Assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA e...

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Q4109935 Português
    [...] Como comentei na introdução, é comum que alguns autores, embora neguem o uso do “eu”, permitam, entretanto, o uso do “nós”, isto é, o emprego gramatical da primeira pessoa do plural. Devo dizer que acho a opção ainda mais estranha e curiosa do que a proibição anterior.
    Penso que tais autores, se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical, porém, sem querer ceder à pessoalidade da primeira pessoa do singular, acabem tentando encontrar um meio-termo no “nós”, o que, a meu ver, é mero paliativo. É que, à exceção dos trabalhos elaborados em coautoria, soa muito estranho ler um autor se referindo a si como “nós”. Soa como uma esquizofrenia.
    Para tentar justificar esse paliativo, já vi seus defensores argumentando que o uso da primeira pessoa do plural se justifica uma vez que o autor se apoia em diversas pessoas e em suas obras para poder desenvolver um trabalho científico. Assim, tentam fazer crer que o uso do “nós” é uma espécie de reconhecimento à colaboração dos demais autores que serviram de fonte às ideias do autor da pesquisa.
     Ora, com todo respeito, trata-se de uma falácia. O argumento da suposta humildade do pesquisador revela-se, na verdade, uma presunção temerosa, que, penso, deve ser evitada. Nada lhe garante que os autores que lhe serviram de fonte de pesquisa chegariam às mesmas conclusões que as suas, ou que foram corretamente interpretados em suas ideias. Em verdade, não cabe ao pesquisador declarar a vontade de suas fontes, apenas interpretá-las com sua própria subjetividade que lhe é peculiar.
    Além de gerar um ruído na comunicação, entendo que o uso da primeira pessoa do plural por um indivíduo que elabora sozinho um texto acadêmico representa uma afronta à lógica, já que nada justifica se referir a si como “nós”, quando se está completamente sozinho no ato de escrever. Sendo o caso de ser uma pesquisa que teve ajudantes ou colaboradores, uma forma de valorizar sua participação é torná-los coautores ou mencioná-los diretamente no trabalho. [...]


CERSOSIMO, Samuel Oliveira. O “eu” no trabalho acadêmico: considerações sobre a proibição ao uso da primeira pessoa do singular nos textos científicos. Disponível em: https://www.academia.edu/. 
Assinale a alternativa que apresenta uma análise INCORRETA em relação ao 2º parágrafo.
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A pessoa gramatical, por si só, não determina a objetividade: “É que, à exceção dos trabalhos elaborados em coautoria, soa muito estranho ler um autor se referindo a si como “nós”. Soa como uma esquizofrenia.” As avaliações permanecem subjetivas mesmo sem primeira pessoa explícita; por isso, a análise de A é incorreta.

Tema central: Subjetividade e pessoa gramatical
Análise das alternativas
A
Certa
A deve ser assinalada porque afirma que apenas o primeiro período apresenta interpretação subjetiva; contudo, “Penso que” e “a meu ver” não são as únicas marcas de posicionamento do autor.
B
Errada
Não deve ser assinalada, pois apresenta uma análise correta da retomada referencial. O demonstrativo neutro “o”, em “o que”, recupera o conteúdo anterior: a tentativa dos autores de encontrar um meio-termo no emprego de “nós”. Esse expediente é então avaliado como “mero paliativo”. A retomada não se limita à palavra “nós” nem designa diretamente os autores.
C
Errada
Não deve ser assinalada, pois afirma predominância, e não exclusividade. As formas “Penso”, “é” e as duas ocorrências de “soa” sustentam o predomínio do presente do indicativo; “acabem”, no subjuntivo, não invalida essa análise. Também predominam construções ativas, escolhas que participam da sustentação da tese no parágrafo argumentativo.
D
Errada
Não deve ser assinalada, pois distingue corretamente estrutura sintática e função discursiva. “É que” pode ser retirado sem comprometer a estrutura sintática essencial, mas introduz uma justificativa para a avaliação anterior, apresentada assertivamente. Já “Penso que” explicita o ponto de vista pessoal. Apresentar o julgamento como afirmação não significa torná-lo objetivamente verdadeiro.
Pegadinha da questão
O comando pede a análise INCORRETA. Em A, “Apenas” exclui indevidamente a subjetividade dos dois últimos períodos, explorando a confusão entre ausência de primeira pessoa explícita e ausência de julgamento pessoal.
Dica para questões semelhantes
  • Procure expressões avaliativas e comparações antes de classificar um enunciado em terceira pessoa como objetivo.
  • Diferencie predominância de exclusividade: uma ocorrência no subjuntivo não elimina o predomínio do indicativo.
  • Ao analisar uma retomada, identifique se o pronome recupera uma palavra isolada ou todo um conteúdo anterior.
  • Não confunda dispensabilidade sintática com ausência de função argumentativa.

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Comentários

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"Se sentindo sufocados pela impessoalidade da terceira pessoa gramatical" não é voz ativa, é passiva analítica.

A terceira pessoa gramatical sufoca... Fora "se sentindo", que é passiva sintética.

Como a C pode estar correta?

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