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A prata é pior do que o bronze?


Daqui a uma semana os Jogos Olímpicos de Inverno começam em Pequim. Cerca de 3.000 atletas disputarão a competição mais importante de suas vidas. Poucos serão campeões, a maioria não subirá no pódio, e isso faz parte do esporte.

Não sei se você já reparou que, na entrega de medalhas, o terceiro lugar geralmente está sorrindo, enquanto a expressão do segundo colocado às vezes é de decepção. Por que a prata é vista por muitos competidores como sendo pior do que o bronze? Há anos, especialistas tentam explicar essa questão.

A resposta pode estar na cara, literalmente. Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada em 1995 no Journal of Personality and Social Psychology.

O professor de psicologia Thomas Gilovich e seus colegas gravaram a reação de medalhistas de prata e de bronze durante os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 — quando os atletas descobriram suas colocações e na cerimônia de premiação. Depois, mostraram o vídeo a estudantes sem revelar as posições finais. A análise foi a de que, em geral, quem levou o bronze estava mais satisfeito.

Os pesquisadores também entrevistaram mais de cem medalhistas em uma competição amadora nos Estados Unidos e pediram que eles qualificassem a própria performance. Os que ficaram em terceiro pareciam mais felizes e aliviados por estarem no pódio, enquanto os vice-campeões se sentiam derrotados porque se compararam aos primeiros colocados. A sensação era a de que não ganharam a prata, mas, sim, perderam o ouro.

Outra pesquisa de 2006 na mesma publicação analisou a expressão facial de medalhistas de ouro, prata e bronze e dos que terminaram em quinto lugar na competição olímpica de judô em Atenas - 2004. Os terceiros colocados tinham um sorriso mais espontâneo, o que significa usar músculos da face que deixam os olhos apertados e geram os "pés-de-galinha". A reação dos medalhistas de prata, segundo aos autores, mostrou que eles estavam apenas sendo educados, não felizes. O famoso sorriso amarelo.

Um estudo feito pela London School of Economics após os Jogos Paraolímpicos de Londres de 2012 revelou resultados parecidos. Respostas emocionais influenciadas pelo que poderia ter acontecido, não pelo que de fato ocorreu. A margem da performance também era relevante: psicologicamente, ganhar a prata por pouco, em vez do bronze, seria menos decepcionante.

É possível ter empatia em situações cotidianas. Há quem fique feliz com o aumento de salário, mas talvez se desanime ao saber que o colega de escritório ganhou um ainda maior. Quem quer perder cinco quilos e emagrece seis comemora, mas, se a ideia era perder dez quilos e são cinco a menos na balança, a sensação pode ser de derrota.

Muitas vezes, O ser humano se diminui quando se compara, ou quando pensa no que poderia ter feito. Todos, em uma escala maior ou menor, já passaram por isso.

Em competições que envolvem disputa de terceiro lugar, o medalhista de bronze vem de uma vitória, enquanto o de prata, de uma derrota. No esporte, há várias formas de lidar com um segundo lugar. Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação. Mais uma lição que os Jogos Olímpicos nos ensinam sobre as emoções humanas.


Marina lIzidro

(Folha de São Paulo, 29 de janeiro de 2022)

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Alternativas

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Questão de Interpretação de Texto – Tema Central

Esta questão avalia a habilidade de identificar o tema central de um texto, competência essencial em provas para Assistente Social, pois permite compreender e extrair a ideia principal de uma situação comunicativa, indispensável para a prática profissional e para o sucesso em concursos.

O texto apresenta estudos e exemplos de reações emocionais de atletas olímpicos ao receberem as medalhas de prata e bronze, observando que o medalhista de bronze, frequentemente, demonstra maior contentamento do que o medalhista de prata. Essa diferença é explicada pela psicologia do comportamento humano em situações competitivas.

Alternativa Correta:

A) comportamentos apresentados espontaneamente em eventos específicos.

Está correta pois resume, de forma objetiva e fiel, o foco do texto: as reações e expressões espontâneas (especialmente dos rostos) dos atletas — ou seja, seus comportamentos naturais diante da situação particular da premiação olímpica. O texto não faz julgamentos sobre a estrutura das olimpíadas ou debate questões econômicas; ele se concentra nas emoções e condutas humanas em contextos específicos, como ensina a interpretação de texto pela norma-padrão (Cunha & Cintra).

Análise das alternativas incorretas:

B) Refere-se a “contradições da estrutura de competição”, mas o texto não critica nem aponta contradições no sistema das olimpíadas.

C) Apresenta “impactos econômicos”, tema ausente no texto, que não discute finanças ou estímulo à concorrência.

D) Fala em “recorrência da história pessoal em eventos públicos”, porém o texto não aborda histórias individuais, e sim um fenômeno coletivo de comportamento emocional.

Estratégia de Resolução:

Procure sempre identificar palavras-chave no enunciado — neste caso, “expressão facial”, “emoções”, “comportamento espontâneo”. Depois, observe se a alternativa mantém o sentido central e evita generalizações, como orienta o Manual de Redação da Presidência. Isso ajuda a evitar pegadinhas comuns, como opções que extrapolam ou restringem indevidamente o assunto.

Autores como Evanildo Bechara e Celso Cunha & Lindley Cintra reforçam que a compreensão do tema central depende de atenção aos aspectos objetivos do discurso e às intenções do texto.

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