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Q3368395 Medicina
Em relação ao tratamento de tumores HER-2 positivo, podemos afirmar que:
Alternativas

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Tema central: tratamento do câncer de mama HER2-positivo com terapias-alvo anti-HER2 e suas particularidades (mecanismo, segurança e indicação).

Alternativa correta: ATrastuzumabe e Pertuzumabe ligam-se a epítopos diferentes do receptor HER2: o trastuzumabe se liga ao domínio IV (região próxima à membrana), inibindo a sinalização e promovendo ADCC; o pertuzumabe se liga ao domínio II, bloqueando a dimerização HER2 (especialmente com HER3), mecanismo crítico de ativação. Essa dupla inibição é a base da combinação consagrada em ensaios como CLEOPATRA (metastático) e em cenários neoadjuvantes/adjuvantes para alto risco (NCCN/ESMO/ASCO; UpToDate).

Por que é a escolha certa? O reconhecimento dos domínios extracelulares (II e IV) é ponto clássico de prova e explica a sinergia clínica da dupla anti-HER2. Diretrizes internacionais confirmam esses alvos e o benefício da combinação em sobrevida.

Análise das incorretas

B – O uso concomitante de antraciclina (ex.: doxorrubicina) com trastuzumabe não é recomendado devido a cardiotoxicidade aumentada. Quando se usa antraciclina em adjuvância, o trastuzumabe é administrado sequencialmente (ex.: AC → taxano + trastuzumabe). Alternativamente, preferem-se esquemas sem antraciclina (ex.: TCH/P – docetaxel, carboplatina, trastuzumabe ± pertuzumabe) justamente para reduzir risco cardíaco (NCCN/ESMO/ASCO).

C – Assinaturas genômicas como Oncotype DX e MammaPrint não são indicadas em tumores HER2-positivos. Seu uso é validado para RH-positivo, HER2-negativo (N0 ou N1 limitado) para estimar benefício de quimioterapia. Em HER2+, a presença do alvo já direciona para quimio + anti-HER2, tornando o teste dispensável (ASCO 2022/2023; NCCN 2024; UpToDate).

D – O monitoramento cardiológico é essencial durante o tratamento com trastuzumabe (eco seriado a cada ~3 meses), porém a sua cardiotoxicidade típica é do tipo II, geralmente reversível com suspensão e manejo clínico, ao contrário da tipo I (antraciclina), que tende a ser irreversível. Afirmar que “geralmente é irreversível” está em desacordo com a evidência (ESMO/ASCO; UpToDate).

Dicas de prova e conduta prática

- Memorize: Trastuzumabe → Domínio IV; Pertuzumabe → Domínio II (dimerização).
- Nunca associar simultaneamente antraciclina + trastuzumabe.
- Não usar Oncotype/MammaPrint em HER2+.
- Cardiotoxicidade do trastuzumabe: monitorar e lembrar do caráter geralmente reversível.
- Adjuvância: anti-HER2 por aprox. 1 ano; considerar dupla anti-HER2 em alto risco (linfonodo positivo, T>2 cm).

Referências: NCCN Breast Cancer Guidelines (2024); ESMO 2023 Early/Advanced Breast Cancer; ASCO Guidelines adjuvant/neoadjuvant HER2+; UpToDate: “Systemic therapy for HER2-positive breast cancer”.

Gabarito: A

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