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Q2423670 Português

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Pai não entende nada


A filha de 14 anos chega para o pai e diz:

- Pai, preciso comprar um biquíni novo.

- Mas filha, você comprou um biquíni no ano passado.

- Ah pai, quero um biquíni novo.

- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.

- Mas eu quero, pai.

- Tá bom, filha. Pegue esse dinheiro e compre um biquíni

maior.

- Maior não, pai. Menor.

Pai não entende nada mesmo!

Luís Fernando Veríssimo.

A linguagem da crônica tenta aproximar-se da linguagem cotidiana, já que aborda situações comuns no dia a dia das pessoas. Essa intencionalidade muitas vezes faz com que esses textos apresentem desvios gramaticais, por muitas vezes sutis, fazendo com que nem todos percebam essas ocorrências. Assinale a alternativa que explique corretamente o desvio apresentado no excerto abaixo:


- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.


Alternativas:

Alternativas

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Tema central da questão: Uniformidade de tratamento. O ponto cobrado é a coerência na escolha de pronomes e concordância verbal ao se tratar a mesma pessoa durante o discurso, conforme a norma-padrão da Língua Portuguesa.

Na frase da crônica:

- Filha, teu biquíni é novo. E você nem cresceu tanto assim.

Ocorre: uso do pronome possessivo “teu” (segunda pessoa) junto de “você” (pronome de tratamento de terceira pessoa), produzindo incoerência na forma de tratamento. Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra, deve haver uniformidade no tratamento, isto é, se você escolhe uma pessoa gramatical (tu ou você), deve manter essa escolha na frase inteira – norma-padrão exige consistência.

Alternativa correta: C) Existe uma incoerência na forma de tratamento...

Está certíssima. O filho é tratado na segunda pessoa (“teu”), depois passa para a terceira pessoa (“você”). Conforme as gramáticas de referência (Bechara, Cunha & Cintra), a mistura é inadequada na modalidade culta.

Análise das alternativas incorretas:

A) Sugere proibição de vírgula após “filha”. Isso é incorreto, pois “filha” é vocativo, deve ser isolado por vírgula (Manual de Redação da PR).

B) Diz que o ponto final deveria ser ponto e vírgula, o que não é verdade. Ponto final é plenamente aceito nesse contexto pois separa orações independentes.

D) Contrapõe “nem” a “não”. “Nem” está correto para dar ênfase negativa, comum na fala cotidiana e aceita na crônica.

E) Proíbe início de período com “e”. Isso é um mito: em textos literários e jornalísticos, pode-se começar períodos com conjunções para efeito de estilo e fluidez (ver Cunha & Cintra).

Dica de prova: Atenção às pegadinhas de troca de pronomes e tratamento! Mantenha sempre a mesma pessoa gramatical em todo o trecho. Isso evita incoerências e mostra domínio da norma culta.

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Existe uma incoerência na forma de tratamento, pois o pai usa a segunda pessoa no pronome possessivo “teu” e a terceira pessoa na forma de tratamento “você”. Para manter correta a concordância, ele deveria usar "teu" com "tu" ou "seu" com "você".

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