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Q3768534 Português
As árvores e nós


   Folhas, raízes, brotos, caule, flores, tempo. As árvores são as verdadeiras donas do tempo. Ou pelo menos deveriam ser reconhecidas assim. Não só pela ancestralidade porque sim, merecem todo nosso respeito, elas são nossas parentes mais distantes, mas porque vieram antes de nós. Respeitar o meio ambiente é compreender que precisamos respeitar a vida e a experiência dos mais velhos. E a partir daqui já podemos compreender que estamos dentro de um trem descarrilado indo de encontro ao muro.

   Estamos nos transformado numa sociedade embrutecida, arrogante, gananciosa e completamente ignorante. Os professores estão sendo apedrejados em sala de aula, os mais velhos completamente desrespeitados, as crianças e adolescentes cada vez mais dentro da internet e sem conexão com o mundo real e todo mundo mais e mais medicamentado para suportar o peso da vida. Associado a isso, a violência, o trânsito sem regras, os maus-tratos aos animais que cresce em escala exponencial e o descaso com o meio ambiente.

   Quando uma árvore é cortada por pura ganância ou porque atrapalha ou porque cresceu no lugar errado ou porque suas folhas sujam o chão, fico me perguntando quando foi que perdemos a conexão com a natureza? Quando foi que nossa arrogância ficou maior que a empatia? Dias atrás as motosserras do poder público e também do privado fizeram e fazem podas drásticas e sem nenhum tipo de respeito às plantas. Que tipo de política é essa? Árvore não é enfeite. É um ser vivo e necessário.

   Ao lado do meu computador tenho uma imagem que reproduz a nossa galáxia. Gosto de olhar para ela toda vez que sento para escrever. A imagem das estrelas, dos planetas em órbita e do sol perdido em meio a este vasto e misterioso universo é um ótimo lembrete da minha insignificância. Afinal, o que somos perto desta imensidão sem fim? Respondo: nada. Há quantos anos existe nossa galáxia? E nosso planeta? Já eu e você temos um tempo minúsculo por aqui, na melhor das hipóteses, 80, 90 anos. Nossa passagem é brevíssima. E mesmo assim somos campeões em fazer bobagem.

   Precisamos desenvolver uma espécie de ecologia das práticas cotidianas. Para isso é preciso voltar a estar com o planeta e não achar que se tem poder sobre ele. Não somos isolados do mundo. Este discurso contemporâneo do individualismo ainda vai nos fazer muito mal. Por que se o mundo do lado de fora é um reflexo do que temos dentro, que tipo de mundo nos habita? Aliás, o que habita em nós está nos acompanhando ou nos escravizando?


Autora: Adriana Antunes - GZH (adaptado).
A análise dos termos da oração permite identificar como certos elementos funcionam na estrutura frasal, contribuindo para a ênfase argumentativa. Nesse sentido, analise as assertivas:

I. Em “As árvores são as verdadeiras donas do tempo”, o trecho sublinhado desempenha função de predicativo do sujeito, atribuindo característica essencial ao termo “As árvores”.
II. Em “Quando uma árvore é cortada por pura ganância”, o trecho sublinhado constitui um adjunto adverbial de causa, indicando o motivo que leva à ação de cortar a árvore.

Das assertivas, pode-se afirmar que:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: A questão avalia o reconhecimento das funções sintáticas (predicativo do sujeito e adjunto adverbial de causa) na análise de trechos do texto, conceitos fundamentais em sintaxe para concursos de nível técnico e superior.

Regra – Predicativo do Sujeito: Conforme a norma-padrão (Cunha & Cintra; Bechara), o predicativo do sujeito atribui ao sujeito uma característica, qualidade, estado ou essência, normalmente por meio de verbo de ligação.

Exemplo: “Os cães estão tranquilos.” – “tranquilos” é predicativo de “os cães”.

Regra – Adjunto Adverbial de Causa: Indica motivo, razão do acontecimento apresentado pelo verbo. É identificado por perguntas como: Por quê? Em razão de quê? Geralmente introduzido por “por”, “em razão de”, “devido a”.

Exemplo: “Ela saiu por medo.” – “por medo” = causa.

Análise das assertivas:

I. “As árvores são as verdadeiras donas do tempo”:
O trecho sublinhado é o predicativo do sujeito (“as árvores”), pois atribui uma característica/identidade às árvores, evidenciado pelo verbo de ligação “são”. Isso está em sintonia com gramáticas do Bechara e Cunha & Cintra.

II. “Quando uma árvore é cortada por pura ganância”:
Aqui, “por pura ganância” é adjunto adverbial de causa, porque indica o motivo para cortar a árvore (“ganância”). O uso da preposição “por” com ideia de motivo é típico desse adjunto, como ensina o Manual de Redação da Presidência da República.

Alternativas incorretas:

  • A e B: Ignoram que ambas as funções estão corretas.
  • D: Ambas as assertivas correspondem corretamente aos conceitos da gramática.

Ponto de atenção:
Questões assim exigem calma: identifique verbo de ligação e pergunte se o termo atribui característica ao sujeito (predicativo); para adjunto adverbial de causa, busque ideia de motivo ou razão para a ação verbal!

Gabarito: C (As duas assertivas estão corretas).

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Comentários

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PARA + VERBO NO INFINITIVO: FINALIDADE;

POR + VERBO NO INFINITIVO: CAUSA;

APESAR DE + VERBO NO INFINITIVO: CONCESSÃO;

AO + VERBO NO INFINITIVO: TEMPO;

A + VERBO NO INFINITIVO: CONDIÇÃO.

C

A assertiva I está correta, pois o verbo "são" é de ligação, conectando o sujeito ao seu predicativo ("as verdadeiras donas do tempo"), que qualifica o núcleo. A assertiva II também está correta, visto que a preposição "por" introduz o motivo ou a causa da ação passiva ("é cortada"), caracterizando um adjunto adverbial de causa. Ambos os elementos são fundamentais para a construção da ênfase argumentativa do texto de Adriana Antunes.

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