O trecho “- Bebe, bebe tudo e logo” representa:  

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Q3412664 Português
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MITO INDÍGENA DO SOL

    Antigamente, muito antigamente, no tempo em que vivia entre os Tucuna, o Sol era um moço forte e muito bonito. Por ocasião da festa de Moça-Nova, o rapaz ajudava sua velha tia no preparo da tinta de urucu. Ia à mata e trazia uma madeira muito vermelha, chamada muirapiranga. Cortava a lenha para o fogo onde a velha fervia o urucu para pintar os Tucuna.
     A tia do moço era muito mal humorada, estava sempre a reclamar e a pedir mais lenha. Um dia o Sol trouxe muita muirapiranga e a velha tia ainda resmungava insatisfeita. O rapaz resolveu então que acabaria com toda aquela trabalheira. Olhou para o fogo que ardia, soltando longe suas faíscas.
     Olhou para o urucu borbulhante, vermelho, quente. Desejou beber aquele líquido e pediu permissão à tia que consentiu: - Bebe, bebe tudo e logo, disse zangada.
     Ela julgava e desejava que o moço morresse. Mas, à medida que ia bebendo a tintura quente, o rapaz ia ficando cada vez mais vermelho, tal qual o urucu e a muirapiranga.
     Depois, subindo para o céu, intrometeu-se entre as nuvens. E passou desde então a esquentar e a iluminar o mundo.


Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/site/e livros/Lendas%20e%20Mitos%20do%20Brasil.pdf. 
O trecho “- Bebe, bebe tudo e logo” representa:  
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: interpretação de texto, com foco em discurso direto (fala de personagem), identificação de marcadores de fala e reconhecimento do modo imperativo.

Estratégia de leitura para acertar: observe os sinais que introduzem a fala no texto narrativo. O travessão (–) costuma marcar discurso direto, e verbos como “disse”, “perguntou”, “ordenou” indicam quem fala. Aqui, após a autorização da tia, surge a fala no imperativo (“bebe”), evidenciando uma ordem da personagem.

Por que a alternativa correta é a letra D (A fala de um personagem): o trecho em análise é apresentado com travessão inicial e verbo de elocução (“disse”), recursos típicos do discurso direto, conforme a Gramática da Língua Portuguesa (Cunha & Cintra) e a Moderna Gramática Portuguesa (Bechara). A forma verbal “bebe” está no imperativo afirmativo (2.ª pessoa), marcando ordem proferida pela tia, uma personagem do texto. Logo, trata-se claramente de fala de personagem.

Referências normativas úteis: as gramáticas normativas apontam que o travessão e/ou dois-pontos introduzem fala literal de personagem (discurso direto). O uso do imperativo enfatiza o valor de comando. Além disso, a narrativa apresenta o verbo dicendi “disse”, que atribui a fala à tia. Tais descrições são consagradas por Cunha & Cintra e Evanildo Bechara. Quanto à ortografia de vocábulos indígenas citados no texto original (como “urucu” e “muirapiranga”), a grafia segue o VOLP/ABL.

Análise das alternativas incorretas:

A – “A fala do contador da história.” Incorreta. O narrador (contador) não fala com travessão como personagem; ele narra em terceira pessoa e introduz a fala da tia por meio do verbo “disse”. O trecho é fala de personagem, não do narrador.

B – “O pedido feito pelo contador da história.” Incorreta. Além de não ser do narrador, o enunciado está no imperativo (“bebe”), que expressa ordem ou comando, não um pedido do narrador. Portanto, erra o agente e a finalidade.

C – “O desejo do rapaz.” Incorreta. O conteúdo expresso é mandado pela tia, não um pensamento ou vontade do rapaz. O texto deixa claro que a tia ordena a ação.

E – “A serenidade da tia de Sol.” Incorreta. O contexto textual explicita que a tia estava zangada, e inclusive o narrador qualifica a fala como “disse zangada”. Portanto, não há serenidade; há exasperação, reforçando o caráter imperativo da fala.

Dica para futuras questões: identifique rapidamente o discurso direto procurando: (1) travessão ou aspas; (2) verbos de elocução (“disse”, “falou”, “ordenou”); (3) modo imperativo em falas com valor de ordem. Esses sinais, juntos, indicam fala literal de personagem, não do narrador.

Gabarito: D – A fala de um personagem.

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