A linguagem da crônica tenta aproximar-se da linguagem cotid...
Leia o texto abaixo para responder às próximas questões:
Pai não entende nada
A filha de 14 anos chega para o pai e diz:
- Pai, preciso comprar um biquíni novo.
- Mas filha, você comprou um biquíni no ano passado.
- Ah pai, quero um biquíni novo.
- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.
- Mas eu quero, pai.
- Tá bom, filha. Pegue esse dinheiro e compre um biquíni
maior.
- Maior não, pai. Menor.
Pai não entende nada mesmo!
Luís Fernando Veríssimo.
A linguagem da crônica tenta aproximar-se da linguagem cotidiana, já que aborda situações comuns no dia a dia das pessoas. Essa intencionalidade muitas vezes faz com que esses textos apresentem desvios gramaticais, por muitas vezes sutis, fazendo com que nem todos percebam essas ocorrências. Assinale a alternativa que explique corretamente o desvio apresentado no excerto abaixo:
- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.
Alternativas:
- Gabarito Comentado (1)
- Aulas (2)
- Comentários (1)
- Estatísticas
- Cadernos
- Criar anotações
- Notificar Erro
Gabarito comentado
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Tema central da questão: Uniformidade de tratamento. O ponto cobrado é a coerência na escolha de pronomes e concordância verbal ao se tratar a mesma pessoa durante o discurso, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Na frase da crônica:
- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.
Ocorre: uso do pronome possessivo “teu” (segunda pessoa) junto de “você” (pronome de tratamento de terceira pessoa), produzindo incoerência na forma de tratamento. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, deve haver uniformidade no tratamento, isto é, se você escolhe uma pessoa gramatical (tu ou você), deve manter essa escolha na frase inteira – norma-padrão exige consistência.
Alternativa correta: C) Existe uma incoerência na forma de tratamento...
Está certíssima. O filho é tratado na segunda pessoa (“teu”), depois passa para a terceira pessoa (“você”). Conforme as gramáticas de referência (Bechara, Cunha & Cintra), a mistura é inadequada na modalidade culta.
Análise das alternativas incorretas:
A) Sugere proibição de vírgula após “filha”. Isso é incorreto, pois “filha” é vocativo, deve ser isolado por vírgula (Manual de Redação da PR).
B) Diz que o ponto final deveria ser ponto e vírgula, o que não é verdade. Ponto final é plenamente aceito nesse contexto pois separa orações independentes.
D) Contrapõe “nem” a “não”. “Nem” está correto para dar ênfase negativa, comum na fala cotidiana e aceita na crônica.
E) Proíbe início de período com “e”. Isso é um mito: em textos literários e jornalísticos, pode-se começar períodos com conjunções para efeito de estilo e fluidez (ver Cunha & Cintra).
Dica de prova: Atenção às pegadinhas de troca de pronomes e tratamento! Mantenha sempre a mesma pessoa gramatical em todo o trecho. Isso evita incoerências e mostra domínio da norma culta.
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Comentários
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Existe uma incoerência na forma de tratamento, pois o pai usa a segunda pessoa no pronome possessivo “teu” e a terceira pessoa na forma de tratamento “você”. Para manter correta a concordância, ele deveria usar "teu" com "tu" ou "seu" com "você".
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