Segundo o texto, os riscos e desafios:

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Q203489 Português

       O AMOR COMO MEIO, NÃO COMO FIM

       Há algo errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada.

       Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra, usufruindo o aconchego de ter achado sua “metade da laranja”. Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social, etc. – parece não ter a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.

       Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam alertas e intrigados; que nos fazem muito bem.

       Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.

       Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria e coragem – e isso ninguém contesta – por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.

(GIKOVATE, Flávio. Cláudia. São Paulo: Abril, agosto 1989. Condensado)


Segundo o texto, os riscos e desafios:
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O comando "Segundo o texto" exige localizar a informação expressa no trecho do 3º parágrafo: "Sabemos que eles nos deixam alertas e intrigados; que nos fazem muito bem." A alternativa correta é a que mantém esse sentido sem acréscimo ou alteração, portanto a letra E.

Tema central: informação explícita
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque introduz a ideia de covardia, que não aparece no texto. O trecho decisivo atribui efeito positivo aos riscos e desafios: "nos deixam alertas e intrigados; que nos fazem muito bem." Portanto, "nos tornam covardes" é sentido incompatível com a informação explícita.
B
Errada
Está errada porque afirma um efeito negativo — dificultar o crescimento humano — sem apoio textual. O autor não diz isso; ao contrário, avalia riscos e desafios positivamente ao afirmar que "nos fazem muito bem."
C
Errada
Está errada por substituir indevidamente o que o texto diz e ainda acrescentar conteúdo inexistente. O texto afirma que os riscos e desafios nos deixam "alertas e intrigados"; não diz que nos tornam "submissos perante as pessoas que nos cercam". Há adulteração do sentido textual.
D
Errada
Está errada porque troca a informação literal por uma inferência mais ampla. Pode parecer associável a "alertas e intrigados", mas o texto não afirma explicitamente que riscos e desafios "nos fazem repensar ações e opiniões". Como o comando exige resposta segundo o texto, prevalece o efeito textualizado: "nos fazem muito bem".
E
Certa
A alternativa E corresponde ao trecho em que o autor atribui aos riscos e desafios um efeito positivo, expresso literalmente por "nos fazem muito bem". Como a questão pede o que o texto diz, e não uma inferência ampliada, essa é a única opção que preserva o sentido direto do enunciado.
Pegadinha da questão
A banca explora a troca da literalidade por inferências plausíveis: a alternativa D parece aceitável por derivação interpretativa, mas o texto traz uma formulação expressa e direta, reproduzida apenas na letra E. Outra armadilha é associar "riscos" e "desafios" a efeitos negativos por conhecimento de mundo, embora o autor os avalie positivamente.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando vier com "Segundo o texto", procure primeiro a formulação expressa no texto antes de aceitar paráfrases interpretativas.
  • Se houver uma alternativa que reproduza literalmente o sentido do trecho decisivo, ela prevalece sobre opções apenas plausíveis.
  • Elimine alternativas que acrescentem palavras ou efeitos não textualizados, como "covardes", "submissos" ou outras avaliações ausentes.

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Comentários

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Resposta: Letra E

Justificativa:

"Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam alertas e intrigados; que nos fazem muito bem.

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