O primeiro período do 2º parágrafo é composto. Assinale a al...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q4109937 Português
    [...] Como comentei na introdução, é comum que alguns autores, embora neguem o uso do “eu”, permitam, entretanto, o uso do “nós”, isto é, o emprego gramatical da primeira pessoa do plural. Devo dizer que acho a opção ainda mais estranha e curiosa do que a proibição anterior.
    Penso que tais autores, se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical, porém, sem querer ceder à pessoalidade da primeira pessoa do singular, acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós”, o que, a meu ver, é mero paliativo. É que, à exceção dos trabalhos elaborados em coautoria, soa muito estranho ler um autor se referindo a si como “nós”. Soa como uma esquizofrenia.
    Para tentar justificar esse paliativo, já vi seus defensores argumentando que o uso da primeira pessoa do plural se justifica uma vez que o autor se apoia em diversas pessoas e em suas obras para poder desenvolver um trabalho científico. Assim, tentam fazer crer que o uso do “nós” é uma espécie de reconhecimento à colaboração dos demais autores que serviram de fonte às ideias do autor da pesquisa.
     Ora, com todo respeito, trata-se de uma falácia. O argumento da suposta humildade do pesquisador revela-se, na verdade, uma presunção temerosa, que, penso, deve ser evitada. Nada lhe garante que os autores que lhe serviram de fonte de pesquisa chegariam às mesmas conclusões que as suas, ou que foram corretamente interpretados em suas ideias. Em verdade, não cabe ao pesquisador declarar a vontade de suas fontes, apenas interpretá-las com sua própria subjetividade que lhe é peculiar.
    Além de gerar um ruído na comunicação, entendo que o uso da primeira pessoa do plural por um indivíduo que elabora sozinho um texto acadêmico representa uma afronta à lógica, já que nada justifica se referir a si como “nós”, quando se está completamente sozinho no ato de escrever. Sendo o caso de ser uma pesquisa que teve ajudantes ou colaboradores, uma forma de valorizar sua participação é torná-los coautores ou mencioná-los diretamente no trabalho. [...]


CERSOSIMO, Samuel Oliveira. O “eu” no trabalho acadêmico: considerações sobre a proibição ao uso da primeira pessoa do singular nos textos científicos. Disponível em: https://www.academia.edu/. 
O primeiro período do 2º parágrafo é composto. Assinale a alternativa que apresenta a oração principal desse período. 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: A

Fundamento decisivo: No período “Penso que tais autores, se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical, porém, sem querer ceder à pessoalidade da primeira pessoa do singular, acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós”, o que, a meu ver, é mero paliativo.”, “Penso” rege a oração introduzida por “que”, que funciona como objeto direto. Logo, em sentido estrito, a oração principal é apenas “Penso”; A é mantida pelo recorte regente-complemento adotado no gabarito oficial.

Tema central: Oração principal e subordinação
Análise das alternativas
A
Certa
A mantém o verbo regente “Penso” e seu complemento oracional, incluindo a predicação “acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós””, atribuída a “tais autores”. Ao retirar os segmentos intercalados e a relativa final, apresenta a estrutura central que sustenta o gabarito oficial. Há, porém, imprecisão técnica no comando: a sequência iniciada por “que” é uma oração subordinada substantiva objetiva direta, não parte da oração principal.
B
Errada
O segmento “o que, a meu ver, é mero paliativo.” constitui uma estrutura relativa de valor explicativo: retoma o conteúdo anterior e acrescenta uma avaliação sobre ele. Não apresenta a oração regente “Penso”; a importância dessa avaliação para o argumento não lhe confere a condição sintática de oração principal.
C
Errada
C contém a oração principal “Penso”, mas interrompe seu complemento após a estrutura reduzida intercalada “se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical”, sem apresentar a predicação “acabem tentando encontrar”. Sua exclusão decorre do recorte regente-complemento privilegiado pela banca, não da ausência da oração principal. Sob a leitura literal de que basta conter a oração principal, C também atenderia ao comando, o que evidencia a imprecisão da questão.
D
Errada
Apresenta um segmento intercalado com estrutura subordinada de infinitivo, que expressa a resistência dos autores a ceder à primeira pessoa do singular. Não contém a oração regente “Penso”. A presença de “porém” não basta para transformar esse segmento em oração coordenada independente.
Pegadinha da questão
Confundir a estrutura central do período com a delimitação exata da oração principal. A traz a oração principal e seu complemento; C também contém “Penso”, mas não preserva a predicação do complemento. Assim, a exclusividade de A depende da interpretação pretendida pela banca.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique o verbo regente e separe dele a oração que funciona como seu complemento: neste caso, “Penso” é a principal, e a oração introduzida por “que” é seu objeto direto.
  • Ao desconsiderar segmentos intercalados, confira se permanece a predicação da oração subordinada, e não apenas seu sujeito.
  • Diferencie uma alternativa que contém a oração principal de outra que a apresenta isoladamente; essa distinção permite reconhecer imprecisões no comando.

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo