Com relação à endometriose, é VERDADEIRO que: 

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Q3330642 Medicina
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Tema central: Endometriose e opções terapêuticas baseadas em evidências. Doença inflamatória crônica, estrogênio-dependente, caracterizada por implantes de endométrio ectópico que geram dor pélvica, dismenorreia, dispareunia e infertilidade.

Alternativa correta: CProgestogênios (ex.: dienogeste, acetato de medroxiprogesterona, desogestrel contínuo, LNG-IUS) induzem decidualização (transformação do tecido endometrial sob ação da progesterona) e subsequente atrofia dos implantes, reduzindo a inflamação e a dor. São terapia de primeira linha para dor associada à endometriose e têm boa eficácia clínica. Referências: ESHRE Guideline 2022/2023, ACOG Practice Bulletin, UpToDate.

Por que essa é a melhor resposta? A dor decorre da atividade cíclica dos implantes e do microambiente inflamatório. Ao suprimir a proliferação endometrial e estabilizar o tecido, os progestógenos diminuem sangramento intralesional e nocicepção, com melhora de dismenorreia e dispareunia.

Análise das incorretas

A – “80% das mulheres inférteis têm endometriose” é superestimado. A prevalência de endometriose entre mulheres inférteis é de ~25–50%; e cerca de 30–50% das mulheres com endometriose apresentam infertilidade. Número de 80% não é sustentado (ESHRE, UpToDate).

B – “Não se utiliza a castração” é falso. Em casos refratários, em mulheres sem desejo reprodutivo, pode-se indicar ooforectomia bilateral (com ou sem histerectomia) como opção definitiva, após falha de tratamento clínico e cirúrgico conservador. Logo, dizer que não se utiliza é incorreto (ACOG; ESHRE).

D – “ACO contínuo é infrutífero” está errado. Anticoncepcional combinado em regime contínuo segue como primeira linha para controle de dor, reduzindo sangramento e atividade dos implantes. Evidência de eficácia permanece atual (ESHRE 2022/2023; UpToDate).

Estratégia de prova

  • Desconfie de absolutos (ex.: “não se utiliza”). Em endometriose, há exceções (cirurgia definitiva).
  • Números muito altos (ex.: 80%) costumam sinalizar pegadinha. Compare com prevalências clássicas.
  • Lembre a tríade terapêutica da dor: ACO contínuo, progestagênios (inclui LNG-IUS) e análogo/antagonista de GnRH com terapia de reposição (“add-back”). Cirurgia é reservada a falhas ou desejo reprodutivo.

Resumo prático: Para dor por endometriose, inicie tratamento hormonal (ACO contínuo ou progestagênio). Escalonar para GnRH se necessário. Considerar cirurgia conservadora para dor refratária e/ou infertilidade por fator anatômico. Cirurgia definitiva é exceção para casos refratários sem desejo gestacional.

Fontes: ESHRE Guideline on Endometriosis (2022/2023 update); ACOG Practice Bulletin/Committee Opinions; UpToDate – Management of endometriosis-associated pain (acesso 2024).

Gabarito: C

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