Assinale a alternativa que apresenta uma oração subordinada ...

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Q4109938 Português
    [...] Como comentei na introdução, é comum que alguns autores, embora neguem o uso do “eu”, permitam, entretanto, o uso do “nós”, isto é, o emprego gramatical da primeira pessoa do plural. Devo dizer que acho a opção ainda mais estranha e curiosa do que a proibição anterior.
    Penso que tais autores, se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical, porém, sem querer ceder à pessoalidade da primeira pessoa do singular, acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós”, o que, a meu ver, é mero paliativo. É que, à exceção dos trabalhos elaborados em coautoria, soa muito estranho ler um autor se referindo a si como “nós”. Soa como uma esquizofrenia.
    Para tentar justificar esse paliativo, já vi seus defensores argumentando que o uso da primeira pessoa do plural se justifica uma vez que o autor se apoia em diversas pessoas e em suas obras para poder desenvolver um trabalho científico. Assim, tentam fazer crer que o uso do “nós” é uma espécie de reconhecimento à colaboração dos demais autores que serviram de fonte às ideias do autor da pesquisa.
     Ora, com todo respeito, trata-se de uma falácia. O argumento da suposta humildade do pesquisador revela-se, na verdade, uma presunção temerosa, que, penso, deve ser evitada. Nada lhe garante que os autores que lhe serviram de fonte de pesquisa chegariam às mesmas conclusões que as suas, ou que foram corretamente interpretados em suas ideias. Em verdade, não cabe ao pesquisador declarar a vontade de suas fontes, apenas interpretá-las com sua própria subjetividade que lhe é peculiar.
    Além de gerar um ruído na comunicação, entendo que o uso da primeira pessoa do plural por um indivíduo que elabora sozinho um texto acadêmico representa uma afronta à lógica, já que nada justifica se referir a si como “nós”, quando se está completamente sozinho no ato de escrever. Sendo o caso de ser uma pesquisa que teve ajudantes ou colaboradores, uma forma de valorizar sua participação é torná-los coautores ou mencioná-los diretamente no trabalho. [...]


CERSOSIMO, Samuel Oliveira. O “eu” no trabalho acadêmico: considerações sobre a proibição ao uso da primeira pessoa do singular nos textos científicos. Disponível em: https://www.academia.edu/. 
Assinale a alternativa que apresenta uma oração subordinada introduzida por uma conjunção que exige o modo subjuntivo. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na norma-padrão, “embora” exige o subjuntivo na oração que introduz. No trecho “embora neguem o uso do “eu””, “neguem” realiza essa seleção; por isso, a alternativa C atende ao critério do enunciado.

Tema central: Subjuntivo exigido por conjunção
Análise das alternativas
A
Errada
“Ora” funciona como marcador discursivo, não como conjunção subordinativa. Não há oração subordinada introduzida por conjunção, e “trata” está no presente do indicativo.
B
Errada
“Quando” introduz uma oração subordinada adverbial temporal, mas não exige, por si só, o subjuntivo. No trecho, “está” encontra-se no presente do indicativo; portanto, a presença de subordinação não satisfaz o critério pedido.
C
Certa
A oração introduzida por “embora” é concessiva: a negação do uso do “eu” contrasta com a permissão do uso do “nós”, sem impedi-la. “Neguem” está na terceira pessoa do plural e concorda com “alguns autores”.
D
Errada
“Como” introduz uma oração subordinada adverbial conformativa, com sentido de “conforme”. Nesse emprego, a conjunção não exige subjuntivo, e “comentei” está no pretérito perfeito do indicativo.
Pegadinha da questão
B e D também apresentam orações subordinadas, mas isso não basta: é necessário que a conjunção exija o subjuntivo. Além disso, o subjuntivo em “neguem” decorre da construção com “embora”, não de uma dúvida obrigatória sobre o fato.
Dica para questões semelhantes
  • Verifique separadamente se há subordinação e se a conjunção exige o modo verbal solicitado.
  • Em construções com “embora”, observe a exigência normativa do subjuntivo e identifique a forma verbal que a realiza.
  • Não generalize o comportamento de “quando”: a conjunção não exige sempre subjuntivo nem sempre indicativo.
  • Não atribua automaticamente dúvida ao subjuntivo; sua seleção pode decorrer da conjunção empregada.

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