância de efeitos de ritmo, rima, sonoridade ou elaboração formal da mensagem. A presença eventual de formulação expressiva isolada não desloca o eixo do texto para a função poética.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o texto se organiza de modo expositivo-informativo para esclarecer o leitor sobre o que acontece com seus dados ao clicar em “aceito”. Ele explica coleta, armazenamento, cruzamento, usos e riscos dessas informações, sempre com foco no referente, isto é, no fenômeno tratado. Mesmo quando há avaliação crítica, o eixo permanece informativo e analítico, não subjetivo, metalinguístico, fático ou estético.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre texto que explica algo e função metalinguística, além da tendência de tomar o uso de “você” e o tom de alerta como sinais de função emotiva ou fática. O ponto decisivo, porém, é que a questão pede a função predominante.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro qual é o objetivo comunicativo dominante do texto: aqui, explicar e analisar um fato do mundo real.
  • Se o texto está centrado no assunto tratado e transmite informações objetivas, a tendência é de função referencial.
  • Não confunda tom crítico ou de alerta com função emotiva se não houver centralidade nos sentimentos do emissor.
  • Texto expositivo sobre qualquer tema só é metalinguístico quando a linguagem passa a explicar o próprio código.

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Comentários

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E-Referencial

  1. Está informando? → Referencial
  2. Está sentindo? → Emotiva
  3. Está mandando/pedindo? → Conativa
  4. Está “enfeitando” a linguagem? → Poética
  5. Está testando contato? → Fática
  6. Está explicando a língua? → Metalinguística

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