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Q3545619 Português
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Também já fui brasileiro

Carlos Drummond de Andrade

Eu também já fui brasileiro
Moreno como vocês.
Ponteei viola, guiei forde
e aprendi na mesa dos bares
que o nacionalismo é uma virtude
Mas há uma hora em que os bares se fecham
e todas as virtudes se negam.

Eu também já fui poeta.
Bastava olhar para mulher,
pensava logo nas estrelas
e outros substantivos celestes.

Mas eram tantas, o céu tamanho,
minha poesia perturbou-se.
Eu também já tive meu ritmo.
Fazia isto, dizia aquilo.

E meus amigos me queriam,
meus inimigos me odiavam.
Eu irônico deslizava
satisfeito de ter meu ritmo.

Mas acabei confundindo tudo.
Hoje não deslizo mais não,
não sou irónico mais não,
não tenho ritmo mais não.

Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. http://www.horizonte.unam.mx/brasil/drumm1a.html, acesso em, 06 de out. 2023.
Considerando o poema "Também já fui brasileiro" de Carlos Drummond de Andrade, identifique a alternativa que melhor expressa a ideia do poeta.
Alternativas

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Tema central da questão: Interpretação de texto em poesia, com foco na compreensão de ideias implícitas, leitura crítica e análise de figuras de linguagem (especialmente ironia e metáfora).

Justificativa da alternativa correta (B):

A alternativa B é a correta porque interpreta com precisão o conteúdo e o subtexto do poema de Carlos Drummond de Andrade. O eu lírico manifesta desencanto com antigas virtudes e padrões, afirmando que “há uma hora em que os bares se fecham e todas as virtudes se negam”. Com isso, Drummond rompe com ideais nacionalistas profundos – traço típico do Modernismo. Também abandona os ritmos e formas tradicionais (“não deslizo mais não, não sou irônico mais não, não tenho ritmo mais não”), indicando um afastamento dos modelos poéticos antigos. Segundo Bechara, o Modernismo caracteriza-se por “quebra com a tradição e crítica irônica à sociedade” (Moderna Gramática Portuguesa).

Análise das alternativas incorretas:

A) Incorreta – A alternativa sugere reflexão sobre experiência em outro país, o que não existe no poema. O texto é sobre transformações pessoais e visão crítica das virtudes nacionais, não sobre vivência estrangeira.

C) Incorreta – Relaciona o fechamento dos bares à negação da cultura brasileira por parte do poeta. No entanto, “bares” aqui funciona como metáfora para momentos de convivência social e, sobretudo, para mostrar a efemeridade das virtudes. Não há rejeição direta à cultura do país.

D) Incorreta – Afirma que o poeta acredita na eternidade das virtudes, mesmo na ausência dos bares. O texto sustenta o contrário: “todas as virtudes se negam”, deixando claro o caráter transitório dessas ideias.

Estratégia para resolver questões assim:

  • Leia atentamente os trechos centrais, buscando ideias implícitas e figuras de linguagem;
  • Fique atento a expressões irônicas ou críticas;
  • Evite respostas que trazem informação além do texto ou interpretam de forma literal metáforas e ironias.

Assim, a alternativa B é a mais adequada à mensagem do autor e ao contexto modernista.

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