Assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA n...

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Q4109939 Português
    [...] Como comentei na introdução, é comum que alguns autores, embora neguem o uso do “eu”, permitam, entretanto, o uso do “nós”, isto é, o emprego gramatical da primeira pessoa do plural. Devo dizer que acho a opção ainda mais estranha e curiosa do que a proibição anterior.
    Penso que tais autores, se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical, porém, sem querer ceder à pessoalidade da primeira pessoa do singular, acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós”, o que, a meu ver, é mero paliativo. É que, à exceção dos trabalhos elaborados em coautoria, soa muito estranho ler um autor se referindo a si como “nós”. Soa como uma esquizofrenia.
    Para tentar justificar esse paliativo, já vi seus defensores argumentando que o uso da primeira pessoa do plural se justifica uma vez que o autor se apoia em diversas pessoas e em suas obras para poder desenvolver um trabalho científico. Assim, tentam fazer crer que o uso do “nós” é uma espécie de reconhecimento à colaboração dos demais autores que serviram de fonte às ideias do autor da pesquisa.
     Ora, com todo respeito, trata-se de uma falácia. O argumento da suposta humildade do pesquisador revela-se, na verdade, uma presunção temerosa, que, penso, deve ser evitada. Nada lhe garante que os autores que lhe serviram de fonte de pesquisa chegariam às mesmas conclusões que as suas, ou que foram corretamente interpretados em suas ideias. Em verdade, não cabe ao pesquisador declarar a vontade de suas fontes, apenas interpretá-las com sua própria subjetividade que lhe é peculiar.
    Além de gerar um ruído na comunicação, entendo que o uso da primeira pessoa do plural por um indivíduo que elabora sozinho um texto acadêmico representa uma afronta à lógica, já que nada justifica se referir a si como “nós”, quando se está completamente sozinho no ato de escrever. Sendo o caso de ser uma pesquisa que teve ajudantes ou colaboradores, uma forma de valorizar sua participação é torná-los coautores ou mencioná-los diretamente no trabalho. [...]


CERSOSIMO, Samuel Oliveira. O “eu” no trabalho acadêmico: considerações sobre a proibição ao uso da primeira pessoa do singular nos textos científicos. Disponível em: https://www.academia.edu/. 
Assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA no que tange às relações morfossintáticas de concordância.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é que o possessivo concorda em gênero e número com o substantivo que acompanha. No trecho “Nada lhe garante que os autores que lhe serviram de fonte de pesquisa chegariam às mesmas conclusões que as suas, ou que foram corretamente interpretados em suas ideias.”, a expressão “suas ideias” mostra que o termo de concordância é “ideias”; assim, a análise de D atribui incorretamente essa concordância a “conclusões”.

Tema central: Concordância e referência do possessivo
Análise das alternativas
A
Errada
Não deve ser assinalada porque apresenta uma análise válida: “estranha” e “curiosa” estão no feminino singular e concordam com “opção”. Os adjetivos são predicativos do objeto “a opção”; essa função não impede a concordância indicada.
B
Errada
Não deve ser assinalada porque a concordância descrita é válida. O sujeito “uma forma de valorizar sua participação” tem como núcleo o substantivo singular “forma”, compatível com o verbo “é”, na terceira pessoa do singular. Os elementos plurais de “torná-los coautores” não determinam essa flexão.
C
Errada
Não deve ser assinalada porque a retomada está corretamente descrita: em “torná-los” e “mencioná-los”, o pronome “-los”, masculino plural, retoma “ajudantes ou colaboradores”. A conjunção “ou” não impede essa retomada plural dos participantes da pesquisa.
D
Certa
D deve ser assinalada porque confunde duas relações: a concordância do possessivo e a identificação do possuidor. Em “suas ideias”, o feminino plural de “suas” é determinado por “ideias”; os possuidores são os autores utilizados como fontes. Já na ocorrência anterior, “as suas”, há recuperação de “conclusões”, com esse substantivo elíptico. Essa recuperação não se transfere para “suas ideias”. O erro está na análise da alternativa, não no texto.
Pegadinha da questão
O comando pede a análise incorreta. Além disso, as duas ocorrências próximas de “suas” têm estruturas diferentes: “as suas” recupera “conclusões”, enquanto “suas ideias” apresenta o substantivo expresso “ideias”. Como ambos os substantivos são femininos plurais, a coincidência de flexão pode esconder a atribuição errada feita em D.
Dica para questões semelhantes
  • Separe o substantivo que determina a concordância do possessivo do referente que identifica o possuidor.
  • Examine cada ocorrência do possessivo: a recuperação de um substantivo elíptico não se transfere automaticamente para outra ocorrência.
  • Na concordância verbal, identifique o núcleo do sujeito antes de considerar outros termos no plural.
  • Confira se o comando pede a análise correta ou a incorreta antes de marcar a alternativa.

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