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Ano: 2023 Banca: FURG Órgão: FURG Prova: FURG - 2023 - FURG - Assistente Social |
Q3736315 Serviço Social
Para Ortegal (2018), a história do Brasil é marcada pela invasão colonial para fins de exploração e pela escravidão radicalizada. Esse cenário resultou em um capitalismo "tardio, periférico e estruturalmente racista" (p. 428). Para compreender as relações raciais no Brasil, o autor trabalha algumas perspectivas e, nesse sentido, destacam-se os seguintes argumentos:

I - a perspectiva decolonial se dedica a recuperar e produzir saberes a partir dos lugares, em comum, que os sujeitos ocupam em relação ao processo de subalternização/colonização vivenciado.
II - a teoria da diáspora africana possibilita recompor as dinâmicas de opressão dos países colonizados, extrapolando a questão geográfica.
Ill - a teoria do capitalismo dependente contribui para compreensão das particularidades da realidade social brasileira.
IV - para compreendermos a questão racial no Brasil, é necessário entender a dinâmica do capitalismo nos países subalternos.
V - o racismo é, meramente, uma expressão ou subproduto das desigualdades sociais capitalistas.

A partir da linha de pensamento do autor citado, estão corretas:
Alternativas

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Tema central: A questão aborda as perspectivas teóricas para compreender as relações raciais no Brasil, articulando conceitos como decolonialidade, diáspora africana e capitalismo dependente, conforme Ortegal (2018).

Explicação didática: As lógicas de colonização e subalternização marcaram profundamente a formação social brasileira. Para analisar criticamente as relações raciais no país, é essencial considerar:

  • A perspectiva decolonial busca dar voz a saberes silenciados pelo colonialismo e valorizar experiências periféricas (afirmação I).
  • A teoria da diáspora africana discute como os africanos deslocados forçadamente mantêm suas identidades e sofrem opressão em múltiplos territórios, indo além da mera dimensão geográfica (afirmação II).
  • O capitalismo dependente explica as particularidades da estrutura social e econômica brasileira, marcada pela herança colonial e pelo racismo estrutural (afirmação III).
  • Compreender o racismo exige analisar o capitalismo periférico, pois as dinâmicas econômicas dos países subalternos potencializam desigualdades raciais (afirmação IV).

Já a afirmação V reduz o racismo a mero produto do capitalismo, o que está incorreto. O racismo estrutura e antecede a dinâmica capitalista, operando de modo autônomo e articulado à economia, mas não sendo “apenas” um subproduto dela.

Por isso, a resposta correta é a alternativa D: I, II, III e IV.

Análise das alternativas:

  • A) Errada, pois V é incorreta.
  • B) Incompleta, pois desconsidera III e IV.
  • C) Incompleta, falta III, que é essencial para o entendimento do capitalismo dependente.
  • D) Correta, pois reúne as perspectivas teóricas válidas.
  • E) Errada, pois V está conceitualmente equivocada.

Situações de prova: Atenção para palavras como “meramente”, “apenas”, “sempre” – elas costumam indicar reducionismo ou generalização indevida. Questões sobre racismo exigem reconhecer suas raízes históricas profundas, articuladas mas não subordinadas exclusivamente ao capitalismo.

Resumo: Use o cruzamento entre múltiplas teorias para fundamentar suas respostas sobre relações raciais, sempre evitando simplificações.

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