Assinale a alternativa que apresenta uma característica ling...

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Q4109941 Redação Oficial
    [...] Como comentei na introdução, é comum que alguns autores, embora neguem o uso do “eu”, permitam, entretanto, o uso do “nós”, isto é, o emprego gramatical da primeira pessoa do plural. Devo dizer que acho a opção ainda mais estranha e curiosa do que a proibição anterior.
    Penso que tais autores, se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical, porém, sem querer ceder à pessoalidade da primeira pessoa do singular, acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós”, o que, a meu ver, é mero paliativo. É que, à exceção dos trabalhos elaborados em coautoria, soa muito estranho ler um autor se referindo a si como “nós”. Soa como uma esquizofrenia.
    Para tentar justificar esse paliativo, já vi seus defensores argumentando que o uso da primeira pessoa do plural se justifica uma vez que o autor se apoia em diversas pessoas e em suas obras para poder desenvolver um trabalho científico. Assim, tentam fazer crer que o uso do “nós” é uma espécie de reconhecimento à colaboração dos demais autores que serviram de fonte às ideias do autor da pesquisa.
     Ora, com todo respeito, trata-se de uma falácia. O argumento da suposta humildade do pesquisador revela-se, na verdade, uma presunção temerosa, que, penso, deve ser evitada. Nada lhe garante que os autores que lhe serviram de fonte de pesquisa chegariam às mesmas conclusões que as suas, ou que foram corretamente interpretados em suas ideias. Em verdade, não cabe ao pesquisador declarar a vontade de suas fontes, apenas interpretá-las com sua própria subjetividade que lhe é peculiar.
    Além de gerar um ruído na comunicação, entendo que o uso da primeira pessoa do plural por um indivíduo que elabora sozinho um texto acadêmico representa uma afronta à lógica, já que nada justifica se referir a si como “nós”, quando se está completamente sozinho no ato de escrever. Sendo o caso de ser uma pesquisa que teve ajudantes ou colaboradores, uma forma de valorizar sua participação é torná-los coautores ou mencioná-los diretamente no trabalho. [...]


CERSOSIMO, Samuel Oliveira. O “eu” no trabalho acadêmico: considerações sobre a proibição ao uso da primeira pessoa do singular nos textos científicos. Disponível em: https://www.academia.edu/. 
Assinale a alternativa que apresenta uma característica linguística desse texto que NÃO é indicada quando considerado o contexto de Redação Oficial.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O decisivo era identificar, no próprio texto-base, a presença de marcas explícitas de primeira pessoa do singular associadas à opinião do autor; isso torna a alternativa A a única compatível com o excerto e com a inadequação apontada no contexto de Redação Oficial.

Tema central: Impessoalidade na Redação Oficial
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está certa porque descreve exatamente um traço visível no texto-base: o uso recorrente da primeira pessoa do singular para expor interpretação e juízo pessoal do autor. Esse tipo de marca de subjetividade contrasta com o padrão de impessoalidade esperado na Redação Oficial, razão pela qual essa característica do excerto não é indicada nesse contexto.
B
Errada
Está errada porque confunde duas coisas distintas: uso de pronome referencial e ambiguidade. Pronomes referenciais são mecanismos normais de coesão; o que deve ser evitado na Redação Oficial é a referência ambígua, não o simples emprego de pronomes.
C
Errada
Está errada porque transforma em regra absoluta algo que não é absoluto. O texto realmente apresenta períodos compostos, mas isso não significa que períodos compostos, por si, prejudiquem clareza e concisão em comunicações oficiais.
D
Errada
Está errada porque o excerto não se caracteriza pelo uso de períodos simples, mas por períodos compostos, e a afirmação de que períodos simples impedem desdobramentos importantes é falsa como critério técnico.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi tratar como inadequação absoluta elementos que não são proibidos em si na Redação Oficial, como pronomes referenciais e períodos compostos, quando o traço realmente decisivo do excerto era a subjetividade marcada pela primeira pessoa do singular.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão tratar de adequação à Redação Oficial, procure primeiro marcas explícitas de pessoalidade, especialmente verbos e expressões opinativas em primeira pessoa.
  • Não elimine alternativa só porque menciona pronome ou período composto; verifique se o problema apontado é o uso em si ou um defeito específico, como ambiguidade ou excesso.
  • Se o enunciado mandar identificar característica do texto, confirme antes se a alternativa descreve algo efetivamente presente no excerto.

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