A realização do exame citopatológico de Papanicolaou tem si...
Gabarito comentado
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Tema central: interpretação de achados microbiológicos no exame citopatológico (Papanicolaou) e a conduta adequada. A citologia cervical é método de rastreamento de lesões precursoras do câncer do colo; achados de flora geralmente não indicam tratamento na ausência de sintomas.
Gabarito: Alternativa A
Justificativa da correta: A presença de Lactobacillus, “cocos” e “outros bacilos” no esfregaço citológico corresponde, na maioria dos casos, à flora vaginal normal ou a variações inespecíficas, sem correlação obrigatória com infecção ativa. Segundo a Nomenclatura Brasileira (baseada no Sistema Bethesda) e as Diretrizes do Ministério da Saúde, esses achados não requerem tratamento quando a paciente está assintomática; a citologia não é exame de escolha para diagnosticar/vigiar infecções (ex.: vaginose, candidíase) e não deve por si só guiar terapêutica.
Estratégia de prova: Identifique palavras-chave que denotem microbiota sem descrição específica (p.ex., “cocos”, “outros bacilos”). Sem sintomas ou sinais específicos (clue cells, hifas, Trichomonas, Actinomyces), a conduta é nenhuma intervenção, manter rastreamento habitual.
Análise das alternativas incorretas:
B. “Achados típicos de lesão intraepitelial” — errado. Lactobacillus/cocos/bacilos não caracterizam lesões escamosas; lesões são definidas por atipias celulares (LSIL/HSIL) e/ou HPV (Bethesda). Radioterapia pode gerar alterações reativas, não flora específica.
C. “Persistência/recidiva pós-radioterapia” — incorreto. Recidiva é avaliada por citologia com atipias, HPV, colposcopia e biópsia, ou imagem. Flora bacteriana não é marcador de recidiva.
D. “ASC-US” — falso. ASC-US exige atipia nuclear discreta em células escamosas; microbiota não define ASC-US. Muitas vezes, inflamação pode causar reatividade, mas precisa de descrição citológica, não de bactéria.
E. “Colposcopia como primeira escolha” — não. Colposcopia é indicada para anormalidades epiteliais (p.ex., ASC-H, HSIL) ou risco elevado por HPV. Achados microbiológicos inespecíficos não justificam colposcopia.
Conduta prática (quando reportada flora):
- Assintomática: sem tratamento, seguir rastreamento habitual.
- Sintomática (corrimento, odor, prurido): investigar com exame clínico, pH, teste de aminas, Gram (Nugent) ou testes rápidos; tratar conforme diagnóstico (ex.: vaginose, candidíase, tricomoníase).
Pegadinha comum: confundir “cocobacilos” com diagnóstico automático de vaginose bacteriana. No Papanicolaou, apenas a presença de clue cells sugere VB; ainda assim, a conduta depende de quadro clínico e confirmação laboratorial.
Referências essenciais: Ministério da Saúde. Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero; Nomenclatura brasileira para laudos citopatológicos (Sistema Bethesda); ASCCP 2019 Risk-Based Management; UpToDate – Approach to abnormal cervical cytology and reporting of microbiology in Pap tests.
Resposta final: A.
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Comentários
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A -São considerados achados normais, fazem parte da flora vaginal e não caracterizam infecções que necessitem de tratamento
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