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Q3194129 Medicina
J.P., 3 anos, é trazido ao pronto-socorro pelo pai com queixa de "não estar comendo direito". O pai relata que a criança está mais quieta e chorosa nos últimos dias, e que notou alguns "roxos" pelo corpo. Ao exame físico, a criança apresenta-se emagrecida, com higiene precária, múltiplas equimoses em diferentes estágios de evolução em braços, pernas e tronco, além de uma fratura em espiral no antebraço esquerdo, sem história de trauma relatada pelo pai. Durante a consulta, a criança evita contato visual e demonstra medo do pai. Diante desse quadro, o pediatra levanta a suspeita de violência doméstica. Quais os principais achados na história e exame físico que sustentam essa suspeita e qual a conduta médica adequada nesse caso? 
Alternativas

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Tema central: Violência doméstica em pediatria (suspeita e conduta). Em provas, procure por: equimoses em diferentes estágios, lesões sem história compatível, fraturas com mecanismo inconsistente, comportamento de medo do cuidador, além de abandono/neglect (higiene precária, emagrecimento). Esses achados combinados elevam muito a suspeita de maus-tratos.

Alternativa correta: B — Os achados-chave são: múltiplas equimoses em estágios distintos (sugere episódios repetidos), fratura em espiral sem história plausível e comportamento de medo/evitação. A conduta adequada é notificação imediata e obrigatória ao Conselho Tutelar e rede de proteção, internação para proteção e investigação e avaliação multiprofissional (serviço social, psicologia). Diretrizes da SBP, Ministério da Saúde (notificação de violência interpessoal no SINAN), OMS e UpToDate recomendam garantir segurança, documentar e investigar causas diferenciais (ex.: coagulopatias) sem atrasar a proteção.

Como investigar (resumo prático): documentar lesões (mapa corporal/fotos), hemograma, plaquetas, TP/TTPa e avaliação de coagulopatias; radiografias dirigidas conforme achados e idade (pesquisar outras fraturas); considerar TC de crânio e fundoscopia se sinais neurológicos; tratar dor/fratura. A combinação de neglect (higiene/baixo peso) e agressão física é comum.

Análise das incorretas

A — Rotula como “apenas negligência” e propõe alta. Inadequado: há marcadores de agressão física e risco iminente, exigindo internação protetiva e investigação. Alta sem proteção viola o ECA.

C — Diz que fratura em espiral é patognomônica. Falso: pode ocorrer em acidentes (torção acidental). O que pesa é a incompatibilidade da história e as lesões múltiplas. Acionar polícia pode ocorrer, mas a via prioritária é a notificação e articulação com a rede; não se “afasta” sumariamente sem fluxo legal.

D — Foca em causas orgânicas para inapetência/irritabilidade e ignora sinais clássicos de abuso. Investigar orgânico é válido, mas não substitui a proteção imediata quando há red flags.

E — Minimiza os achados físicos/psicocomportamentais e sugere apenas seguimento ambulatorial. Inadequado diante de equimoses em fases diversas e fratura sem explicação.

Pegadinhas de prova: “Fratura em espiral = abuso” é simplificação errada; o que importa é história incompatível + lesões múltiplas e comportamento. Sempre pense em notificação compulsória, proteção e equipe multiprofissional.

Gabarito: B

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